A Gabriela era artista plástica, havia quem a achasse excêntrica, esquisita e até mesmo anormal, mas na realidade havia basicamente uma coisa que a distinguia da maioria das demais pessoas. Esta coisa era o seu imensurável ódio pelo conceito geral de posse material, e pelo dinheiro em particular. Já desde tenra idade tinha decidido nunca mais tocar em dinheiro. De facto, a Gabriela era artista plástica, mas era uma coisa difícil de provar, visto que quando terminava uma obra, apercebia-se que a partir desse momento a obra tinha deixado de ser meramente arte, tinha passado a ser um bem material, ainda por cima passível de ser comprado, vendido, avaliado. Claro que isso era uma coisa que só poderia eventualmente acontecer após a sua morte, mas a ideia afectava-a de tal forma que, apesar de poder ter trabalhado durante meses naquela peça, numa questão de minutos após ser concluída, a peça era completamente destruída! Desta forma, a única possibilidade existente de ver um trabalho da Gabriela era ir a casa da D. Felisberta, onde a Gabriela tinha um dia pintado um mural, conseguiu convencer-se que dado que não tinha mobilidade poderia considerar que a obra não existia materialmente, certamente ninguém iria arrancar uma parede e vendê-la, e foi uma forma de agradecer à vizinha todas as vezes que lhe levava comida. Dadas as suas convicções levava a vida mais simples que se pode imaginar, além de trabalhar nas suas esculturas feitas com materiais que trazia da rua, gastava o resto do seu tempo a ler livros emprestados e a fazer favores e tarefas domésticas às vizinhas como forma de pagar a comida que lhe davam, não que elas o exigissem, era a Gabriela que impunha esta retribuição que nem achava suficiente. Um dia, não sabemos bem se sentiu que já estava a abusar da bondade das vizinhas ou se simplesmente decidiu migrar, desapareceu. Na arrecadação onde vivia ficaram apenas os livros emprestados e os restos irreconhecíveis da sua última obra. É impossível saber ao certo, mas algo me faz acreditar que seguiu para Leste.
O Orlando era um rapaz normal, embora, naturalmente, não seja completamente verdade, pode até dizer-se que a sua vida não teve nada digno de nota até àquela manhã de Março em que se apercebeu do aparecimento de uma pequena verruga na testa. Sem poder adivinhar que aquela verruga era o início de uma mudança radical na sua vida, nem sequer lhe deu importância. Começou, no entanto a ficar alarmado quando na manhã seguinte, não só a verruga do dia anterior estava maior, como uma nova verruga tinha aparecido, desta vez por baixo do lábio inferior. Os meses seguintes foram divididos entre correrias de um médico para outro e o aparecimento ou crescimento das verrugas que cobriam já quase completamente o seu rosto.
Foram tempos terríveis para o Orlando, a ver a sua face desaparecer gradualmente dando lugar ao monstro que o atormentava do outro lado do espelho, mas o que ele não sabia é que pior ainda estava para vir. Depois de tentados todos os tratamentos e verificando que, apesar de tudo, a sua saúde estava óptima e o problema era puramente estético, o Orlando voltou para casa. Foi pior porque o apoio e a força que estava confiante que iria encontrar nos amigos não estava lá. Parecia que tinha mudado de identidade, as pessoas ficavam claramente pouco à vontade perto dele, os sentimentos pouco passavam de pena ou discriminação, nunca mais foi convidado para nada e, desiludido com o ser humano, aos poucos acabou por deixar de falar com os outros e passava os seus dias no café, a ler ou a escrevinhar qualquer coisa.
A gota de água foi quando, no café que frequentava há anos, já nem sabia quantos, no café onde se sentia tão à vontade como se estivesse em casa, onde tratava os empregados pelo nome e eles faziam o mesmo com ele, nesse café onde sentia que se podia refugiar dos olhares constantes, lhe pediram cordialmente para evitar lá ir porque afastava a clientela. Foi como uma estocada certeira no coração, boquiaberto a olhar para o dono do café com um ar incrédulo sentiu que não aguentaria mais, sentiu que o golpe tinha sido fatal, não conseguia compreender porque faziam isto, porque tinha a sua vida mudado tanto. Ele continuava a ser a mesma pessoa! Não compreendia como é que uma alteração física podia destruir completamente a sua vida, como é que as pessoas não conseguiam relacionar-se com ele da mesma forma que antes. Ainda com os olhos fixos no dono do café sentiu que ia irromper em lágrimas, mas reuniu todas as suas forças e saiu porta fora. Foi a última vez que o Orlando foi visto por aquelas bandas. Dizem as histórias passadas de boca em boca sobre o selvagem rapaz-verruga que lá morava, que um dia começou a cheirar o ar e assim, de nariz levantado como quem persegue um aroma, foi andando no sentido do sol poente e nunca mais foi visto, mas a verdade é que ninguém sabe ao certo.
O Octávio era daqueles gajos que parece um íman de mulheres, sempre me impressionou o efeito que ele tinha nelas, era impressionante como mudavam assim que o viam, ficavam indefesas, incapazes de controlar os seus impulsos. Claro que havia as que pareciam imunes, mas a maioria delas ficava totalmente parva. É que, ainda por cima, além da sua a figura de Apolo, o Octávio era a boa-disposição personificada, isto fazia dele uma pessoa muito popular entre ambos os sexos, os amigos conseguiam passar horas a ouvi-lo contar histórias das figuras ridículas que as mulheres faziam para o tentar seduzir e normalmente acabavam cheios de dores na barriga e nas bochechas de tanto rir. Mas a verdade é que elas ficavam completamente fora de si e observar este comportamento era já um passatempo dos amigos do Octávio.
O engraçado é que o Octávio não era para aí virado, não me interpretem mal, ele gostava de mulheres, mas procurava algo diferente, provavelmente procurava uma mulher que não se prostrasse aos seus pés, que não perdesse a compostura, uma mulher que visse além do seu aspecto físico. Acreditando plenamente que a sua alma gémea existia, pensou que sendo o mundo tão grande, não poderia perder tempo, estava convicto que o sítio onde estava já tinha nada para lhe oferecer e, com a roupa que tinha no corpo e algum dinheiro no bolso, partiu. Decidiu apanhar o comboio que saísse primeiro quando chegasse à estação e assim fez. E foi assim que o destino o levou para Norte.
A Gisela era afinadora de pianos, provavelmente uma das melhores, nunca usou nada electrónico e ao fim de pouco mais de um ano abdicou completamente do diapasão e passou a afinar unicamente de ouvido. Nunca houve um cliente descontente e muitos deles acabaram por se tornar bons amigos, inclusivamente, podia dizer-se que eram os seus únicos amigos. No entanto, havia clientes mais desinteressados e que ainda nem tinham reparado que a Gisela era cega. O som era a sua vida, não só a sua profissão e os seus tempos livres, já que quando não estava a trabalhar estava a tocar ou ouvir música, mas era o som que a guiava escuridão adentro. Contudo, com o passar dos anos começou a sensação de necessidade de algo mais, algo maior, mais elevado, o Som! Um som tão sublime que uma nota apenas seria capaz de despoletar as mais latentes e majestosas emoções. Não sabia como poderia designar tal som, pelo que chamava-lhe apenas o Som. Ao princípio, quando idealizou que o Som poderia existir pensava que era só uma ideia maluca, mas agora sentia um vazio interior que acreditava poder ser unicamente preenchido pelo Som, e desta forma a sua existência teria que ser real, caso contrário seria como haver um puzzle com uma peça inexistente e isso não tinha sentido, teria que existir algures a peça que a completava.
Certo dia, tinha a Gisela acabado de afinar o fá da terceira oitava quando o cliente, pressionando insistente e repetidamente a respectiva tecla, garantia que tinha um exímio ouvido e constatava claramente que a afinação não estava perfeita. A Gisela, com a máxima calma, levantou-se, guardou as suas poucas ferramentas de trabalho, que não incluíam mais do que duas cunhas uma chave, na pequena bolsa para o efeito, colocou-a no bolso de trás das calças e saiu sem dizer uma palavra. Sem qualquer hesitação foi para casa, preparou uma mochila com alguma roupa e produtos de primeira necessidade e partiu para Sul.
Não sei onde era, mas certamente não havia civilização num raio de muitos quilómetros. Embora bela, a paisagem seria bastante banal não fosse a enorme árvore que se destacava de tudo o resto. Era um cedro, um grande cedro que, embora não fosse muito alto, tinha uma envergadura imponente. Duas pessoas de mãos dadas não conseguiam abraçá-lo e o diâmetro da circunferência formada pelas pontas dos seus ramos atingia vários metros, o seu peso fazia com que as pontas mais longínquas quase tocassem o chão, o que tornava quem estivesse debaixo da sua copa praticamente invisível e bastante abrigado das intempéries. A cerca de um quilómetro do cedro havia um riacho, do outro lado do qual estava uma mata povoada principalmente por pinheiros baixos.
