<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039</id><updated>2012-01-24T13:33:39.505Z</updated><category term='Arte'/><category term='Presenças'/><category term='Magia'/><category term='Tempus Fugit'/><title type='text'>Tertúlia dos Néscios</title><subtitle type='html'>Nescio ergo sum</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>440</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-4675023859362826549</id><published>2011-08-04T17:53:00.000+01:00</published><updated>2011-08-04T17:53:18.624+01:00</updated><title type='text'>Fado</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Talvez o problema tenha começado muito antes de eu me aperceber, mas foi há coisa de uns meses que comecei a reparar que ela andava a olhar para mim de uma forma diferente. Comecei a apanhá-la a mirar-me com um ar desconfiado, que depois disfarçava, cada vez pior. Tentei por várias vezes saber o que se passava, mas nem por uma delas ela disse algo que pudesse lançar alguma luz sobre o que estaria a acontecer dentro da sua cabeça. Se ela tivesse falado comigo, talvez ainda tivesse sido a tempo de fazermos alguma coisa, de resolver a questão sem recorrer a medidas extremas. Mas isso não aconteceu. Quando consegui ter um vislumbre do real problema, já ele assumia proporções devastadoras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se me disserem que, mesmo não compreendendo o problema, devia ter tentado fazer alguma coisa, eu concordo, mas ingenuamente fiquei à espera que ela finalmente procurasse a minha ajuda. Sim, quando começou a manter uma distância mínima de dois palmos entre ela e eu, a nunca adormecer antes de mim, a deixar de falar comigo com excepção do estritamente essencial, eu devia ter percebido que tinha que intervir. Quando comecei a apanhá-la a dormir no sofá quando me levantava de noite, deviam ter soado alarmes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Agora, sentado a ver o sangue a escorrer das minhas mãos, penso se teria sido isto que ela previu. Se calhar, por muito que tentemos abafar a nossa verdadeira forma, não conseguimos escapar ao nosso destino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-4675023859362826549?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/4675023859362826549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=4675023859362826549&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4675023859362826549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4675023859362826549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/08/fado.html' title='Fado'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-1965390257387876721</id><published>2011-06-24T11:46:00.000+01:00</published><updated>2011-06-24T11:46:09.423+01:00</updated><title type='text'>Demónios</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Estamos a criar uma sociedade de conas moles, pá!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Ai é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- É. Com as merdas das simpatias e das mentiras piedosas. Ninguém está preparado para ouvir duras verdades sem se sentir atacado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- E tu estás?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Sim, tenho consciência que não sou um ser perfeito, como tal, é natural que haja opiniões negativas a meu respeito. E não tenho que assumir que se alguém me diz uma coisa que eu não gosto de ouvir, será porque me quer atacar. Até pode ser exactamente pelo contrário, para me ajudar a evoluir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Sim, acho que tens alguma razão…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Se não houvesse esta cultura de proteger as pessoas de encarar os seus defeitos, todos estaríamos habituados a receber comentários negativos e já não fazíamos um grande filme por causa disso. Mas não, longe de nós viver na realidade e admitir que temos coisas feias . Não, isso nunca! Se fingirmos que os nossos demónios não existem, é quase o mesmo que eles não existirem mesmo. Tem é a grande desvantagem de assim nunca os exorcizarmos. Para lidar com eles precisávamos de reconhecer que existem, e isso é impensável para a maioria das pessoas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Verdade…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- E eu culpo esta sociedade do politicamente correcto! Do “ai, coitadinho, eu sei que é verdade, mas não lhe digas isso que o magoa. Vamos antes falar disso só nas costas dele e deixá-lo pensar que todos o achamos a pessoa mais bonita à face do planeta”. Digo mais, eu sou da opinião que alguém dar-se ao trabalho de nos fazer ver um ponto negativo em nós é uma manifestação de apreço. Se nos estivermos borrifando para uma pessoa, certamente não nos vamos prestar à maçada de a criticar e sério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Sabes, é provavelmente a primeira vez que te ouço falar de uma questão realmente pertinente e interessante. Normalmente as tuas conversas não interessam a ninguém. Tendem a ser praticamente todas sobre ti, e quando não são, é desconcertante a merda de assuntos de que te lembras. Ao ponto de, na grande maioria das vezes, não me ocorrer absolutamente nada para dizer excepto um “hum, hum”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Vai-te foder, grande filho da puta!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-1965390257387876721?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/1965390257387876721/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=1965390257387876721&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1965390257387876721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1965390257387876721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/06/demonios.html' title='Demónios'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3979331601898625547</id><published>2011-06-21T18:19:00.002+01:00</published><updated>2011-06-21T18:19:15.428+01:00</updated><title type='text'>Fé</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já começava a perder a fé no que a minha mãe me disse quando era pequeno: “Está bem que és parvo, feio, esquelético e duvido que o teu sexo cresça mais que isso, mas alguma coisa hás-de ter que agrade às mulheres”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ontem descobri finalmente! Pela boca da otorrinolaringologista (“otorrina” soa estranho…), com uma voz notoriamente excitada: “Tem um belo canal auditivo. Sem cera nenhuma e tão largo que se vê o tímpano todo. Fantástico!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tinhas razão, mamã!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3979331601898625547?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3979331601898625547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3979331601898625547&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3979331601898625547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3979331601898625547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/06/fe.html' title='Fé'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7128415759423912688</id><published>2011-06-16T12:43:00.000+01:00</published><updated>2011-06-16T12:43:55.864+01:00</updated><title type='text'>Monodiálogo #8</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Às vezes sinto-me mesmo farto de ti, pá! Não é que ache que sejas má pessoa e mesmo não achando também que és assim uma excelente pessoa, pelo menos acredito que te esforças por evoluir e aperfeiçoar os teus pontos mais negativos, aquelas coisas que aposto que também concordas precisarem mesmo de ser revistas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não tem também nada a ver com o facto de gostar ou não gostar de ti, porque até gosto, mas aborreces-me. Estou fartinho de me levantar todas as manhãs, chegar à casa-de-banho e lá estares tu, sempre, dia após dia, no espelho, a olhar para mim com aquele teu ar reprovador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7128415759423912688?