segunda-feira, 5 de junho de 2006
Irreal
Não pertenço ao mundo real
Nem sei se realmente existo
Ou se apenas sou transparente,
Invisível a olho nu…
quarta-feira, 31 de maio de 2006
Compreensão
Será talvez difícil se não tivermos o (bom) hábito de nos colocarmos no lugar de outra pessoa antes de a julgarmos ou criticarmos. Eu até compreendo que, se uma pessoa não nos cumprimenta ou não estabelece um diálogo, o instinto será considerarmos a pessoa antipática e anti-social. No entanto, se fizermos o exercício de nos colocarmos na pele dessa pessoa, acho que não será complicado descobrir outras possíveis razões para a aparente anti-sociabilidade. Uma das quais a timidez.
Falo desta questão em particular porque creio ser por vezes vítima dela; mas a verdade é que, de forma geral, se antes de julgarmos alguém pela nossa perspectiva, tentarmos fazê-lo da perspectiva de quem estamos a julgar, fará com que o nosso julgamento não seja tão tendencioso. Se uma pessoa faz qualquer coisa que nos parece absurda, antes de a rotularmos como absurda, devemos pelo menos tentar compreender o que leva uma pessoa a fazer algo que nos parece tão absurdo. Acredito que na maioria das vezes chegaremos à conclusão que, se calhar, a atitude nem foi assim tão descabida. Numa palavra: compreensão.
segunda-feira, 22 de maio de 2006
Pergunto-me... #2
Agora que aparentemente deixou de beber álcool fico ainda mais intrigado quando decido observá-lo. Não que ache errado, até acho muito bem que tenha deixado de beber álcool, mas deixa-me mais dúvidas sobre o que o traz aqui. Sobre o que o leva a passar a vida sozinho no café.
Inquieto, demonstrando alguma ansiedade. Esse sentimento absurdo que nos faz querer apenas fazer o que não estamos a fazer, estar onde não estamos, embora nunca nos elucide sobre o que queremos fazer ou onde queremos realmente estar.
Talvez por ter consciência que é apenas um sentimento absurdo que não se esvai por fazermos outra coisa ou irmos para outro sítio, fica ali, agitando nervosamente os pés, como quem ouve musica mentalmente, sozinho.
Porque é que ele, sendo já bem conhecido no sítio, quase que fazendo já parte da decoração, não fala com ninguém?
Porque é que não traz um livro? Porque é que não lê um jornal? Porque é que se limita a existir ali?
Pergunto-me o que é que pode esvaziar assim a vida de um homem.
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Religião = Discriminação
Oh malfadado ópio do povo!
Oh miserável conforto das massas que embruteces o ser humano!
Oh cegueira maldita que estagnas o mundo!
Desprezo-te com todo o meu espírito, viva ele eternamente ou morra com o meu corpo!
terça-feira, 9 de maio de 2006
Orgulho
Notoriamente esta questão está intimamente ligada ao factor imagem. Há pessoas para quem a imagem é tudo e o facto de alguém ficar a pensar que são parvos ou fracos (mesmo até que seja verdade) é insuportável. No entanto não creio ser necessário converter-se ao budismo (se bem que mal não faria) para compreender que essa atitude é primitiva. Basta olhar para a humanidade e verificar que as sociedades mais "civilizadas" são aquelas em que as pessoas começaram a despender cada vez menos energia a defender aquilo a que muitas vezes erradamente se chama honra e que não passa de puro orgulho. E se quiserem comprovar basta ofenderem um árabe e um europeu do norte e verem a diferença.
Há uma velha história chinesa que ilustra esta questão que vou tentar abreviar por palavras minhas.