Nesta paisagem, à primeira vista deserta, aparecem quatro pessoas. Quatro pessoas desconhecidas entre si, vindas de quatro direcções distintas, todas dirigindo-se na direcção do grande cedro. Quatro pessoas que, ainda sem o saberem estavam prestes a terminar a sua jornada. A maioria começa, com alguma estranheza, a algumas dezenas de metros a aperceber-se dos outros, mas a Gisela, avançando devagar mas confiante, já sabia há algum tempo que mais três pessoas caminhavam nas redondezas. Tinha até a noção, pelo que conseguia inferir através da variação da amplitude do som dos seus passos, que todos se dirigiam para um ponto comum, onde se encontrariam. Ao chegar à orla da copa do grande cedro foram abrandando, cumprimentando-se entre si com alguma desconfiança, excepto a Gisela, que emitiu um sonoro “Muito boa tarde a todos” e tacteando a ponta dos ramos gatinhou por baixo deles para se sentar encostada ao velho tronco desfrutando a sombra. Não sei se terá sido pela improbabilidade daquelas quatro pessoas desconhecidas se encontrarem naquela sítio recôndito, ou se terão eles sentido algo de inexplicável, mas a verdade é que nenhum deles conseguia fazer-se acreditar que estavam juntos por acaso. E no caso de estarem a conseguir, estava ali aquela rapariga com uma bengala de cego, sentada com um ar confiante, como se soubesse alguma coisa que os outros não sabiam. Não, nada daquilo podia ser obra do acaso!
Acabaram por se sentar todos debaixo da copa do grande cedro, e, embora o Octávio ainda estivesse nitidamente a tentar controlar o choque que a aparência do Orlando tinha provocado em si, a Gabriela olhava-o com uma expressão de fascínio e, passando as mãos pelo seu rosto, coisa que desde que a doença tinha começado ninguém ainda tinha feito sem usar luvas de borracha, exclamou calmamente:
- És tão diferente! Como é que te chamas?
O Orlando, ainda afectado pelo choque, há já bastante tempo que não sentia alguém tratá-lo com tanta naturalidade, respondeu trémulo.
– Orlando. E tu?
– Gabriela. E vocês?
Perguntou virando-se para os outros, que responderam com os seus nomes.
– Não sei se alguém acredita que nos encontrámos aqui por pura coincidência.
Continuou.
– Mas eu acho que viemos todos à procura de algo, e por alguma razão a nossa busca trouxe-nos aqui.
Terminou passando as costas da mão na face do Orlando, que sem tirar os olhos da Gabriela retorquiu:
– Eu só procurava alguém que me tratasse como uma pessoa, alguém que não deixasse a minha aparência fazer esquecer o facto de que por dentro sou um ser humano como os outros. E quer-me parecer que posso ter encontrado.
Terminou distendendo a boca no esgar que era o seu sorriso.
– Como é que conseguiste vir aqui ter sozinha? Perguntou o Octávio à Gisela.
– E de que é que vens à procura?
– Quando de é cego de nascença aprende-se a ver com os outros sentidos e, quando tudo falha a minha bengala não me deixa esbarrar nas coisas. Respondeu.
– E se vos disser do que venho à procura, vão achar que sou maluca.
– Só dizes se quiseres, naturalmente ninguém te vai obrigar, mas parece-me a melhor situação para partilhares a tua maluqueira, com o dia que estamos a ter hoje acho que está toda a gente com a mente aberta.
Respondeu a Gabriela em tom bem-disposto.
– Se querem mesmo saber, vim à procura de um som.
Continuou Gisela, e como se pudesse ver as expressões de interrogação nas faces dos seus companheiros, passou a tentar explicar.
– As pessoas que vêm têm o vício de pôr toda a confiança na visão. Ver é tudo, se não há algo que não conseguem ver, têm tendência para duvidar da sua existência. A audição também nos permite conhecer as coisas, sentir o mundo, e até mesmo construir imagens mentais dele. Não pensem na minha cegueira como um impedimento, mas como uma diferença, uma diferença que, como a tua Orlando, não nos torna menos humanos. E no meu caso, embora possa parecer incapacitante, a verdade é que me faz ter capacidades que vocês não têm, permite-me também ver as coisas e até algumas que vocês não vêm. Por exemplo…
Continuou adivinhando a pergunta que se materializava nas mentes dos outros.
– Há um riacho a cerca de um quilómetro nesta direcção, mais adiante há árvores, há um ninho com uma cria no topo desta árvore, e tu Octávio, tens 55 cêntimos no bolso! E sei isto tudo apenas pelo som. Toda a minha vida gira à volta do som e eu procuro um som em particular, um som que nunca ouvi antes mas que tenho a certeza que vou reconhecer!
Confirmando a precisão da informação sobre as moedas no seu bolso, o Octávio quebrou os segundos de silêncio que aconteceram depois da Gisela se calar.
– Espero sinceramente que o encontres!
E a Gisela sentiu a sinceridade nas suas palavras.
– E tu? Retorquiu.
– O que procuras tu?
– Eu só procuro o amor verdadeiro. Respondeu.
– Procuro, no fundo, algo não muito diferente do que o Orlando procura, procuro uma mulher que me ame pelo que sou e não pelo que eu aparento. De uma mulher que consiga dar mais importância à minha personalidade que ao meu físico. Olhando para a Gisela enquanto terminava a frase, pensou se não teria também já encontrado a pessoa que procurava, mas não partilhou este pensamento com os demais.
– Mas tu és todo bom, e tal, é?
Perguntou desinteressada a Gabriela perante o olhar incrédulo do Octávio.
– Bom… as mulheres têm uma forte tendência para achar que sim. Tu não achas?
– Para ser sincera não fazes bem o meu estilo. Sem querer ofender, acho-te demasiado banal
– Tudo bem! Respondeu o Octávio com um sorriso.
– Já é um começo!
Mas a verdade é que sentiu uma ponta de mágoa que foi afastada com sucesso pela carícia da Gisela, que passou a mão pela sua nuca parecendo que, como sempre, tinha a habilidade de sentir as emoções das pessoas mesmo sem conseguir ver as suas expressões faciais.
– Só faltas tu.
Disse o Octávio à Gabriela, tentando disfarçar o despeito que ainda perdurava.
– Eu lamento desapontá-los, mas a verdade é que eu, apesar de saber que vim à procura de algo, não sei o que é esse algo, só sei que sinto a sua falta na minha vida.
– Bom, o que é que fazemos agora? Perguntou o Orlando. – Já está a ficar de noite e a única coisa que eu tenho para comermos são estas maçãs que roubei num pomar lá atrás.
– Acho que vamos ter que passar a noite aqui, eu tenho aqui um pacote de bolachas e uma garrafa de água, dá para nos remediarmos até amanhã. Depois logo vemos o que fazemos. Respondeu a Gisela, colocando os seus mantimentos junto das cerca de dez maçãs. Todos concordaram e, após fazerem desaparecer os parcos mantimentos em amena conversa, vencidos pela exaustão da caminhada que todos tinham dado até ali, deixaram-se adormecer por lá, abrigados pela copa do grande cedro e ninguém se sentiu desabrigado ou desprotegido, aliás, sentiam-se mais em casa do que alguma vez já tinham sentido.
Na manhã seguinte, aos primeiros raios de sol, foram acordados pelos pássaros que num bando cada vez maior percorriam o céu matinal, formando figuras no ar como se de uma obra de arte viva se tratassem. A Gisela foi a primeira a sair de debaixo da copa do grande cedro e sentar-se a sentir o sol na cara movendo a cabeça no sentido do chilrear uníssono do bando que já somava milhares de indivíduos. Até onde ia a impressionante capacidade auditiva da Gisela, é impossível saber ao certo, mas podemos acreditar que ela conseguia, através do chilrear individual da cada pássaro formar uma imagem mental das formas que o bando ia tomando. Minutos depois estavam os quatro sentados lado a lado, de olhos fechados, sem ninguém dizer uma palavra, a sentir na face o calor do dia que começava. Passou certamente mais de meia hora até que o Octávio, provavelmente impelido pelo seu estômago, disse que precisavam de arranjar comida. Dado o insuficiente jantar do dia anterior, todos concordaram sem reservas e decidiram separar-se em dois grupos, um dos quais iria no sentido de onde o Orlando veio, onde era certo poderem pelo menos subtrair alguma fruta dos pomares espalhados, enquanto o outro iria no sentido do riacho para verificar se a água parecia potável, e tentar também explorar a mata em busca de alimento, onde certamente encontrariam, pelo menos, amoras e pinhões.
Não haveria naturalmente nenhum problema na definição dos grupos e a Gabriela tomou a iniciativa dizendo que ia com o Orlando aos pomares, e assim se separaram, cada casal com o seu destino.
Ao chegar ao riacho, a Gisela ajoelhou-se e debruçou-se cheirando a água. – Parece-me boa. Disse. – A mim também! Respondeu o Octávio já com os pés dentro de água. – E fresquinha! Ambos beberam e, depois de atravessarem o riacho, cuja água apenas lhes chegava à cintura na zona mais profunda, tomaram um débil pequeno-almoço de amoras da silva que pendia do outro lado. Avançaram pela mata e regressaram pouco mais de uma hora depois com a camisola do Octávio cheia com um sortido de amoras, medronhos, cerejas silvestres e pinhões. Ao regressarem ao riacho sentaram-se junto à água para descansar antes de voltarem ao grande cedro que, na situação em que estavam era o mesmo que voltar para casa. Sentaram-se ao lado um do outro, na margem do riacho à sombra de uma árvore que crescia quase na horizontal, invadidos pela tranquilidade do lugar. Depois de olhar para a Gisela durante algum tempo numa tentativa de discernir os seus sentimentos, colocou o braço à volta dos seus ombros, ao que ela respondeu aproximando-se dele e deitando a sua cabeça no seu peito. Foi aí que a sua vida mudou para sempre! Era o Som! Tinha a certeza que era! O batimento compassado do coração do Octávio percorria todo o seu corpo deixando uma sensação de plenitude. Não podia estar enganada, tinha encontrado o Som, a sua busca tinha terminado e sentia-se completa, feliz, mais feliz que nunca. Era aquele som que a preenchia, a peça que faltava no puzzle que era a sua vida. E ficaram ali, não sabem quanto tempo, sem dizer uma palavra, prolongando o momento em que se completaram.