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7128415759423912688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7128415759423912688&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7128415759423912688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7128415759423912688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/06/monodialogo-8.html' title='Monodiálogo #8'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3769884389259393808</id><published>2011-06-14T17:19:00.000+01:00</published><updated>2011-06-14T17:19:58.170+01:00</updated><title type='text'>Adrenalina #3</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;No dia combinado, o Bonifácio e o Matias lá foram à sua aventura, com um nó no estômago causado pelo extremo nervosismo. O Bonifácio estranhou que, ao contrário do que pensou que aconteceria, o Matias não aparentava estar tão nervoso como ele. Começou a perceber que, também ao contrário do que pensava, a forma como o Matias vivia a sua vida era mesmo por uma questão de opção e não propriamente por ter medo de nada. “Quem diria…”, terá pensado o Bonifácio, “que ele manteria esta calma a uma hora de se atirar de um penhasco?”. Claro que a pulsação do Matias estava tão acelerada como a do Bonifácio mas, desde que tomou a decisão de alinhar na aventura proposta pelo seu amigo, não se viu mais nele um instante sequer de hesitação. O Bonifácio estava radiante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Preparativos feitos, lá estavam os dois prontos a saltar, com a adrenalina a escorrer-lhes pelos poros. O Bonifácio foi à frente e, depois dos momentos do misto de pânico e excitação que sentiu após os seus pés terem perdido o contacto com a superfície terrestre, ao olhar para trás em busca do seu amigo, um novo pânico instala-se, este já sem qualquer excitação, ao ver o Matias a cair a pique rumo ao chão. O resto da viagem decorreu em completo terror e este não tinha qualquer relação com a emoção de voar. Aliás, a emoção de voar foi completamente abafada pelo pavor de não saber sequer se o seu amigo teria sobrevivido à queda. Depois do que lhe pareceram horas, lá aterrou em segurança apenas para, depois de saber que o Matias&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;tinha sido levado para o hospital, disparar ao encontro do seu amigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mais de três dias esteve o Bonifácio a velar o seu comatoso amigo, a chafurdar em culpa, sem nunca se ausentar mais que dez minutos. Durante este tempo, angustiado por não poder fazer mais, conversou constantemente com o Matias, que teimava em não reagir. Por fim, ao quarto dia, os olhos do Matias abriram-se lentamente, facto que causou ao Bonifácio algo próximo da euforia. Depois de alguns minutos a recuperar a consciência, os lábios do Matias mexeram-se, produzindo um som ténue que o Bonifácio tentou perceber aproximando o seu ouvido da boca do seu amigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os olhos do Bonifácio brilharam ao ouvir as primeiras palavras que o seu amigo proferia depois do acidente. Com visível esforço, já que tinha o maxilar partido em três sítios, o que saiu da sua boca foi: “Quando é que vamos outra vez?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3769884389259393808?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3769884389259393808/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3769884389259393808&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3769884389259393808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3769884389259393808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/06/adrenalina-3.html' title='Adrenalina #3'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8859190644566478676</id><published>2011-06-09T18:30:00.002+01:00</published><updated>2011-06-09T18:30:33.921+01:00</updated><title type='text'>Adrenalina #2</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Temos que correr riscos, pá!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Porquê? Não percebo porque é que havemos de correr riscos desnecessários. Eu prefiro estar confortável e seguro no meu canto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Não são desnecessários! Só dizes isso porque ainda não experimentaste o clímax do perigo. Porque nunca saíste da tua minúscula zona de conforto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Eu gosto da minha minúscula zona de conforto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Mas só saindo dela é que a consegues alargar. Algum desconforto é um preço mínimo para o que podes ganhar. Se não fizeres esse esforço a tua zona de conforto vai acabar por te estrangular e transformar-te num velho sozinho e amargo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Hum… Uma visão algo fatalista… E o que é que tu propões para evitar isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Não tenho propriamente um plano, mas por acaso agora que estamos a falar disto, ando numa de experimentar asa delta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Endoideceste, não foi?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Aquilo é seguro. Caem mais aviões que asas delta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– E que tal escolheres uma coisa que não requira um curso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Não é preciso saberes nem fazeres nada. Vais tipo pendura com um profissional a conduzir aquilo. Estás a imaginar-te a voar? A sensação de liberdade? Deve ser diferente de tudo o que já experimentámos. Vá lá, diz que sim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Que sim&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– A sério?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Sim, vamos lá experimentar isso. Mas tens que prometer que depois não me chateias mais com este assunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Está prometidíssimo! Deixa-me que te diga que foi infinitamente mais fácil do que eu poderia esperar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Se calhar não me conheces tão bem como pensas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Se calhar tens razão. Ou se calhar isso é sempre verdade, independentemente das pessoas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Se calhar…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8859190644566478676?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8859190644566478676/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8859190644566478676&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8859190644566478676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8859190644566478676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/06/adrenalina-2.html' title='Adrenalina #2'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2954671533911998962</id><published>2011-06-03T18:16:00.000+01:00</published><updated>2011-06-03T18:16:37.783+01:00</updated><title type='text'>Músicas para a minha gaja, mas que ela odeia e nunca na vida vai ouvir até ao fim, principalmente a de Camel que, por sinal, até é bem gira</title><content type='html'>Porque hoje estou assim pó lamechas. Deve ser por ser o meu último dia neste local de trabalho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/Sh1P4YSs9Sc" width="425"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lyricsfire.com/viewlyrics/yes/onward-lyrics.htm"&gt;Letra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/RhWDbdS-vjg" width="425"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lyricsfire.com/viewlyrics/camel/lady-fantasy-lyrics.htm"&gt;Letra&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2954671533911998962?