Viveu em tempos um grande e respeitado espadachim que um dia, num beco, encontra um brutamontes que não conhecia a sua fama. O brutamontes decidiu meter-se com o espadachim humilhando-o, naquela atitude que os brutamontes têm que os faz sentir mais confiantes e seguros. Disse-lhe que se quisesse passar, teria que o fazer por baixo das suas pernas. O espadachim, apesar de exímio guerreiro e de saber que numa questão de segundos deixaria o brutamontes estendido no chão, talvez até morto, não achou que a defesa do seu orgulho justificaria um conflito. Passou por debaixo das pernas do brutamontes e seguiu caminho, satisfeito por ter provado a si mesmo que a força do seu carácter era superior à força do seu orgulho.
É claro que o brutamontes se sentiu muito poderoso e que ficou a pensar que o espadachim era um verdadeiro banana. Mas alguém me consegue explicar porque é que o espadachim se devia importar com isso?
Nota: Não quero, de maneira nenhuma, insinuar que consigo vencer sempre o meu orgulho. No entanto faço por isso e lá vou conseguindo uma vez por outra...
quinta-feira, 4 de maio de 2006
Um ápice
Não sei ao certo quanto tempo foi.
Se dias, semanas ou até meses.
Agora parece-me que foi um instante.
Infinitamente pequeno intervalo de tempo
Ínfimo momento… um ápice!
quarta-feira, 3 de maio de 2006
Pergunto-me...
Ou será que a felicidade de uns implica sempre e inevitavelmente a infelicidade de outros?
Se calhar é mesmo como diz aquela musica, o sonho de um homem é o pesadelo de outro...
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Sem título
Nunca haverá paz pelo impacto seco de um percutor atingir uma cápsula de sofrimento, impelindo um projéctil através de músculo, osso e vísceras.
Não haverá harmonia pela violência, e a felicidade, essa nunca se obterá pela vileza.
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Sentimentos
- Não acho que apenas por não nos expormos não estejamos a ser genuínos. Apenas nos estamos a defender, a proteger. Não quer dizer que aquilo que mostras aos outros não sejas realmente tu. Pode não ser tudo o que és, mas não quer dizer que o que mostras não faça genuinamente parte de ti.
- Sim, compreendo que é um mecanismo de protecção, mas acho que só temos a ganhar se conseguirmos ultrapassar a insegurança que nos faz ser assim. Acho que não tens assim tanto a perder se te abrires sem reservas com toda a gente.
- É engraçado como me fazes lembrar de mim quando tinha a tua idade. Eu também pensava assim. Embora sempre tenha tido uma grande dificuldade em demonstrar os meus sentimentos, sempre achei que os devia demonstrar, e sempre me esforcei por fazê-lo.
- E porque é que mudaste de opinião?
- Mudei de opinião quando finalmente, não sem um bom esforço, consegui abrir-me como um livro.
- O que é que aconteceu?
- Nem sempre as outras pessoas estão preparadas para saber o que nos vai na alma. E isso pode alterar irrecuperavelmente uma relação. Pode estragar o que poderia ser uma boa amizade.
- Queres elaborar?
- Não, nem por isso, mas digo-te que não é sempre melhor demonstrarmos os nossos sentimentos. Nem sempre se ganha em tirar a máscara. E não estou a falar do facto de, ao tirarmos a máscara, nos estamos a expor e a colocar-nos numa situação de vulnerabilidade. Podes dar um passo sem regresso na relação que tens com a pessoa a quem te expões e, embora isto do melhor e pior seja sempre discutível, ficares numa situação pior.
- Compreendo o teu ponto de vista, mas se a outra pessoa não souber lidar com o que sentes o problema é inteiramente dela. Se fores sincero não estás certamente a errar. Acho até que é a única atitude que te permite ter a certeza de estares a agir correctamente.
- Eu também compreendo o teu ponto de vista e provavelmente, dependendo da situação, estão ambos correctos. Há que ter consciência que não há verdades universais e absolutas, a vida não é a preto e branco, os tons de cinzento são infinitos. Só a experiência de vida te permite distinguir as situações em que será provavelmente melhor retraires as tuas emoções. No entanto acho que, apesar de tudo, tens razão no facto de ser a única maneira de garantires que agiste correctamente, há é que ter consciência que agir correctamente pode ter um preço. No fundo espero que, ao contrário de mim, consigas amadurecer mantendo essa opinião.