Quando chegaram ao primeiro pomar, a Gabriela e o Orlando iam já de mão dada, o que para o Orlando era ainda uma sensação muito estranha.
Casualmente, quase como se estivesse a falar sozinho, disse:
– Acho que posso considerar que tive sorte. Viemos os quatro à procura de alguma coisa e parece que até agora fui o único a encontrá-la.
A Gabriela, virando-se de frente para ele e olhando bem fundo nos seus olhos e com tal intensidade que ambos deixaram escorrer uma lágrima, respondeu:
– Eu também já encontrei! E uniram-se num abraço que, por qualquer um deles, podia ter durado para sempre.
Não se sabe bem o que aconteceu depois, mas eu gosto de acreditar que eles ainda lá estão, a viver debaixo do grande cedro, e esse, esse está lá de certeza, e tem escrita no seu tronco e nos seus ramos a história de quatro pessoas que, fazendo dele a sua casa, encontraram o propósito das suas vidas. E consigo até imaginá-lo, daqui a muitos séculos, no centro de uma cidade cujos habitantes são fruto do mais puro amor.
sexta-feira, 12 de agosto de 2005
segunda-feira, 8 de agosto de 2005
poema para 8 de agosto
Quem diz que Amor é falso ou enganoso
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.
Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.
Luís de Camões
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.
Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.
Luís de Camões
terça-feira, 2 de agosto de 2005
Amanhã é segunda-feira!
O Pedro bebeu ontem um Caprisonne, eu hoje comi jaquinzinhos, ouvimos Yngwie Malmsteen, em cassete gravada de vinil (para mim aquele ruído e os picos característicos do velho LP são o som que remexer nos confins da memória faz, como se não fosse o ruído a trazer a memória, mas sim por ela provocado, não pela memória em si, mas pelo processo que a traz de volta), o Cavaco e o Soares andam aí outra vez, os Pop del’Arte, parece que também, o Roger Waters pondera voltar aos Pink Floyd, até já vi anunciado um concerto de Beach Boys (se calhar são só as cabeças, à Futurama) para este mês… eu acho é que o universo se começou a contrair e o tempo começou a andar para trás!
quarta-feira, 20 de julho de 2005
Ela
Lá vem ela, linda como sempre, a mulher que eu amo, que qualquer partícula minha ama até à mais ínfima partícula dela. Com a sua regularidade precisa, lá vinha ela por entre as mesas da esplanada, acabando por sentar-se à mesa habitual, duas mesas à minha frente. Pede o seu garoto, encosta-se, abre o seu livro, sacode o cabelo de uma forma que me faz estremecer e começa a ler. É exactamente neste momento do dia que perco a noção do tempo, fico ali, como que suspenso fora do mundo, mundo onde só ela existe. Nesse momento ela é minha e eu sou o homem mais feliz do mundo. É por ela que me levanto de manhã, porque ela é o estereótipo da perfeição, a suavidade com que fala com o empregado, a subtileza com que se move, o seu andar leve, como se flutuasse. Como é que eu podia não amá-la assim, era impossível! Tudo era perfeito, sentia-me pleno e feliz, apaixonado por ela e por tudo! Embora o tempo não significasse nada, ela leu durante um pouco menos que uma hora, pagou e saiu, eu, naturalmente já tinha pago e saí uns metros atrás dela hipnotizado pelo movimento do seu corpo, sentia que existia uma força invisível que me puxava, que se quisesse parar as pernas não obedeceriam, mas eu não queria parar. Ela parou à porta de casa, entrou e eu segui para a minha,
Como normalmente, depois de jantar escrevi-lhe uma carta, e deitei-me cedo, para conseguir levantar-me a tempo de a ver sair. Pensei nela enquanto não adormeci deleitando-me com o facto de ela preencher completamente a minha vida.
Como sempre, levantei-me cedo, despachei-me e parei na esquina para o melhor momento da minha manhã, em que a via sair de casa e entrar no carro da colega que lhe dava boleia. Pronto, estava começado o dia da melhor maneira. Era sempre um momento fugaz, mas sem ele nem sequer concebia a ideia de fazer mais alguma coisa, acho que se ela não aparecesse eu ficava ali, eternamente parado na esquina.
À tarde, já estava eu na esplanada com a ansiedade normal à espera que ela chegasse, quando ela apareceu. Reparei que a única mesa vazia era exactamente à minha frente! Ultrapassei o repentino momento de pânico e consegui evitar fugir dali a correr, respirei fundo e disse para mim mesmo que o risco era mínimo, se nem era provável ela reparar em mim, muito menos seria ela tentar qualquer tipo de contacto; acalmei-me e desfrutei da proximidade quando ela se sentou. Quando o vento soprava conseguia sentir o seu perfume, inspirei-o como se fosse mais importante que o próprio ar, e era; era inebriante, tão inebriante que quando me apercebi ela estava a olhar directamente para mim! Numa fracção de segundo apoderou-se de mim um pavor incontrolável que não diminuiu quando me apercebi que ela sorria. Congratulei-me pelo meu hábito de pagar logo a despesa e desapareci dali num ápice. Ainda com o aroma dela nas narinas, dei-me ao trabalho de cheirar quase todos os perfumes de uma loja até encontrar o que ela usava, mas assim que o identifiquei compreendi que não era a mesma coisa, não era o mesmo aroma, era vazio, sem essência. Claro que não era o mesmo, faltava o cheiro dela aliado ao do perfume. Compreendendo que não me serviria para nada não comprei o perfume, e saí da loja deixando a empregada a praguejar qualquer coisa relacionada com umas pessoas que, segundo me pareceu, só lá iam para chatear. Jantei ali perto e fui para casa, onde me sentei a escrever-lhe uma carta, passadas cerca de duas horas pousei a caneta, dobrei as folhas, meti-as no envelope e fechei-o. Com a mesma solenidade de sempre, guardei a carta justo das outras, na gaveta da cómoda; pensei que brevemente ia ter que libertar outra gaveta para as cartas e deitei-me a pensar: Porque sorria ela? Não podia correr riscos destes! E se ela falasse comigo? Uma só frase podia deitar tudo a perder! Tenho que ser mais cuidadoso! Decidi que passaria a observá-la do banco do jardim ao lado da esplanada.
No dia seguinte, como em todos os outros, depois do meu momento matinal de plenitude, e do período do dia em que sinto não existir realmente, lá estava eu, desta vez sentado no banco do jardim, com um jornal para tapar a cara, quando ela chegou com a sua pontualidade quase mecânica que ainda me fazia amá-la mais, se é que tal era concebível. Reparei que não trazia o livro e desconfiei. Abri o jornal e fiquei a observá-la pelo canto descaído. Ela parecia descontraída, observando as pessoas à sua volta. Não estava muito satisfeito com a distância a que tinha que estar, mas era melhor jogar pelo seguro. No entanto, toda esta alegada segurança foi ruindo à medida que o empregado se aproximava de mim com uma cerveja na mão. – É da parte daquela senhora. Disse perante o meu olhar boquiaberto. – Se quiser, está convidado a sentar-se na mesa dela. Demorei alguns segundos a reagir e respondi que por educação iria aceitar a cerveja, mas que, por favor, dissesse à senhora que não podia conhecê-la. Observei o empregado a voltar, falar com ela e perante o meu espanto, enquanto eu pensava que ela iria sentir-se ferida no orgulho e nunca mais olhar para mim, eis que com um sorriso ela ergue o seu copo na minha direcção numa atitude tão pacífica que aparentava uma perfeita compreensão e respeito pela minha decisão. Fiquei abismado, esta mulher era única, verdadeiramente perfeita! Senti algo a percorrer o meu corpo partindo da zona do peito e espalhando-se em todas as direcções, de dentro para fora, quase temi explodir quando aquela sensação chegasse à pele, mas senti que irradiou de mim como uma onda de energia. Nunca mais fui o mesmo a partir desse momento, foi nesse momento que me apercebi da dimensão que o amor podia atingir. Abriu-me as perspectivas, nunca pensei que fosse possível amar alguém assim, mas era! Um sentimento avassalador que me fazia sentir que a qualquer momento deixaria de caber dentro de mim. Não consegui evitar as lágrimas que nem sabia se eram de alegria ou de tristeza, pensei que eram simplesmente lágrimas de amor e afastei-me com a sensação de que o chão estava mais macio que antes.