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2954671533911998962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2954671533911998962&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2954671533911998962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2954671533911998962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/06/musicas-para-minha-gaja-mas-que-ela.html' title='Músicas para a minha gaja, mas que ela odeia e nunca na vida vai ouvir até ao fim, principalmente a de Camel que, por sinal, até é bem gira'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Sh1P4YSs9Sc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3758226443862954940</id><published>2011-06-02T17:41:00.000+01:00</published><updated>2011-06-02T17:41:23.404+01:00</updated><title type='text'>Adrenalina #1</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois de o conseguir arrastar para fora de casa para beber uma cerveja e desfrutar um pouco do fim daquela tarde quente tão agradável, o Bonifácio deu por si a olhar o seu amigo com um inconfundível sentimento de comiseração. Era a primeira vez que se apercebia disto, mas sim, era verdade, o que sentia pelo seu velho amigo Matias, além de uma profunda e inabalável amizade, era pena. Esta constatação chocou-o ao ponto de o seu amigo quebrar o silêncio perguntando-lhe se se passava alguma coisa. Era pouco frequente ser o Matias a preencher o silêncio que muitas vezes se gerava quando estavam juntos, mas isso não era um problema para qualquer dos dois. Não era um silêncio constrangedor. Simplesmente nenhum deles tinha nada que achasse que devia dizer naquele momento e nenhum deles se sentia na obrigação de dizer qualquer coisa com o único intuito de preencher o vazio verbal. Ao Bonifácio, ocorriam-lhe com mais frequência temas de conversa, mas isso não queria dizer que o Matias fosse um tipo calado. Nada disso. O mais frequente era até envolverem-se em acesos debates, mas isto só acontecia quando, de forma natural e espontânea, surgia um tema conceptual sobre o qual ambos tinham opinião. Acontecia com frequência mas não era sempre, que não eram daquelas pessoas que têm opinião sobre tudo, inclusivamente sobre assuntos sobre os quais não sabem absolutamente nada. Não, as opiniões do Bonifácio e do Matias eram sempre fundadas, embora, como eles próprios tinham consciência, pudessem estar completamente erradas. Simplesmente, como não eram pessoas de contar tudo o que lhes passava na vida, tinham vários momentos de ausência de conversa, durante os quais se permitiam, tranquila e confortavelmente, perder nos seus pensamentos sem que ninguém se sentisse obrigado a falar do estado do tempo, que, por sinal, estava tão agradável naquele dia que também não daria grande tema de conversa senão o tradicional: “Está calor hoje!”, “Olha, pois que de facto está. É de extrema clarividência e lucidez a sagaz constatação desse facto”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi uma forte revelação para o Bonifácio, mas era inegável. Tinha pena da vida vazia do seu amigo. Faça-se a ressalva que, apesar de considerar que a vida do seu amigo era vazia, tinha consciência que isso era apenas verdade à luz da sua forma de ver as coisas. Tinha também consciência que a sua forma de ver as coisas não era necessariamente a universalmente verdadeira. Era-o para si, mas respeitava qualquer outra perspectiva tanto como a sua. Isto para não se ficar a pensar que o Bonifácio era daqueles que acha que toda a gente devia viver a sua vida da forma que os próprios vivem. Não. Ao Bonifácio, apesar de ter bem definida a forma como achava que devia viver a sua vida, não lhe passava pela cabeça impingir essa visão a mais ninguém como sendo o correcto. No entanto – talvez isto fosse uma aresta que ainda precisasse de algum desbastamento – fazia-lhe algo que creio se poder descrever como “impressão”, que as pessoas atravessassem este mundo sem aproveitar o (na sua opinião) pouco tempo de vida que lhes é concedido. Causava-lhe confusão, por exemplo, que houvesse gente que passava horas esquecidas sozinha, mesmo estando na companhia de outros, em frente à televisão. Mais confusão ainda lhe causavam pessoas que despendiam anos da sua vida a limpar e arrumar coisas. Ele até gostava de ter as coisas limpas e arrumadas, mas achava que havia uma infinidade de coisas melhores com que ocupar esse tempo. Achava que a razão de estar vivo era tentar passar o maior número de momentos de satisfação e viver o maior número de emoções que fosse possível até que a fria e inevitável mão da morte se pousasse no seu ombro. “Pois”, diria o Bonifácio se estivesse a acompanhar este relato, “a vida é demasiado curta para se perder tempo com ninharias”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Racionalizou naquele momento que achava que o seu amigo estava a desperdiçar a sua vida, fechado em casa com as suas maquetas e os seus filmes clássicos. Achava que precisava de se apaixonar, de ter o seu coração partido, de curar essa mágoa e apaixonar-se de novo, de experimentar descargas de adrenalina, outros estados de consciência. No fundo, achava que a vida do seu grande amigo começava a perder o significado, dados os anos que já tinha vivido e as parcas, se algumas, ocasiões em que, qual pára-quedista que com metade do seu pé direito e metade das suas mãos fora do avião, com a deslocação do ar a empurrar-lhe as bochechas, pronto para saltar para o vazio assim que a ordem for dada, sentiu todas as células a fervilhar, não só compreendendo a razão de estar vivo, como sentindo essa mesma razão a percorrer-lhe todo o corpo. Só os saltadores sabem porque é que os pássaros cantam, ouvi algures dizer, e é uma bela metáfora. Só quem se dá às emoções é que sabe qual o sentido da vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sentiu que tinha que fazer alguma coisa. Fez um esforço por respeitar as escolhas do seu amigo, impondo-se um limite na tentativa de persuasão, mas achou que ele precisava de ser espicaçado. Tentaria não abusar, mas achou que não seria de amigo não tentar dar alguma emoção à vida do Matias. Se depois achasse que queria voltar à sua vidinha pacata, tudo bem, mas faria-o com conhecimento da alternativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3758226443862954940?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3758226443862954940/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3758226443862954940&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3758226443862954940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3758226443862954940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/06/adrenalina-1.html' title='Adrenalina #1'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3530424394949573815</id><published>2011-06-02T16:20:00.002+01:00</published><updated>2011-06-02T16:20:05.056+01:00</updated><title type='text'>Fleuma</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como é que se aguenta uma tarde fechado num escritório depois de um repasto num terraço em pleno Chiado, em excelente companhia, a ver os barcos a passar no Tejo e a partilhar mesa e almoço com os pardalitos que, afoitos como nunca vi, só faltava virem comer ao nosso prato? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Haja tabaco!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3530424394949573815?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3530424394949573815/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3530424394949573815&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3530424394949573815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3530424394949573815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/06/fleuma.html' title='Fleuma'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8476350723921157849</id><published>2011-05-26T16:27:00.000+01:00</published><updated>2011-05-26T16:27:05.421+01:00</updated><title type='text'>A pedido de diversas famílias... #2</title><content type='html'>Prémio de melhor BD no festival MouraBD 2011.&lt;br /&gt;Texto meu e desenhos do &lt;a href="http://jasaqui.blogspot.com/"&gt;João Sequeira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-uktlXemz4Cc/Td5w3sqS74I/AAAAAAAAAKg/_zBU9UPKiLI/s1600/MP1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-uktlXemz4Cc/Td5w3sqS74I/AAAAAAAAAKg/_zBU9UPKiLI/s320/MP1.jpg" width="233" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jNT4mQgVHxo/Td5w6V2Lz2I/AAAAAAAAAKk/LdGLsLesrG8/s1600/MP2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-jNT4mQgVHxo/Td5w6V2Lz2I/AAAAAAAAAKk/LdGLsLesrG8/s320/MP2.jpg" width="233" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-w1wUH2BCw-0/Td5w84APWYI/AAAAAAAAAKo/cSIg65Djoc4/s1600/MP3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-w1wUH2BCw-0/Td5w84APWYI/AAAAAAAAAKo/cSIg65Djoc4/s320/MP3.jpg" width="229" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="goog_1738574657"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_1738574658"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8476350723921157849?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8476350723921157849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8476350723921157849&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8476350723921157849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8476350723921157849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/05/pedido-de-diversas-familias-2.html' title='A pedido de diversas famílias... #2'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-uktlXemz4Cc/Td5w3sqS74I/AAAAAAAAAKg/_zBU9UPKiLI/s72-c/MP1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-1600418267010140407</id><published>2011-05-20T15:09:00.000+01:00</published><updated>2011-05-20T15:09:40.365+01:00</updated><title type='text'>Crustáceos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O Aníbal até era boa pessoa. Quero dizer… Acho que até era boa pessoa, porque o verdadeiro Aníbal estava tão enterrado debaixo de uma camada tão espessa e intrincada que era muito, mesmo muito difícil, até para os que conseguiram relacionar-se com ele o suficiente para conseguir esgravatar alguma coisa, ter um pequeno vislumbre da sua verdadeira personalidade. Sim, acho que era boa pessoa, mas não tenho a certeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Podia ser por insegurança, mas também podia ser por saber-se de coração tão frio que não lhe restou alternativa senão esconder ao máximo essa característica dos que o rodeavam. Eu opto por achar que era insegurança. Por pensar que o seu verdadeiro eu nunca teria tanto sucesso com os demais humanos como o personagem que foi aprimorando ao longo dos anos para apresentar ao mundo em vez de si. A verdade é que nunca deixava ninguém aproximar-se o suficiente para penetrar naquela carapaça dentro da qual se escondia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Compreendo o sentimento de vulnerabilidade a que nos expomos quando deixamos que o nosso interior, mole e frágil, fique à mercê do cruel mundo exterior. Compreendo que esse sentimento nos incite a fazer tudo para proteger o nosso âmago, qual crustáceo que acabou de largar a sua casca e se esconde no buraco mais fundo que encontra até se sentir novamente suficientemente duro para voltar a enfrentar o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas acredito também que, assim como o tal crustáceo precisou de abandonar a sua couraça para poder crescer, também o ser humano tem essa necessidade. É só quando abandonamos a segurança da grossa camada que colocamos entre nós e o exterior, que conseguimos realmente crescer. Nunca antes me tinha apercebido o quanto temos em comum com essa forma de vida tão básica e apetitosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tenho pena que o Aníbal não tenha percebido isso a tempo e no seu funeral estivessem apenas pessoas que afinal prestavam a sua derradeira homenagem a outra pessoa. Uma pessoa que nem sequer tinha existido realmente. Mas também não sei se isso fez diferença para o Aníbal, já que se calhar, para o fim, já ele próprio tinha perdido o contacto com a sua verdadeira essência e já acreditava piamente na farsa que tinha começado a criar em tão tenra idade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se calhar até morreu feliz, sei lá… Sei, no entanto, que não é isso que quero. Não acho que conseguisse morrer feliz sem aceitar quem sou, com todas as maravilhas e perfídias que compõem esta obra prima da natureza, que somos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pois que provavelmente haverá muito menos gente no meu funeral, mas vou tentar que os que lá estiverem o façam por mim e não por um qualquer personagem ficcional, muito estimado e elogiado por todos mas que, na realidade, nunca existiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-1600418267010140407?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/1600418267010140407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=1600418267010140407&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1600418267010140407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1600418267010140407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/05/crustaceos.html' title='Crustáceos'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-5887954988568837601</id><published>2011-05-12T14:55:00.000+01:00</published><updated>2011-05-13T21:41:12.892+01:00</updated><title type='text'>Os vermes</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu sei que não acreditas, que achas que estou doido, mas eu sei que eles lá estão. Sinto-os debaixo da minha pele. Ouço-os de noite, no silêncio, lentamente a corroer-me os músculos. Eles estão lá, eu sei que estão. Os vermes! Sinto-os a retorcer-se lá no fundo, aos milhares, a comer-me por dentro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ouve, ouve! Estás a ouvir? Ouve-los a alimentar-se? São tantos… E crescem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tu acreditas em mim, não é? Sabes que eles lá estão, não sabes? Sabes que eles me deglutem aos poucos, não sabes? Sabes que não estou doido. Sabes, não sabes?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-5887954988568837601?