- Vou tentar.
- Boa sorte!
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Azar
E ainda há quem diga que os gatos pretos não dão azar!!!
quarta-feira, 12 de abril de 2006
O Poema
Não é criado, nem sequer é escrito,
Muito menos articulado
O poema nasce, em si renasce
Germina da ponta da pena,
Brota da imaginação,
Da fantasia, ou não
Origina-se num rasgo
Incuba no ventre da alma
Constitui-se na inspiração
Firma-se na paixão
O poema não é feito
O poema apenas surge
Surge de um ardor no peito
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Escrever
quinta-feira, 6 de abril de 2006
A dor
E então vi-a. Senti-a.
sexta-feira, 31 de março de 2006
O Gato
Acho que o Gato já merece uma homenagem e decidi fazê-la sob a forma de post.
Não se sabe ao certo, mas estima-se que tenha cerca de 16 anos e 6,5 Kg. Sim, é bastante gato, mas com uma agilidade jovial.
De facto, mesmo com os seus 16 anos continua a não conseguir resistir a um cordelinho a mexer ou algo parecido e brinca como se ainda tivesse 2 ou 3 anos. Tem até um fascínio quase doentio por caixas de cartão, que independentemente do tamanho têm que o conseguir comportar, implicando naturalmente, a destruição total da caixa na maioria dos casos. É também capaz de serpentear a sua enorme barriga por entre o que quer que esteja em cima da mesa sem destruir nada. (O mesmo já não se pode dizer da sua amiga Mia, que tem um terço do tamanho, menos de um quinto da idade e é um verdadeiro trambolho!)
Tivemos até, há bem pouco tempo, uma demonstração que, apesar da envergadura e da idade, aquilo está tudo em forma. Há outro gato, bastante sociável, lá perto. Estava o Gato a comer umas ervas (parece viciado naquilo, é um gato ruminante), quando aparece o outro. O Gato, inteligente, joga pelo seguro e vai para casa observar da porta enquanto a Mia foi logo ver o que se passava. Já estávamos nós a chamá-lo cobardolas enquanto a Carla fazia festas ao outro gato que se regalava e rebolava, quando, qual tiro, o Gato sai disparado direito ao outro, que apanhou de certeza o cagaço da vida dele! Deram três voltas ao quintal até o outro se ter enfiado pela janela da casa dele. De referir que o outro não deve ter dois anos, e foi inacreditável ver a velocidade que seis quilos e meio de gato com dezasseis anos conseguem atingir.
No entanto, na minha opinião, a característica que torna o Gato tão peculiar é a sua tendência para vocalizar. Nunca conheci outro gato – e conheci bastantes – que usufruísse tanto das suas capacidades vocais para se exprimir. Até o próprio bufar, que normalmente os gatos só usam quando estão mesmo chateados, como um método de intimidação; para o Gato é um instrumento de expressão. Sim, quer dizer que não está satisfeito, mas não está fora de si, não quer assustar ninguém, quer apenas manifestar o seu desagrado.
Entre miados avisadores, autoritários, suplicantes, críticos, satisfeitos e aquele gutural que já sabemos significar “Bola de pelo em processo de expulsão!!!” Estimo uma média bem acima dos 100 miados diários. Principalmente agora que se habituou a ir comer ervas à rua e se põe em frente à porta a miar incessantemente (eu acho que ele até já sabe quais são os dias da recolha do lixo, em que a saída é certa).
O Gato é um espectáculo! Temos um entendimento que transcende espécies. Aliás, não sei se ele pensa que é humano ou se pensa que somos todos gatos, mas a verdade é que (excepto talvez com a Carla, que trata com alguma superioridade) trata toda a gente de igual para igual. E para mim é igual, ser gato ou humano não faz diferença nenhuma. O Gato é meu irmão!
quinta-feira, 30 de março de 2006
Porquê?