Cheguei a casa e comecei a escrever-lhe outra carta. Um ronco do estômago fez-me reparar na pilha de páginas que já tinha escrito, a pilha de páginas fez-me aperceber que já deviam ter passado várias horas, informação que o relógio confirmou, tinham já passado mais de quatro horas. Admoestei-me porque devia estar já a dormir, se de manhã não me conseguisse levantar a tempo de a ver nunca me conseguiria perdoar. Naturalmente que mesmo que quisesse, nunca conseguiria deixar-me dormir demais, e à hora precisa vi-a sair. Como sempre já tinha a sua boleia à espera, mas quando o carro arrancou ela pôs o braço de fora e acenou. Acenou para quem? Não parecia ter sido para ninguém que estivesse ali, ninguém respondeu. Fiquei apreensivo, as coisas não estavam a correr como eu tinha previsto, ela não devia tentar aproximar-se de mim, ela nem devia saber que eu existo! Pensei que devia desaparecer por algum tempo mas sabia que nunca conseguiria, e ao fim da tarde lá estava eu outra vez, sentado no banco do jardim a tentar controlar o pânico que o atraso dela, que já ia em mais de dois minutos, me estava a provocar. Ao olhar nervosamente para o relógio uma outra vez senti o aroma. Completamente petrificado, ali fiquei a sentir o seu perfume, o perfume da mulher que eu idolatrava, paralisado por um tempo que tanto pode ter sido uma fracção de segundo como uma hora, ao fim do qual, consegui virar lentamente o pescoço para o lado de onde vinha o aroma e lá estava ela, sorriso aberto e sincero, linda como só ela podia ser, a proximidade permitiu-me adivinhar a textura da sua pele que acariciei mentalmente. Não sei quanto tempo passou até ela falar, mas por mim podia ter sido a eternidade, se ela não tivesse falado, teria ficado ali para sempre, e para sempre seria feliz. Mas ela quebrou o silêncio com um: “Então? Por aqui outra vez?”. A suavidade da sua voz fazia parecer que todo o ruído à volta deixava de existir, sentia que quando ela falava, todos os outros sons se calavam em sinal de respeito. Abri a boca para responder, mas as palavras não saíram. Tentei de novo. Nada. Ela, não perdendo o sorriso, disse: – Não é preciso dizeres nada, podemos só desfrutar da companhia e da paz deste fim de tarde. Seria este momento real? Não seria mais uma das minhas fantasias? Parecia tudo estranhamente perfeito, ela ali ao meu lado, sem necessidade de palavras. Parecia até que me compreendia! Deixei-me ficar e o tempo ficou suspenso até ao momento em que ela se levantou e, com a sua natural simpatia se despediu com um inquietante “Então, até amanhã!”. A muito custo consegui produzir um pequeno aceno com a cabeça, e fiquei a vê-la a afastar-se tentando digerir o momento. Uma parte de mim queria dizer-lhe o que sentia, queria abraçá-la, beijá-la, passar com ela o resto da vida. Queria que ela passasse a fazer parte da minha vida, não apenas nos efémeros momentos em que a conseguia observar, mas sempre, queria que ela estivesse sempre comigo. Mas, à medida que o meu estado de euforia se foi atenuando, conseguiu fazer prevalecer a razão. Porquê correr o risco de estragar algo tão belo? Porquê destruir um amor tão puro? Sim, porque eu tinha consciência que ela era real, teria defeitos, nunca conseguiria cumprir as expectativas de perfeição que eu lhe tinha inculcado. E porquê submeter-me a isso? Ela já era minha, perfeita como eu a desejava e era essa pessoa que eu amava com todas as minhas forças. Eu amava a sua essência, não amava o que ela se poderia vir a revelar. Não, não podia deixar isso acontecer, não podia deixá-la aproximar-se. Mas a verdade é que depois daquela tarde nunca mais me iria conseguir satisfazer ao observá-la ao longe. O que fazer? Continuei no banco do jardim à procura de uma solução, e já a luz do dia esmorecia quando tive uma ideia, uma solução para ela passar a fazer parte da minha vida sem correr o risco de estragar este sentimento perfeito. Estremeci perante a radicalidade da solução, mas era a única, tinha que ser assim, não a queria perder! Além do mais, apesar de eu me ter proibido de pensar nisso, a possibilidade de ela conhecer alguém era real, e só a ideia dessa possibilidade fez-me perceber porque me impunha a proibição, sentia que o meu sangue fervia. Tinha mesmo que ser assim! Levantei-me, fui até à casa dela, toquei, à tradicional pergunta respondi que era a pessoa com quem ela tinha estado no banco do jardim. Ela abriu, convidou-me a entrar e quase me fez desistir do meu plano, mas disse mais uma vez a mim próprio que era a única solução e com isto, quando ela se virou de costas, com um golpe seco senti o seu pescoço partir, senti o seu corpo desmoronar-se. Peguei nela, deitei-a na cama, despi-a, despi-me, pousei a roupa onde não se sujasse e, inserindo a mão por baixo do esterno, retirei-lhe o coração e comi-o, ainda quente. Lavei-me, vesti-me, peguei na roupa dela e saí. Agora posso dizer que ela faz parte de mim, está sempre comigo e eu amo-a mais que nunca. Quando quero senti-la basta-me cheirar a sua roupa e sinto o seu coração a bater dentro do meu peito. Ela é minha para sempre e eu sou para sempre dela.
Como normalmente, depois de jantar escrevi-lhe uma carta, e deitei-me cedo, para conseguir levantar-me a tempo de a ver sair. Pensei nela enquanto não adormeci deleitando-me com o facto de ela preencher completamente a minha vida.
Como sempre, levantei-me cedo, despachei-me e parei na esquina para o melhor momento da minha manhã, em que a via sair de casa e entrar no carro da colega que lhe dava boleia. Pronto, estava começado o dia da melhor maneira. Era sempre um momento fugaz, mas sem ele nem sequer concebia a ideia de fazer mais alguma coisa, acho que se ela não aparecesse eu ficava ali, eternamente parado na esquina.
À tarde, já estava eu na esplanada com a ansiedade normal à espera que ela chegasse, quando ela apareceu. Reparei que a única mesa vazia era exactamente à minha frente! Ultrapassei o repentino momento de pânico e consegui evitar fugir dali a correr, respirei fundo e disse para mim mesmo que o risco era mínimo, se nem era provável ela reparar em mim, muito menos seria ela tentar qualquer tipo de contacto; acalmei-me e desfrutei da proximidade quando ela se sentou. Quando o vento soprava conseguia sentir o seu perfume, inspirei-o como se fosse mais importante que o próprio ar, e era; era inebriante, tão inebriante que quando me apercebi ela estava a olhar directamente para mim! Numa fracção de segundo apoderou-se de mim um pavor incontrolável que não diminuiu quando me apercebi que ela sorria. Congratulei-me pelo meu hábito de pagar logo a despesa e desapareci dali num ápice. Ainda com o aroma dela nas narinas, dei-me ao trabalho de cheirar quase todos os perfumes de uma loja até encontrar o que ela usava, mas assim que o identifiquei compreendi que não era a mesma coisa, não era o mesmo aroma, era vazio, sem essência. Claro que não era o mesmo, faltava o cheiro dela aliado ao do perfume. Compreendendo que não me serviria para nada não comprei o perfume, e saí da loja deixando a empregada a praguejar qualquer coisa relacionada com umas pessoas que, segundo me pareceu, só lá iam para chatear. Jantei ali perto e fui para casa, onde me sentei a escrever-lhe uma carta, passadas cerca de duas horas pousei a caneta, dobrei as folhas, meti-as no envelope e fechei-o. Com a mesma solenidade de sempre, guardei a carta justo das outras, na gaveta da cómoda; pensei que brevemente ia ter que libertar outra gaveta para as cartas e deitei-me a pensar: Porque sorria ela? Não podia correr riscos destes! E se ela falasse comigo? Uma só frase podia deitar tudo a perder! Tenho que ser mais cuidadoso! Decidi que passaria a observá-la do banco do jardim ao lado da esplanada.
No dia seguinte, como em todos os outros, depois do meu momento matinal de plenitude, e do período do dia em que sinto não existir realmente, lá estava eu, desta vez sentado no banco do jardim, com um jornal para tapar a cara, quando ela chegou com a sua pontualidade quase mecânica que ainda me fazia amá-la mais, se é que tal era concebível. Reparei que não trazia o livro e desconfiei. Abri o jornal e fiquei a observá-la pelo canto descaído. Ela parecia descontraída, observando as pessoas à sua volta. Não estava muito satisfeito com a distância a que tinha que estar, mas era melhor jogar pelo seguro. No entanto, toda esta alegada segurança foi ruindo à medida que o empregado se aproximava de mim com uma cerveja na mão. – É da parte daquela senhora. Disse perante o meu olhar boquiaberto. – Se quiser, está convidado a sentar-se na mesa dela. Demorei alguns segundos a reagir e respondi que por educação iria aceitar a cerveja, mas que, por favor, dissesse à senhora que não podia conhecê-la. Observei o empregado a voltar, falar com ela e perante o meu espanto, enquanto eu pensava que ela iria sentir-se ferida no orgulho e nunca mais olhar para mim, eis que com um sorriso ela ergue o seu copo na minha direcção numa atitude tão pacífica que aparentava uma perfeita compreensão e respeito pela minha decisão. Fiquei abismado, esta mulher era única, verdadeiramente perfeita! Senti algo a percorrer o meu corpo partindo da zona do peito e espalhando-se em todas as direcções, de dentro para fora, quase temi explodir quando aquela sensação chegasse à pele, mas senti que irradiou de mim como uma onda de energia. Nunca mais fui o mesmo a partir desse momento, foi nesse momento que me apercebi da dimensão que o amor podia atingir. Abriu-me as perspectivas, nunca pensei que fosse possível amar alguém assim, mas era! Um sentimento avassalador que me fazia sentir que a qualquer momento deixaria de caber dentro de mim. Não consegui evitar as lágrimas que nem sabia se eram de alegria ou de tristeza, pensei que eram simplesmente lágrimas de amor e afastei-me com a sensação de que o chão estava mais macio que antes.