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/5887954988568837601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=5887954988568837601&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5887954988568837601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5887954988568837601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/05/os-vermes.html' title='Os vermes'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-577265759442279472</id><published>2011-05-05T18:26:00.000+01:00</published><updated>2011-05-05T18:26:57.131+01:00</updated><title type='text'>São Paulo 666</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Começou por ser uma história inocente inspirada no São Paulo 451 dos Belle Chase Hotel e, sem qualquer controlo da minha parte, acabou por ir descambando até se transformar num texto sem sentido; mórbido, grotesco e nauseante. Um texto demoníaco que não deve ser lido por ninguém e capaz de condenar à danação eterna os tementes a qualquer dos deuses. Se calhar devia procurar ajuda profissional…&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Estais avisados.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;José desligou a água do duche. Inspirou fundo, endireitou as costas, levantou a cabeça de forma a que o seu nariz ficasse a um ângulo de cerca de trinta e cinco graus em relação ao plano do chão e, com uma enérgica expiração deu o primeiro passo para enfrentar o mundo naquele dia, saindo da banheira. Ainda a pingar, continuou o seu ritual diário untando cuidadosamente todo o seu corpo com óleo. Nunca percebi porque alguém faria uma coisa destas, já que sempre achei que um dos objectivos do banho era exactamente remover o excesso de gordura que vamos segregando, pelo que me parece absurdo repô-la assim que acabamos de a retirar, mas o que interessa aqui não é a minha opinião e sim contar a história, portanto… Adiante. Enrolou uma toalha no cabelo e foi para o quarto, deixando pegadas húmidas, número quarenta e quatro, pelo caminho. Abriu a porta do roupeiro para revelar o espelho de corpo inteiro. Aproximou o rosto e, acariciando o queixo, acenou afirmativamente para o seu reflexo. O creme depilatório que usava para a barba era eficaz, mas por vezes causava-lhe irritação na pele, mas não naquele dia. Afastou-se do espelho de forma a conseguir ver mais de si e sorriu. “Está quase, pequenas”, disse. “Só mais…”. Olhou para um papel pousado na mesa de cabeceira. “quarenta e oito clientes. Se as coisas correrem de feição, é um mesito ou menos”. Olhou para o vestido roxo escuro que tinha escolhido na noite anterior e colocado nas costas da cadeira. “Não, não, não, não, hoje não”, disse ao vestido na cadeira. Dirigindo-se ao roupeiro, foi direito ao vestido rosa choque curtíssimo. “Tenho um bom pressentimento para hoje”, disse ao vestido rosa enquanto o retirava do armário juntamente com umas meias de rede. Vestiu-se, maquilhou-se e, ao terminar de pintar os lábios, penteou-se com os dedos e fez uma pose para o espelho. “Linda”, exclamou, e despediu-se do seu gémeo com um beijo nos lábios do reflexo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Tenho que comer bem, sinto que vai ser um dia atarefado. Hoje vou mimar-me. Vou almoçar ao Gomes e vou convidar a Manuelle”, disse às paredes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao chegar ao rés-do-chão, já ouvia o sinal de chamada no telemóvel que rapidamente foi substituído pela esperada voz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Quériiida!! – Disse alegremente José.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Gaija!! – Respondeu Manuel no mesmo tom – Que andas a fazer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Estou a sair agora e apetece-me qualquer coisa diferente. Não sei porquê, mas estou muito bem disposta. Vamos ao Gomes? Pago eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Mulher, nem imaginas o bem que me estás a fazer. Tinha saudades de te ver assim. Estou lá daqui a meia hora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Ok, até já.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Eu lhe amo, sua boba – Disse Manuel com sotaque brasileiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Chérie!! – Respondeu José.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ambos produziram simultaneamente o som de um beijo repenicado e desligaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como chegava ao restaurante em menos de quinze minutos, José decidiu tomar primeiro um café na cervejaria da esquina. Já estava habituado a que toda a gente olhasse para ele quando entrava em algum sítio, mas naquele dia sentia-se tão deslumbrante que conseguiu mesmo achar que era pela sua sensualidade que os homens olhavam para si e não por o acharem uma aberração. Era algo que tentava combater, mas era tremendamente difícil achar que o olhar de outro homem poderia ser de interesse emocional e não por uma qualquer curiosidade científica ou mórbida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Chegado ao balcão, pediu o seu café a três quartos, pegou no jornal e foi sentar-se numa mesa ao fundo a lê-lo, ignorando os demais clientes. Ocasionalmente fazia o movimento “instinto fatal” e sorria, espreitando as reacções embasbacadas dos presentes. Bebeu o café, fumou um dos seus cigarros de puta, como lhes chamava, e saiu deixando a moeda na mesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao chegar ao restaurante, Manuel estava à porta a fumar o seu SG filtro. Não gostava daquelas coisas que o outro fumava. “Só um cigarro de homem macho é que me satisfaz”, costumava dizer. Entraram, comeram, beberam e divertiram-se prevendo maravilhosas viagens que nunca fariam e inflamadas histórias de amor com príncipes encantados que nunca viriam a conhecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bebido o café e o brandy, o Sr. Gomes ofereceu-lhes cigarrilhas. Era burro como um tijolo e bruto que nem um cepo de madeira, mas, vá-se lá perceber as pessoas, tinha uma mente mais aberta à diferença do que muitos jovens urbanos e nunca discriminava ninguém fosse por cor, credo ou originalidade de apresentação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Vais deixar-me retribuir-te este excelente almoço. Que tal tirarmos o serão e jantarmos em minha casa? Ando doida para experimentar uma receita nova.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Boa ideia. Apareço lá pelas oito, nove. Pode ser?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Perfeito!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Saíram do restaurante, deram dois beijos na atmosfera e cada um seguiu na direcção do seu local de trabalho de eleição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As expectativas de José confirmaram-se e a tarde foi de facto muito azafamada. Melhor, só teve que exercer o papel activo em apenas um dos clientes, e ainda por cima era aquele rapaz musculado que o fazia estremecer quando o via. Não é que não gostasse de se vir, mas ser o activo impunha-lhe um nível de pressão que não existia na outra situação, em que não tinha que pôr nada em pé e podia muito bem estar a pensar numa praia tropical ou a ouvir música na sua cabeça. Era sempre um stress quando lhe aparecia um daqueles velhos asquerosos a querer ser enrabado, coisa que acontecia muito mais do que esperava quando se tinha iniciado naquela vida. Era uma merda quando o seu rendimento dependia de conseguir excitar-se e em vez de pensar em praias paradisíacas ter que se obrigar a recorrer às memórias que ia guardando dos homens que realmente o agradavam. Um destes era exactamente o jovem musculado que, ditou a sorte naquele dia, foi o único que o obrigou a ter uma erecção. Apesar do agrado, causava-lhe alguma confusão que o rapaz recorresse a ele, já que alegadamente teria um namorado fixo. Achava que, no fundo, o rapaz, já que o escolhia a ele e não um gay macho, daqueles de farto bigode, correntes, óculos escuros e boné de couro preto; nem devia ser&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;homossexual. Que o mais provável era gostar apenas de levar na anilha e isso causava-lhe um certo sentimento de comiseração que, além do corpo que o fazia babar, o tornava mais empático com o jovem. De resto, os vários velhos asquerosos quiseram apenas servir-se dele. Foi, portanto, um dia bom.