Porque é que, tendo perfeita consciência que existem incompatibilidades gritantes, que existem diferenças óbvias na forma de viver, de ver a vida, não conseguimos que isso altere os nossos sentimentos por alguém? Porque é que, mesmo sabendo é o melhor a fazer, não temos o poder de eliminar uma pessoa da nossa mente? Porque é que abrimos mão de pessoas que têm tudo para ser perfeitas para nós, que sabíamos haver entendimento e identificação, apenas porque não há o click? Porquê? Porquê?
quarta-feira, 22 de março de 2006
Amizades
sexta-feira, 10 de março de 2006
O Sr. Fernando
Há basicamente duas razões que me fazem querer ser assim na idade dele. Uma é o facto dele ter uma das qualidades que mais admiro numa pessoa: conseguir estar-se borrifando para o que os outros pensam dele, consegue ser ele próprio, fazer o que bem lhe apetece sem se condicionar pelo que os outros possam pensar. A outra é estar a divertir-se no Maxime no meio de pessoas bastante mais novas que ele, quando os da idade dele já viram a novela e já estão a dormir há várias horas. Digam o que disserem, o Sr. Fernando é que sabe viver!
quinta-feira, 9 de março de 2006
Dia do coitadinho
Revoltem-se mulheres!
Nota: Claro que sempre que tentei expor o meu ponto de vista sobre este assunto a mulheres fui logo rotulado de gajo ressabiado. "Isso é só porque nós temos um dia e vocês não, e tal...". Pensem lá o que quiserem.
quarta-feira, 8 de março de 2006
Desejo
- O que desejo? Deixe lá ver... Olhe, desejo ser criança outra vez, "voltar a ter segredos", como dizia aquele senhor espaçoso, desejo que a vida volte a ser simples. Não, não, o que eu desejo é que a fórmula da felicidade seja uma coisa imutável, que não se metamorfoseie quando estamos próximos de a alcançar. Também desejo ter tempo para tudo, para conhecer tudo. Desejo não ter a necessidade de possuir coisas materiais, não ter nada e achar que tenho tudo o que preciso. Desejo enfrentar os meus medos. Desejo paz, amor, bom senso, harmonia. Desejo voar. Desejo... bom, esqueça lá isto tudo e traga-me só uma imperial, se faz favor.
- Com certeza, deseja tremoços?
quinta-feira, 2 de março de 2006
CALMA. A pressa é inimiga da perfeição.
Imaginando que nenhum dos dois ali esteve antes, como sabem que quem responde é a pessoa que nos interessa? Por que é que as pessoas mão conseguem seguir a ordem das coisas, se é que tal existe? Por que não esperar que atendam a primeira pessoa, e então, se nada acontecer, solicitar educadamente, a intervenção? Será que se não se esperar a porta só se abre para uma pessoa? Ou será que se formos muitos a tocar á campainha nos respondem mais rápido? E se for o caso de não estar ninguém? Quem nos abre a porta? Nesse caso já não fáz sentido que nos abram a porta. logo não nos interessa subir, e ai poupáva-mos tempo em subir para um andar onde ninguem nos vai atender. Mas não as pessoas preferem atropelarem-se umas ás outras, á pressa, e perder tempo desnecessário em vês de pouparem alguns minutos, por poucos que sejam, com alguma boa educação. As pessoas estão cada vêz mais impacientes, e cada vêz mais se regem por aquilo a que chamo, a "teoria da publicidade". Ou seja, "quantas mais campainhas tocares maior a probabilidade de te abrirem a porta". Isto é em tudo igual á "lei da probabilidade", mas com um nome mais adequado ao tempo em que vivemos.
E isto aplica-se a tudo. Já as crianças, aplicam-na sabiamente para obterem o que querem. Quanto mais insistires maior a probabilidade de o conseguir, isto fáz lembrar o Bart Simpson. Vão lá por insistência e não por persistência como muitos confundem.
CALMA. A pressa é inimiga da perfeição.