Cheguei a casa e comecei a escrever-lhe outra carta. Um ronco do estômago fez-me reparar na pilha de páginas que já tinha escrito, a pilha de páginas fez-me aperceber que já deviam ter passado várias horas, informação que o relógio confirmou, tinham já passado mais de quatro horas. Admoestei-me porque devia estar já a dormir, se de manhã não me conseguisse levantar a tempo de a ver nunca me conseguiria perdoar. Naturalmente que mesmo que quisesse, nunca conseguiria deixar-me dormir demais, e à hora precisa vi-a sair. Como sempre já tinha a sua boleia à espera, mas quando o carro arrancou ela pôs o braço de fora e acenou. Acenou para quem? Não parecia ter sido para ninguém que estivesse ali, ninguém respondeu. Fiquei apreensivo, as coisas não estavam a correr como eu tinha previsto, ela não devia tentar aproximar-se de mim, ela nem devia saber que eu existo! Pensei que devia desaparecer por algum tempo mas sabia que nunca conseguiria, e ao fim da tarde lá estava eu outra vez, sentado no banco do jardim a tentar controlar o pânico que o atraso dela, que já ia em mais de dois minutos, me estava a provocar. Ao olhar nervosamente para o relógio uma outra vez senti o aroma. Completamente petrificado, ali fiquei a sentir o seu perfume, o perfume da mulher que eu idolatrava, paralisado por um tempo que tanto pode ter sido uma fracção de segundo como uma hora, ao fim do qual, consegui virar lentamente o pescoço para o lado de onde vinha o aroma e lá estava ela, sorriso aberto e sincero, linda como só ela podia ser, a proximidade permitiu-me adivinhar a textura da sua pele que acariciei mentalmente. Não sei quanto tempo passou até ela falar, mas por mim podia ter sido a eternidade, se ela não tivesse falado, teria ficado ali para sempre, e para sempre seria feliz. Mas ela quebrou o silêncio com um: “Então? Por aqui outra vez?”. A suavidade da sua voz fazia parecer que todo o ruído à volta deixava de existir, sentia que quando ela falava, todos os outros sons se calavam em sinal de respeito. Abri a boca para responder, mas as palavras não saíram. Tentei de novo. Nada. Ela, não perdendo o sorriso, disse: – Não é preciso dizeres nada, podemos só desfrutar da companhia e da paz deste fim de tarde. Seria este momento real? Não seria mais uma das minhas fantasias? Parecia tudo estranhamente perfeito, ela ali ao meu lado, sem necessidade de palavras. Parecia até que me compreendia! Deixei-me ficar e o tempo ficou suspenso até ao momento em que ela se levantou e, com a sua natural simpatia se despediu com um inquietante “Então, até amanhã!”. A muito custo consegui produzir um pequeno aceno com a cabeça, e fiquei a vê-la a afastar-se tentando digerir o momento. Uma parte de mim queria dizer-lhe o que sentia, queria abraçá-la, beijá-la, passar com ela o resto da vida. Queria que ela passasse a fazer parte da minha vida, não apenas nos efémeros momentos em que a conseguia observar, mas sempre, queria que ela estivesse sempre comigo. Mas, à medida que o meu estado de euforia se foi atenuando, conseguiu fazer prevalecer a razão. Porquê correr o risco de estragar algo tão belo? Porquê destruir um amor tão puro? Sim, porque eu tinha consciência que ela era real, teria defeitos, nunca conseguiria cumprir as expectativas de perfeição que eu lhe tinha inculcado. E porquê submeter-me a isso? Ela já era minha, perfeita como eu a desejava e era essa pessoa que eu amava com todas as minhas forças. Eu amava a sua essência, não amava o que ela se poderia vir a revelar. Não, não podia deixar isso acontecer, não podia deixá-la aproximar-se. Mas a verdade é que depois daquela tarde nunca mais me iria conseguir satisfazer ao observá-la ao longe. O que fazer? Continuei no banco do jardim à procura de uma solução, e já a luz do dia esmorecia quando tive uma ideia, uma solução para ela passar a fazer parte da minha vida sem correr o risco de estragar este sentimento perfeito. Estremeci perante a radicalidade da solução, mas era a única, tinha que ser assim, não a queria perder! Além do mais, apesar de eu me ter proibido de pensar nisso, a possibilidade de ela conhecer alguém era real, e só a ideia dessa possibilidade fez-me perceber porque me impunha a proibição, sentia que o meu sangue fervia. Tinha mesmo que ser assim! Levantei-me, fui até à casa dela, toquei, à tradicional pergunta respondi que era a pessoa com quem ela tinha estado no banco do jardim. Ela abriu, convidou-me a entrar e quase me fez desistir do meu plano, mas disse mais uma vez a mim próprio que era a única solução e com isto, quando ela se virou de costas, com um golpe seco senti o seu pescoço partir, senti o seu corpo desmoronar-se. Peguei nela, deitei-a na cama, despi-a, despi-me, pousei a roupa onde não se sujasse e, inserindo a mão por baixo do esterno, retirei-lhe o coração e comi-o, ainda quente. Lavei-me, vesti-me, peguei na roupa dela e saí. Agora posso dizer que ela faz parte de mim, está sempre comigo e eu amo-a mais que nunca. Quando quero senti-la basta-me cheirar a sua roupa e sinto o seu coração a bater dentro do meu peito. Ela é minha para sempre e eu sou para sempre dela.
terça-feira, 28 de junho de 2005
Um desejo?
Ontem vi uma estrela cadente e pedi um desejo. Pensando que acabaria com a guerra no mundo, desejei que toda a gente começasse a respeitar as opiniões, os credos e as filosofias dos outros. Logo me apercebi que, embora possa trazer mais paz à Irlanda e outros sítios, até talvez consiga ajudar (ou não) a resolver os problemas entre os israelitas e os palestinianos, foi um desejo desactualizado. Desactualizado porque a humanidade conseguiu descer ainda mais baixo. Desactualizado porque o esforço de uns no sentido de acabar com os conflitos ideológicos deu espaço para que a ganância de outros iniciasse novos conflitos, conflitos com razões muito mais mesquinhas, conflitos gerados não pelo antagonismo de crenças, mas pelo total desrespeito. Já lá vai o tempo em que até no infame acto de acabar com uma vida existia um sentido de honra. Agora matamos unicamente pelo vil metal, pelo vil combustível fóssil e achamos que evoluímos.
Nota mental: Na próxima estrela cadente pedir para toda a gente respeitar a propriedade alheia.
Nota mental: Na próxima estrela cadente pedir para toda a gente respeitar a propriedade alheia.
terça-feira, 21 de junho de 2005
A voz
A voz gritava. Tão alto gritava que me fez olhar em volta para ver se mais alguém estaria a ouvir, mas não, toda a gente agia como se nada estivesse a acontecer, mas a verdade é que a voz gritava. Era um lamento de profunda angústia, pleno de solidão que me provocou um arrepio na espinha e me fez eriçar os pelos dos braços. Demorei alguns instantes a perceber que a voz que gritava vinha de dentro de mim. No instante em que me apercebi disto os gritos esmoreceram, como se fosse esse o seu objectivo, o de me fazer perceber que dentro de mim habitava uma entidade quase alheia. - Quem és? Pensei. E imediatamente soube. Era a voz que existe dentro de mim e que me conhece até ao mais ínfimo pormenor. Comecei por sentir-me vulnerável, aquela voz conhecia-me como nem eu próprio conhecia, senti-me frágil, exposto. Mas de seguida o sentimento transformou-se em culpa. A voz tinha sempre estado dentro de mim, abandonada e emudecida. Mas ela conseguiu libertar-se da minha indiferença e isso é que era o importante, ia poder aproveitar tudo o que ela tinha para me dar e nunca mais a iria ignorar. Senti um misto de vitória e derrota. Sabia que a voz me iria dizer coisas que eu não ia gostar de ouvir, sabia que ia discordar das opiniões da voz, no entanto, sabia que era ela que ia ter razão, sempre. Acima de tudo sabia que ela me ia ajudar a tornar-me, a cada dia, uma pessoa melhor; porque eu não me conheço, mas a voz sim, até ao mais ínfimo pormenor.
segunda-feira, 23 de maio de 2005
quinta-feira, 5 de maio de 2005
A letter to Zaida e Miguel
Hoje escrevi á Zaida, e depois envei para o Miguel
Porque no fundo escrevi para os dois
E os amo muito muito
Here it goes:
´Zaida, minha querida, conheço-te há tanto tempo como me conheço a mim. Temos tido vidas pararelas e diferentes mas sem nunca nos termos deixado de amar, de nos preocuparmos uma com a outra, de nos ouvir.
Devo dizer-te que de Portugal, das únicas pessoas (amigos) que se preocupam comigo é tu e o Miguel. E por isso vos amo tanto e vos tenho cada vez mais em tanta consideraçao.