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;José premiu o desgastado botão da campainha do quinto esquerdo. “Sim?”, perguntou uma voz rouca no intercomunicador. “Sou eu, querida”, respondeu José. A porta abriu-se e ele subiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao chegar, deu dois toques na porta com os nós dos dedos e esta abriu-se para revelar um Manuel desgrenhado, com um aspecto terrível, embrulhado num roupão sujo de sangue. “O que é que te aconteceu?”, perguntou José, atónito. Manuel levantou os seus olhos esborratados por alguns segundos, apenas para se desmoronar de joelhos no chão e rosto enterrado nas mãos a chorar inconsolavelmente. José afagou-lhe ternamente a cabeça. “De onde é que veio este sangue?”, perguntou, tentando manter a calma. Manuel afastou o roupão para revelar uma grande laceração na nádega direita. José recuou com o choque. “Vou chamar um táxi e vamos já para o hospital!”, exclamou enquanto pressionava nervosamente as teclas do telefone. Manuel retomou o choro compulsivo enquanto levantava o indicador na direcção do quarto. “Depois!”, vociferou José, “Agora temos que ir tratar disso”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O táxi chegou e lá foram para as urgências. José, louríssima e espampanante, com o seu vestido rosa choque, as suas meias de rede e os seus saltos agulha. Manuel, morena e despenteada, de roupão, chinelos e ar de quem passou os últimos anos numa prisão turca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Talvez pela gravidade do ferimento, talvez pela comoção que provocaram ao irromper espalhafatosamente pelo hospital naquele estado, Manuel foi imediatamente assistido. José, indiferente às indicações dos profissionais, não saiu do seu lado e segurou-lhe carinhosamente a mão enquanto lhe cosiam o golpe. “Não sei em que andanças se meteu, mas agora não se vai poder sentar como deve ser durante umas duas semanas. Espero que tenha valido a pena”, disse o médico. Manuel retomou o choro e José olhou para o médico de tal forma que este temeu pela sua segurança. Desculpou-se a despachar e desapareceu num ápice. “Grande filho da puta!”, ainda ouviu a ecoar pelo corredor enquanto se afastava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Agora vamos para casa para descansares e amanhã vamos à polícia – disse José.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Não sei se é grande ideia ir à polícia – Disse Manuel sem levantar a cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– O pulha que te fez isso vai ter que pagar! – Respondeu José irritado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– O pulha já pagou. Era o que te estava a tentar dizer lá em casa. O filho da puta está esticado no meu quarto com um balázio na testa e outro no peito. Nem sei como é que não lhe enfiei também um nos colhões…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Meu deus! – Exclamou José, atónito – Mas afinal o que é que aconteceu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Não sei o que se passou na cabeça daquele anormal, que decidiu espetar-me uma faca a meio do serviço. No segundo a seguir já eu tinha aberto a gaveta da mesa de cabeceira e estava de arma em punho. Ainda me pareceu que ele ia tentar implorar, mas num instante já estava com os dois balázios em cima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Porra… - Disse José mais para si próprio que para o outro – O teu treino dos fuzos ainda está bem apurado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Há coisas que nos ficam tão marcadas que nunca mais passam – Respondeu Manuel com um misto de orgulho e vergonha – E agora, o que é que eu vou fazer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Acho que devíamos ir na mesma à polícia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Desculpa, mas não posso fazer isso. Sabes como é que ia ser. Ia ser o bobo da corte e não me safava da prisão. Eu não sobrevivia&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;uma semana preso atrás de grades sem poder sair para ir comprar uma roupita ou um creme novo nem poder ir passear pela baixa a ver as montras. Não, isso não!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ainda ouviram o taxista gritar “Paneleiros!” quando arrancou depois de os deixar à porta da casa de Manuel. Subiram e, lentamente como se temessem que o cadáver se tivesse levantado e estivesse num qualquer canto à espera do momento certo para os atacar, acabaram por chegar ao quarto onde, deitado numa imensa poça de sangue, jazia nu um homem de cerca de quarenta anos. O seu crânio estava parcialmente desfeito e um buraco no peito maior que um punho deixava vislumbrar um pouco do enorme estrago nos órgãos torácicos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Nove milímetros derrubantes fazem um bocado de estrago… – Desabafou José meio absorto, absorvendo o grotesco cenário em que o seu quarto se tinha tornado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Minha querida amiga – Disse José sem tirar os olhos arregalados do cadáver – Eu apoio qualquer decisão que tomes. Mas o que é que vamos fazer a isto?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Temos que o fazer desaparecer, mas primeiro temos que recolher as balas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;José desviou o olhar do corpo morto e pregou-o no seu amigo, intensificando ainda mais a expressão atónita que tinha adquirido desde que entrara no quarto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Estás muito frio, para quem parecia uma Madalena há menos de uma hora!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Já me passou o estado de choque. Agora quero é ver-me livre de toda esta situação. E não há nada que me diga que este pedaço de merda não merecia morrer – Fez uma pausa para cuspir no cadáver – Por isso não me vou sentir mal com isto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Ainda bem, porque apesar de parecer estar a levar isto tudo muito na boa, sou capaz de me ir abaixo a qualquer momento. E por favor, não me peças para lhe enfiar a mão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Eu faço isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Enquanto introduzia a mão no buraco deixado pelo impacto da bala no crânio do infeliz, Manuel ainda tentou aliviar a tensão dizendo que era um desperdício pois o homem até era bem parecido. José limitou-se a manter o olhar na parede, cantarolando numa vã tentativa de evitar que os seus sentidos conseguissem processar o som horripilante do esmigalhar de massa cerebral. A do peito foi mais difícil. Deve ter feito ricochete na coluna vertebral e partiu-se em vários pedaços, alguns dos quais obrigaram José a enviar quase todo o braço pelo buraco no peito do cadáver para os encontrar dispersos pela cavidade abdominal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O seu sangue-frio pareceu ter sido mesmo à conta, já que assim que retirou o que pensou ser o último pedaço de metal e se pôs de pé, iniciou uma extravagante dança que consistia em dar pequenos pulos alternando os pés enquanto agitava os braços a dupla cadência, tudo acompanhado por estranhas vocalizações. A dança terminou na banheira, onde se esfregou prolificamente com o esfoliante mais áspero que tinha entre os seus incontáveis produtos para o banho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;José sentou-se no tampo da sanita a olhar pensativamente para o rasto ensanguentado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Nem acredito que estou a dizer isto, mas vi num filme que os porcos conseguem digerir tudo de um corpo humano menos os dentes, só temos que o cortar em bocados muito pequenos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Se tivéssemos possibilidade de o cortar em pedaços pequenos, até ia pela sanita! – Respondeu Manuel algo irritado – Como é que propões que o cortemos em pedaços pequenos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Pois… Não é fácil… E se o atirássemos ao rio com uns pesos agarrados?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Parece que também já recuperaste a compostura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Está assente que temos que fazer o corpo desaparecer, não é? Então temos que pensar na melhor maneira de o fazer. E para isso temos que pôr a comoção de lado e raciocinar. É o que estou a fazer. Acho que em vez de estares com essa atitude devias estar a ajudar-me, já que foste tu quem nos meteu nisto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Manuel afastou violentamente a cortina do duche e lançou um olhar fulminante a José.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Desculpa lá a crueza, mas é a verdade. E acho que mais vale acalmares-te que eu só te estou a tentar ajudar. Se preferires fazer tudo sozinho é só dizeres – Terminou José secamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Tens razão. Desculpa. Começamos por separar a cabeça e a ponta dos dedos do resto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– O quê??&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Não vês séries de homicídios? Sem as pontas dos dedos e a cabeça é praticamente impossível identificar um cadáver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– E o ADN?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Isto é Portugal, não é o CSI.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Certo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– As pontas dos dedos vão para o liquidificador. O crânio, vou ter que o desfazer com o martelo da carne.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Estás a assustar-me Manuel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tê-lo tratado pelo nome que os pais lhe tinham posto foi prova suficiente que falava muito a sério. Manuel já nem se lembrava da última vez que o tinha feito, mas instintivamente levantou os olhos para confirmar pela sua expressão o que já tinha inferido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Tem que ser, amiga, é a minha sobrevivência. Não te censuro se, a qualquer momento, quiseres afastar-te.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– E quem é que vai tomar conta de ti se eu me afastar? E quem é que vai tomar conta de mim? És a minha família. Estou aqui para o que der e vier.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Manuel saiu do banho, enrolou-se na toalha e acariciou o cabelo de José.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Obrigado, querida. Que tal tomares um banho para descontrair enquanto eu trato desta parte?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Manuel observou o cadáver por alguns momentos. “O que tem que ser tem que ser”, disse ao morto e foi em busca de ferramentas. Retirou um cutelo e uma tábua de corte da cozinha e foi à caixa de ferramentas encontrar uma serra. De uma forma quase maquinal, como se fosse totalmente desprovido de emoções, Manuel colocou a tábua debaixo da mão do morto e, com golpes seguros, separou as falangetas do corpo. Repetiu o processo para a outra mão. Sem perder a compostura, virou o cadáver de barriga para baixo e investiu, serra em punho, no pescoço do defunto. Foi mais difícil do que esperava, mas lá encontrou o espaço entre a terceira e a quarta vértebras cervicais e conseguiu por fim separar a cabeça. Colocou as pontas dos dedos no liquidificador com um pouco de água e rapidamente tudo se transformou numa papa avermelhada que despejou no lava-louça. “Agora a parte mais difícil” disse à cabeça da sua vítima, que envolveu em inúmeros sacos de plástico numa tentativa de sujar o menos possível. Num canto, colocou o mórbido embrulho no chão. Levantou o martelo, reuniu toda a sua força e desferiu o primeiro golpe no crânio que desabou sobre si próprio. “Mal tu sabias, mãezinha, que o martelo que me trouxeste e que eu achei que seria inútil, ia servir para isto…”, disse olhando para cima. A mãe de Manuel ainda não estava morta, mas mesmo assim ele tinha sempre a sensação de que ela o observava de cima. Desferiu mais alguns golpes mas rapidamente percebeu que não conseguiria destruir o crânio de forma a que conseguisse deitá-lo sanita abaixo. Envolveu a pasta de onde protuberavam pedaços de osso em mais alguns sacos de plástico e decidiu que a deitaria num contentor de lixo. Esperaria até que visse o camião a vir, deitaria o despojo no contentor e ia ficar à espreita a ver se alguém reparava em algo estranho. Achou que era o mais seguro e decidiu fazer o mesmo com o resto do corpo. Cortá-lo-ia em pedaços manejáveis e distribuía-os por vários contentores do lixo em sítios distintos. Se fosse cuidadoso nunca o apanhariam. Mas, mesmo serrando pelas articulações, despedaçar um corpo humano não é tão fácil como pode parecer e quando José apareceu, passada mais de uma hora, Manuel ainda só tinha conseguido separar um pé e investia vigorosamente com a serra no outro tornozelo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Se hoje de manhã me tivessem dito que neste dia ia assistir ao desmembramento de um cadáver, eu não acreditava. E até acordei tão bem disposta hoje – Disse José num lamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Pois, eu também não estava a contar que me esfaqueassem a peida – Disse Manuel enquanto, já com um brilho lunático nos olhos, pegava novamente no cutelo e atacava o tornozelo até que o segundo pé se separou do resto do corpo – Não aguento mais. Hoje levamos a cabeça e os pés e depois logo se trata do resto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Qual é o plano?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Acho que o mais seguro é embrulhar bem e deitar no lixo. Assim que for para o compactador do camião, mais ninguém o vê.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Parece-me arriscado. E se alguém repara naquilo? E se alguém for mexer naquilo na lixeira?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Tens outra sugestão?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Estava no banho a lembrar-me das aulas de biologia no liceu. Sabias que o vinagre dissolve o cálcio dos ossos? Se triturarmos as partes moles, podemos deitar tudo na sanita e depois pomos os ossos de molho em vinagre até ficarem suficientemente moles para os desfazermos também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Manuel olhava incrédulo para José, como se só agora tivesse percebido o nível de gravidade da situação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Eu não acredito no que acabei de ouvir. Não acredito que isto me esteja a acontecer. Não acredito que acabei de cortar os pés a uma pessoa morta! Não vou aguentar isto. Não aguento! – Gritou agitando as mãos junto aos ombros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Começámos isto, agora não temos opção senão ir até ao fim. Controla-te, mulher. Tens que te aguentar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Tenho que me aguentar?? Por acaso pensaste no que acabaste de propor? Quem é que vai separar a carne dos ossos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Fazemos como se fosse um animal. Esfolamos a pele e vamos cortando até chegar ao osso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Agora és tu que me estás a assustar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Se conseguíssemos arranjar ácido sulfúrico suficiente… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Nem estou a acreditar que estás a falar a sério!