Porque voçês nao partem do princípo que por estar a viver noutro país vivo la vida loca e é tudo perfeito. Sim, é louca muitas vezes e tenho a sorte de já ter vivo e conhecido muito em 4 anos que aqui levo. Mas também nao é fácil, tenho tido momentos muito duros, (em que as mudanças foram a soluçao! )
Mas eu sou eu, e eu sou a mesma, continuo a amar as mesmas pessoas, a precocupar-me da mesma maneira. A ter saudades vossas :)
Acho inclusivé que estou melhor, menos agressiva (agora vejo como era agressiva antes e a mudanças que se deram em mim), a tratar das minhas inseguranças parvas, mas igual. O meu interior é o mesmo.
Estou assim mais adulta, cheguei com 23 e tenho já 28, fiz-me mulherzinha sozinha :)
Sabes que todos os meus amigos aqui sentem o mesmo, que os amigos que deixaram em Portugal nao se interessam pela nossa vida. Como se mudar de país fosse mudar para um mundo perfeito. E quando estao com eles, os amigos nem lhes fazem perguntas de como estao, de como vai a vida, de como se sentem. E só falam deles... e assim é que os distanciamento acontecem. O que eu considero ser muito pouco inteligente,,,O único que ouvem é ´entao agora é espanhola´.
Nao!! Sou portuguesa até ao tutano! Amo o meu país, Lisboa é única cidade do mundo capaz de me emocionar, sou a chata que cozinha bacalhau para toda a gente, que mostra música portuguesa (Pluto, Ornatos Violeta, Pinhead Society, Jorge Palma (ainda me emociono quando oiço a ´Cançao de Lisboa´), que pede ao pai pelo natal 5 kilos de alheiras e depois os distribui pelos amigos com a respectiva explicaçao histórico-gastronómica. E sou eu, sou muito eu e nunca deixei de o ser. Aprendi a mar Espanha porque ao viver aqui descobri que existe muito mais que ´clap clap clap olé´, como nós somos muito mais que a saudade e o fado. Mas isso foi um acrescento a mim, nao uma anulaçao do que era antes.
Por isso agradeço-te do fundo do coraçao o teu carinho e a tua preocupaçao
Eu estarei sempre aqui para ti :)
E vai em frente, dá um salto na tua vida, só vais crescer!
Mil beijos meu amor
Cláudia´
Porque no fundo escrevi para os dois
E os amo muito muito
Here it goes:
´Zaida, minha querida, conheço-te há tanto tempo como me conheço a mim. Temos tido vidas pararelas e diferentes mas sem nunca nos termos deixado de amar, de nos preocuparmos uma com a outra, de nos ouvir.
Devo dizer-te que de Portugal, das únicas pessoas (amigos) que se preocupam comigo é tu e o Miguel. E por isso vos amo tanto e vos tenho cada vez mais em tanta consideraçao.
Porque voçês nao partem do princípo que por estar a viver noutro país vivo la vida loca e é tudo perfeito. Sim, é louca muitas vezes e tenho a sorte de já ter vivo e conhecido muito em 4 anos que aqui levo. Mas também nao é fácil, tenho tido momentos muito duros, (em que as mudanças foram a soluçao! )
Mas eu sou eu, e eu sou a mesma, continuo a amar as mesmas pessoas, a precocupar-me da mesma maneira. A ter saudades vossas :)
Acho inclusivé que estou melhor, menos agressiva (agora vejo como era agressiva antes e a mudanças que se deram em mim), a tratar das minhas inseguranças parvas, mas igual. O meu interior é o mesmo.
Estou assim mais adulta, cheguei com 23 e tenho já 28, fiz-me mulherzinha sozinha :)
Sabes que todos os meus amigos aqui sentem o mesmo, que os amigos que deixaram em Portugal nao se interessam pela nossa vida. Como se mudar de país fosse mudar para um mundo perfeito. E quando estao com eles, os amigos nem lhes fazem perguntas de como estao, de como vai a vida, de como se sentem. E só falam deles... e assim é que os distanciamento acontecem. O que eu considero ser muito pouco inteligente,,,O único que ouvem é ´entao agora é espanhola´.
Nao!! Sou portuguesa até ao tutano! Amo o meu país, Lisboa é única cidade do mundo capaz de me emocionar, sou a chata que cozinha bacalhau para toda a gente, que mostra música portuguesa (Pluto, Ornatos Violeta, Pinhead Society, Jorge Palma (ainda me emociono quando oiço a ´Cançao de Lisboa´), que pede ao pai pelo natal 5 kilos de alheiras e depois os distribui pelos amigos com a respectiva explicaçao histórico-gastronómica. E sou eu, sou muito eu e nunca deixei de o ser. Aprendi a mar Espanha porque ao viver aqui descobri que existe muito mais que ´clap clap clap olé´, como nós somos muito mais que a saudade e o fado. Mas isso foi um acrescento a mim, nao uma anulaçao do que era antes.
Por isso agradeço-te do fundo do coraçao o teu carinho e a tua preocupaçao
Eu estarei sempre aqui para ti :)
E vai em frente, dá um salto na tua vida, só vais crescer!
Mil beijos meu amor
Cláudia´
terça-feira, 26 de abril de 2005
Sei de um sítio...
Estive num sítio onde as pessoas não são indiferentes ao sofrimento alheio, onde as pessoas estendem a mão a quem precisa. Vi nesse sítio, pessoas a partilhar o seu conforto com os menos afortunados, vi pessoas a lutar por causas nobres, vi pessoas que, em vez de se vangloriarem da sua posição e sentirem-se superiores, lutavam para que todos tivessem condições e oportunidades de atingir a sua felicidade. Nesse sítio ninguém vivia na rua, porque os muito ricos, em vez de passarem um cheque a uma instituição de caridade para se sentirem melhor, batiam a cidade em busca dos realmente necessitados ajudavam-nos a sentir-se e tornar-se também pessoas outra vez. Nesse sítio, ninguém se aproveitava da fraqueza e inocência alheias, ninguém temia pelos seus filhos pois toda a gente protegia as crianças. Não havia disputas nem violência porque todos sabiam partilhar, todos sabiam que não podiam ter tudo para si, que para viver em harmonia era preciso saber ceder. Todos tinham consciência da ganância e do orgulho naturais do ser humano e, como tal, todos se esforçavam por reprimi-los.
Estava pronto para ficar, não queria sair mais dali, era a sociedade com que sempre tinha sonhado... mas infelizmente acordei.
Estava pronto para ficar, não queria sair mais dali, era a sociedade com que sempre tinha sonhado... mas infelizmente acordei.
sexta-feira, 8 de abril de 2005
Talvez um dia...
O ser humano não precisa que uma lei lhe diga para não matar ou roubar. O seu humano não precisa que uma lei lhe diga que a sua liberdade acaba onde começa a do próximo. O ser humano não precisa de leis contra a crueldade e a má fé. O ser humano não precisa de leis para protecção das crianças e dos animais.
Mas como a espécie dominante do planeta continua a ser o ser desumano, é o melhor que podemos fazer.
Mas como a espécie dominante do planeta continua a ser o ser desumano, é o melhor que podemos fazer.
quarta-feira, 23 de março de 2005
Obrigadosh
Quero manifestar publicamente o meu eterno agradecimento e amor ao casal néscio.
Os Jovens Herois de Shaolin deixaram-me uma lagrimita no canto do olho. Toda a gente a quem falo deles me canta o genérico... na nananana nana... na na na nananana nanana nananaaaaaaa
Voltei a ver a tromba do chinoca pelo qual era terrivelmente apaixonada... era uma criança, justifica-se ok?!
O CS do League of Gentlemen é uma pérolazinha dessas raras e o Delicatessen deu-me uma viagem de quase duas horas na sexta à noite. Sim, estava fumada, nao consegui atinar com o menu (dei comigo a rir sozinha, quase que a bandeiras despregadas) e apesar das legendas estarem em inglês, o enquandramento nao funcionar e eu ler apenas a primeira linha, nao consegui despregar os olhos de la tele. Valeu por todos os filmes que eu devia andar a ver no cinema e que deixo andar porque ultimamente ando de maos dadas com a preguiça
Uma vez mais, têm todo o meu amor, para todo o sempre
Muito obrigado, em meu nome e em nome de toda a comunidade portuguesa residente na cidade condal
Naaa nana nana nana
Nananaaaa nana nanaaaaa
Nananaaaaa
Nananaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Os Jovens Herois de Shaolin deixaram-me uma lagrimita no canto do olho. Toda a gente a quem falo deles me canta o genérico... na nananana nana... na na na nananana nanana nananaaaaaaa
Voltei a ver a tromba do chinoca pelo qual era terrivelmente apaixonada... era uma criança, justifica-se ok?!
O CS do League of Gentlemen é uma pérolazinha dessas raras e o Delicatessen deu-me uma viagem de quase duas horas na sexta à noite. Sim, estava fumada, nao consegui atinar com o menu (dei comigo a rir sozinha, quase que a bandeiras despregadas) e apesar das legendas estarem em inglês, o enquandramento nao funcionar e eu ler apenas a primeira linha, nao consegui despregar os olhos de la tele. Valeu por todos os filmes que eu devia andar a ver no cinema e que deixo andar porque ultimamente ando de maos dadas com a preguiça
Uma vez mais, têm todo o meu amor, para todo o sempre
Muito obrigado, em meu nome e em nome de toda a comunidade portuguesa residente na cidade condal
Naaa nana nana nana
Nananaaaa nana nanaaaaa
Nananaaaaa
Nananaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
sexta-feira, 18 de março de 2005
Slow Europe
É de autor desconhecido, mas digníssimo desta nossa tertúlia. Um must read!
Já vai para 15 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Aqui, qualquer projecto demora 2 anos a concretizar-se, mesmo que a ideia seja brilhante e simples. É regra. Então, nos processos globais, nós (portugueses, brasileiros, americanos, australianos, asiáticos, etc) ficamos aflitos para obter resultados imediatos, numa ansiedade generalizada. Porém, o nosso sentido de urgência não surte qualquer efeito neste país. Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões e ponderações. E trabalham num esquema bem mais "slow down". O pior é constatar que, no fim, acaba por dar tudo certo no tempo deles, com a maturidade da tecnologia e da necessidade; aqui, muito pouco se perde. É assim:
1. O país é cerca de 3 vezes maior que Portugal;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. A sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (Lisboa, que tem 1 milhão);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB,Nokia,...
5. Para ter uma ideia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.
Digo a todos estes nossos grupos globais de trabalhadores: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles. Vou contar-vos uma breve história, só para vos dar uma noção... A primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecos apanhava-me no hotel todas as manhãs. Era Setembro, frio, e a neve estava presente. Chegávamos bem cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada,no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, uma manhã perguntei-lhe: - Você tem lugar marcado para estacionar aqui? Chegamos sempre cedo, o estacionamento está vazio e você deixa o carro à ponta do parque. Ele, simplesmente, respondeu-me assim: - É que, como chegamos cedo, temos tempo de andar. Quem chegar mais tarde já vem atrasado, precisa mais de ficar perto da porta. Você não acha? Nesse dia, percebi a filosofia sueca de cidadania! Serviu também para rever os meus conceitos. SLOW vs FAST. Há um grande movimento na Europa hoje chamado SLOW FOOD. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede em Itália (o site, é muito interessante. Veja-o). O que o movimento SLOW FOOD prega, é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" a sua confecção, no convívio com a família, com os amigos, sem pressas e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do FAST FOOD e tudo o que ele representa como estilo de vida, em que o americano "endeusificou". A surpresa, porém, é que esse movimento SLOW FOOD serve de base a um movimento mais amplo chamado SLOW EUROPE, como salientou a revista BusinessWeek na sua última edição europeia. A base de tudo, está no questionar da"pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraponto à qualidade de vida ou à "qualidade do ser". Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas, (35 h / semana) são mais produtivos que os seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram a semana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade crescer nada menos que 20%. Esta chamada "slow atitude" está a chamar a atenção, até dos americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (faça já). Portanto, esta"atitude sem-pressa" não significa, nem fazer menos, nem menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais"qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos pormenores e com menos "stress". Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente e real, em contraste com o "global" - indefinido e anónimo. Significa a retomados valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo onde os seres humanos, felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor. Gostaria de que vocês pensassem um pouco sobre isto. Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou "A pressa é inimiga da perfeição" já não merecem a nossa atenção, nestes tempos de loucura desenfreada? Será que as nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem-pressa", até para aumentar a produtividade e qualidade dos nossos produtos e serviços, sem a necessária perda da "qualidade do ser"? No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível. Um personagem cego, interpretado por Al Pacino, convida uma moça para dançar e ela responde-lhe: - Não posso, porque o meu noivo deve chegar dentro de poucos minutos. - Mas, num momento, se vive uma vida. (responde ele, conduzindo-a num passode tango). Esta pequena cena é, para mim, o momento mais marcante do filme. Algumas pessoas correm atrás do tempo, mas parece que só o alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que existe. TEMPO, toda a gente tem, por igual. Ninguém tem mais nem menos que 24horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, "A vida, é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".
Já vai para 15 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Aqui, qualquer projecto demora 2 anos a concretizar-se, mesmo que a ideia seja brilhante e simples. É regra. Então, nos processos globais, nós (portugueses, brasileiros, americanos, australianos, asiáticos, etc) ficamos aflitos para obter resultados imediatos, numa ansiedade generalizada. Porém, o nosso sentido de urgência não surte qualquer efeito neste país. Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões e ponderações. E trabalham num esquema bem mais "slow down". O pior é constatar que, no fim, acaba por dar tudo certo no tempo deles, com a maturidade da tecnologia e da necessidade; aqui, muito pouco se perde. É assim:
1. O país é cerca de 3 vezes maior que Portugal;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. A sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (Lisboa, que tem 1 milhão);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB,Nokia,...
5. Para ter uma ideia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.
Digo a todos estes nossos grupos globais de trabalhadores: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles. Vou contar-vos uma breve história, só para vos dar uma noção... A primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecos apanhava-me no hotel todas as manhãs. Era Setembro, frio, e a neve estava presente. Chegávamos bem cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada,no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, uma manhã perguntei-lhe: - Você tem lugar marcado para estacionar aqui? Chegamos sempre cedo, o estacionamento está vazio e você deixa o carro à ponta do parque. Ele, simplesmente, respondeu-me assim: - É que, como chegamos cedo, temos tempo de andar. Quem chegar mais tarde já vem atrasado, precisa mais de ficar perto da porta. Você não acha? Nesse dia, percebi a filosofia sueca de cidadania! Serviu também para rever os meus conceitos. SLOW vs FAST. Há um grande movimento na Europa hoje chamado SLOW FOOD. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede em Itália (o site, é muito interessante. Veja-o). O que o movimento SLOW FOOD prega, é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" a sua confecção, no convívio com a família, com os amigos, sem pressas e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do FAST FOOD e tudo o que ele representa como estilo de vida, em que o americano "endeusificou". A surpresa, porém, é que esse movimento SLOW FOOD serve de base a um movimento mais amplo chamado SLOW EUROPE, como salientou a revista BusinessWeek na sua última edição europeia. A base de tudo, está no questionar da"pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraponto à qualidade de vida ou à "qualidade do ser". Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas, (35 h / semana) são mais produtivos que os seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram a semana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade crescer nada menos que 20%. Esta chamada "slow atitude" está a chamar a atenção, até dos americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (faça já). Portanto, esta"atitude sem-pressa" não significa, nem fazer menos, nem menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais"qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos pormenores e com menos "stress". Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente e real, em contraste com o "global" - indefinido e anónimo. Significa a retomados valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo onde os seres humanos, felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor. Gostaria de que vocês pensassem um pouco sobre isto. Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou "A pressa é inimiga da perfeição" já não merecem a nossa atenção, nestes tempos de loucura desenfreada? Será que as nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem-pressa", até para aumentar a produtividade e qualidade dos nossos produtos e serviços, sem a necessária perda da "qualidade do ser"? No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível. Um personagem cego, interpretado por Al Pacino, convida uma moça para dançar e ela responde-lhe: - Não posso, porque o meu noivo deve chegar dentro de poucos minutos. - Mas, num momento, se vive uma vida. (responde ele, conduzindo-a num passode tango). Esta pequena cena é, para mim, o momento mais marcante do filme. Algumas pessoas correm atrás do tempo, mas parece que só o alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que existe. TEMPO, toda a gente tem, por igual. Ninguém tem mais nem menos que 24horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, "A vida, é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".
terça-feira, 15 de março de 2005
Usem a vantagem!
O ser humano tem realmente uma memória curta, é só mudarmos de perspectiva e temos logo a tendência de nos esquecermos de como víamos as coisas na perspectiva anterior.
Por exemplo, quando éramos crianças apanhávamos grandes secas dos nossos pais sobre coisas que nada nos diziam, coisas que tínhamos grande dificuldade em compreender, mas que, agora que crescemos fazem todo o sentido e vamos querer transmiti-las aos nossos filhos. Mas a maioria das pessoas tenta impingir estes valores sem utilizar a grande vantagem de, ao contrário dos petizes, já ter estado no lugar deles, não tirando partido da memória de quando lá estavam. O mesmo se passa no trabalho, vêem-se por aí muitos chefes que, pela forma como lidam com os subordinados, mostram que perderam a memória de quando eram eles os lixados .
O mais absurdo é que só temos a perder com isso. Lembrarmo-nos de como era dantes dá-nos uma muito maior competência para lidar com as situações tornando a comunicação infinitamente mais fácil.
Quem diz que não compreende a juventude certamente já se esqueceu de quando era jovem e é esta a causa do generation gap, a culpa não é dos jovens, mas sim dos adultos que deixaram morrer a sua juventude. Por isso, quando falarem com os vossos filhos ou subordinados, em vez de tentarem colocá-los na vossa perspectiva, usem a vantagem da experiência e coloquem-se vocês na deles.
Diz-se num filme (The Straight Story) que o pior de ser velho é lembrarmo-nos de quando éramos jovens. Discordo convictamente! Lembrarmo-nos de quando éramos jovens é o segredo para a eterna juventude, mas não basta lembrarmo-nos do passado, temos que manter a aptidão para recuarmos mentalmente no tempo e conseguir ver as questões com os olhos e a mentalidade que tínhamos antes.
Lembrem-se, se nós que já passámos por lá temos dificuldade em colocarmo-nos de novo nesse lugar, será impossível a quem nunca cá esteve colocar-se no nosso.
Usem a vantagem!
Por exemplo, quando éramos crianças apanhávamos grandes secas dos nossos pais sobre coisas que nada nos diziam, coisas que tínhamos grande dificuldade em compreender, mas que, agora que crescemos fazem todo o sentido e vamos querer transmiti-las aos nossos filhos. Mas a maioria das pessoas tenta impingir estes valores sem utilizar a grande vantagem de, ao contrário dos petizes, já ter estado no lugar deles, não tirando partido da memória de quando lá estavam. O mesmo se passa no trabalho, vêem-se por aí muitos chefes que, pela forma como lidam com os subordinados, mostram que perderam a memória de quando eram eles os lixados .
O mais absurdo é que só temos a perder com isso. Lembrarmo-nos de como era dantes dá-nos uma muito maior competência para lidar com as situações tornando a comunicação infinitamente mais fácil.
Quem diz que não compreende a juventude certamente já se esqueceu de quando era jovem e é esta a causa do generation gap, a culpa não é dos jovens, mas sim dos adultos que deixaram morrer a sua juventude. Por isso, quando falarem com os vossos filhos ou subordinados, em vez de tentarem colocá-los na vossa perspectiva, usem a vantagem da experiência e coloquem-se vocês na deles.
Diz-se num filme (The Straight Story) que o pior de ser velho é lembrarmo-nos de quando éramos jovens. Discordo convictamente! Lembrarmo-nos de quando éramos jovens é o segredo para a eterna juventude, mas não basta lembrarmo-nos do passado, temos que manter a aptidão para recuarmos mentalmente no tempo e conseguir ver as questões com os olhos e a mentalidade que tínhamos antes.
Lembrem-se, se nós que já passámos por lá temos dificuldade em colocarmo-nos de novo nesse lugar, será impossível a quem nunca cá esteve colocar-se no nosso.
Usem a vantagem!
segunda-feira, 14 de março de 2005
The Return to Oz
ontem sai de casa às 21h40, cheguei à estaçao às 22h, tinha comboio às22h35. o comboio atrasou-se e chegou às 22h45, com paragem em todasas estaçoes. Cheguei a Sitges around 23h30, fui fumar uma que tinha feita para o paseo e cheguei a casa pelas 00h e pico
durante todo este tempo estive a ouvir em regime non-stop ´the return to Oz´dos Scissor Sisters
há muito que n me pasava nada assim
é tao melancólica
lembra-me a vida que nao vivi
Once there was a manwho had a little too mucht ime on his hands.
He never stopped to think that he was getting older.
And when his night came to an end,he tried to grasp for his last friend
and pretend that he could wish himself health on a 4-leaf clover.
He said: Is this the return to Oz? The grass is dead,
the gold is brown and the sky has claws.
There's a wind-up man walking round and round.
What once was emerald city is now a crystal town.
3 'o' clock in the morning, you get a phone call from the Queen
With a hundred of heads she says that they're all dead.
She tried the last one on it couldn't speak fell off
and now she just wanders the halls thinkin' nothing, thinkin' nothing at all...
She said: Is this the return to Oz?The grass is dead, the gold is brown and the sky has claws.
There's a wind-up man walking round and round
What once was emerald city is now a crystal town.
The wheelie's are cutting pavement and the Skeksis at the rave meant to hide, deep inside their sunken faces and their wild rolling eyes,
But their countless words reveal that they can no longer feel Love or sex appeal The patchwork girl has come to cinch the deal
To return to Oz, we fled the world with smiles and clenching jaws
Please help me friend from coming down
I've lost my place and now it can't be found
Is this the return to Oz?The grass is dead, the gold is brownand the sky has claws.
There's a wind-up man walking round and round
What once was emerald city is now a crystal town.
durante todo este tempo estive a ouvir em regime non-stop ´the return to Oz´dos Scissor Sisters
há muito que n me pasava nada assim
é tao melancólica
lembra-me a vida que nao vivi
Once there was a manwho had a little too mucht ime on his hands.
He never stopped to think that he was getting older.
And when his night came to an end,he tried to grasp for his last friend
and pretend that he could wish himself health on a 4-leaf clover.
He said: Is this the return to Oz? The grass is dead,
the gold is brown and the sky has claws.
There's a wind-up man walking round and round.
What once was emerald city is now a crystal town.
3 'o' clock in the morning, you get a phone call from the Queen
With a hundred of heads she says that they're all dead.
She tried the last one on it couldn't speak fell off
and now she just wanders the halls thinkin' nothing, thinkin' nothing at all...
She said: Is this the return to Oz?The grass is dead, the gold is brown and the sky has claws.
There's a wind-up man walking round and round
What once was emerald city is now a crystal town.
The wheelie's are cutting pavement and the Skeksis at the rave meant to hide, deep inside their sunken faces and their wild rolling eyes,
But their countless words reveal that they can no longer feel Love or sex appeal The patchwork girl has come to cinch the deal
To return to Oz, we fled the world with smiles and clenching jaws
Please help me friend from coming down
I've lost my place and now it can't be found
Is this the return to Oz?The grass is dead, the gold is brownand the sky has claws.
There's a wind-up man walking round and round
What once was emerald city is now a crystal town.
terça-feira, 8 de março de 2005
The letra
Couldn-t resist (é a 4a vez seguida que a oiço..)
PIENSA EN MI
SI TIENES UN HONDO PENAR,
PIENSA EN MI.
SI TIENES GANAS DE LLORAR,
PIENSA EN MI.
YA VES QUE VENERO TU IMAGEN DIVINA,
TU PÁRVULA BOCA,
QUE SIENDO TAN NIÑA,
ME ENSEÑO A PECAR.
PIENSA EN MI CUANDO SUFRAS
CUANDO LLORES TAMBIÉN PIENSA EN MI
CUANDO QUIERAS QUITARME LA VIDA,
NO LA QUIERO PARA NADA, PARA NADA ME SIRVE SIN TI.
PIENSA EN MI CUANDO SUFRAS
CUANDO LLORES TAMBIÉN PIENSA EN MI
CUANDO QUIERAS QUITARME LA VIDA,
NO LA QUIERO PARA NADA, PARA NADA ME SIRVE SIN TI.
PIENSA EN MI
SI TIENES UN HONDO PENAR,
PIENSA EN MI.
SI TIENES GANAS DE LLORAR,
PIENSA EN MI.
YA VES QUE VENERO TU IMAGEN DIVINA,
TU PÁRVULA BOCA,
QUE SIENDO TAN NIÑA,
ME ENSEÑO A PECAR.
PIENSA EN MI CUANDO SUFRAS
CUANDO LLORES TAMBIÉN PIENSA EN MI
CUANDO QUIERAS QUITARME LA VIDA,
NO LA QUIERO PARA NADA, PARA NADA ME SIRVE SIN TI.
PIENSA EN MI CUANDO SUFRAS
CUANDO LLORES TAMBIÉN PIENSA EN MI
CUANDO QUIERAS QUITARME LA VIDA,
NO LA QUIERO PARA NADA, PARA NADA ME SIRVE SIN TI.
Luz Casal - Piensa en Mi
Eu detesto dançar acompanhada, mas nunca me vou esquecer de quando estávamos na Concha e o Zé Morgado pegou na minha maozinha de ET e me guiou nesta música. Acho que nunca me senti tao levezinha, pézinhos bem levantados do chao. Quando a música acabou e acordámos tinham parado à nossa volta. Oh memories
Isto porque achei por bem começar o dia com as músicas das bs do Almodovar.
Nao podia ter escolhido melhor
As temperaturas já se sentem a subir and i feel positive
Ontem fui à farmácia implorar por qualquer coisa, o que fosse, que me tirasse o bicho do corpo.
Cheguei, sorri, cuspi cada um dos meus muitos sintomas e quando acabei ainda deixei a piadinha ´queria a cura, por favor´. A sra farmaceutica sorriu, olhou-me com aquele olhar de mae que elas fazem e irrita muito (porque nao sao nossas maes e esse olhar tao benevolente só nos faz sentir uns tontinhos) e disse: ´de certeza que nao estás grávida?´
pronto
mas porque??
disse que nao, ela disse-me para tomar 1 pastilha de Ilvico de 8 em 8 horas
tou a tomar 2 de cada vez, isto é demasiado..
desde quando é que as grávidas sao fanhosas??
Isto porque achei por bem começar o dia com as músicas das bs do Almodovar.
Nao podia ter escolhido melhor
As temperaturas já se sentem a subir and i feel positive
Ontem fui à farmácia implorar por qualquer coisa, o que fosse, que me tirasse o bicho do corpo.
Cheguei, sorri, cuspi cada um dos meus muitos sintomas e quando acabei ainda deixei a piadinha ´queria a cura, por favor´. A sra farmaceutica sorriu, olhou-me com aquele olhar de mae que elas fazem e irrita muito (porque nao sao nossas maes e esse olhar tao benevolente só nos faz sentir uns tontinhos) e disse: ´de certeza que nao estás grávida?´
pronto
mas porque??
disse que nao, ela disse-me para tomar 1 pastilha de Ilvico de 8 em 8 horas
tou a tomar 2 de cada vez, isto é demasiado..
desde quando é que as grávidas sao fanhosas??
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