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Já sei! Enchemos a banheira com aquele produto para desentupir os canos e deitamos o corpo lá para dentro. Aquilo é altamente corrosivo para a matéria orgânica. Deixamo-lo lá uns dias e depois deitamos água e abrimos o ralo para a nhanha sair. Repetimos até ficarem só os ossos e depois usamos o vinagre – José não conseguiu evitar mostrar uma ponta de excitação, apesar de tudo o seu sonho sempre tinha sido ser engenheira bioquímica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Estás a divertir-te com isto??&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Estou só a ser racional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Se não envolve serrar mais ossos nem cortar fatias de carne humana, eu alinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;– Ficas em minha casa durante o processo. É capaz de deitar cheiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-577265759442279472?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/577265759442279472/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=577265759442279472&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/577265759442279472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/577265759442279472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/05/sao-paulo-666.html' title='São Paulo 666'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-1535135796433161646</id><published>2011-03-24T17:56:00.000Z</published><updated>2011-03-24T17:56:24.294Z</updated><title type='text'>Escárnio</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Perguntou-me se o rímel lhe ficava bem. Eu respondi que tanto que faria inveja ao Alice Cooper nos seus primórdios. Ficou radiante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Deve ser tão mais simples viver quando não se conhece o conceito de sarcasmo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-1535135796433161646?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/1535135796433161646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=1535135796433161646&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1535135796433161646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1535135796433161646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/03/escarnio.html' title='Escárnio'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-1055077322282263555</id><published>2011-03-22T10:24:00.000Z</published><updated>2011-03-22T10:24:24.009Z</updated><title type='text'>Fanal</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;O zumbido da lâmpada era quase inaudível, mas estava lá. Sempre. Bastava que parasse por uma fracção de segundo para que se apercebesse. Já não conseguia dormir, viver sequer, sem a companhia daquele familiar zumbido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Além dele, estava lá o mar para confortar a sua solidão. O mar… Velho e fiel amigo. Lar dos fantasmas de inúmeros lobos do mar que por vezes também o visitavam. Não estava só, ou, pelo menos, não se sentia só. Nunca tinha tido jeito para as pessoas. Nunca tinha conseguido conversar com alguém como o fazia com as ondas que, incansáveis, teimavam em entregar-se às rochas lá em baixo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aquele era o seu mundo, onde se sentia seguro. Um mundo que, apesar de diminuto, o satisfazia plenamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se acaso duvidasse, bastava esperar pelo pôr-do-sol, altura em que acendia o seu cachimbo e se recostava a ver as gaivotas no céu, embaladas pelo vento, sobre aquele fundo repleto de cor. Verdadeira obra de arte da natureza. Um dia deixará ali o seu velho corpo e voará com elas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-1055077322282263555?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/1055077322282263555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=1055077322282263555&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1055077322282263555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1055077322282263555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/03/fanal.html' title='Fanal'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2265775833198664608</id><published>2011-03-04T19:00:00.000Z</published><updated>2011-03-04T19:00:31.247Z</updated><title type='text'>Dia 7 - Epílogo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É provavelmente estúpido estar a terminar este relato, já que terá que ser destruído, mas pelo menos não fico com a sensação que deixei algo inacabado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A rapariga continuava encolhida ao canto, mas estava silenciosa. Os seus olhos esbugalhados fixos em mim como se tivesse percebido que o seu destino estava irremediavelmente traçado. Levantei-me devagar, com a caneta na mão e aproximei-me dela. Pedi-lhe que se levantasse e se encostasse à parede. Ela fê-lo. Sem pensar, como se o meu braço tivesse decidido sozinho, espetei a caneta por detrás da sua traqueia e puxei com toda a minha força. Nunca poderia adivinhar a emoção que me provocou ver os seus olhos perderem o brilho enquanto o seu sangue escorria pelo meu braço, pingando pelo cotovelo. Um orgasmo não chega aos calcanhares do êxtase daquele momento. É indescritível a sensação que tive enquanto a minha mão rasgava freneticamente o seu interior e os seus olhos ficavam eternamente fixos nos meus. Era como se algo dela se estivesse a entranhar em mim. Foi a melhor sensação da minha vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não sei quanto tempo passei em deleite, ensopado em sangue, sentado junto ao cadáver. Já não estava preocupado com absolutamente nada. Senti-me realizado e o facto de a minha existência poder estar em risco de terminar já não me preocupava absolutamente nada. Nunca me tinha sentido tão tranquilo. Quando a porta se abriu limitei-me a levantar calmamente o olhar. A sua expressão era um misto de satisfação e orgulho. Sorriu para mim. Eu sorri para ela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E foi assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2265775833198664608?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2265775833198664608/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2265775833198664608&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2265775833198664608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2265775833198664608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/03/dia-7-epilogo.html' title='Dia 7 - Epílogo'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7438686545391824299</id><published>2011-03-04T14:02:00.002Z</published><updated>2011-03-04T14:02:59.251Z</updated><title type='text'>Dia 7</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ontem revi as minhas parcas opções e preparei-me psicologicamente para o acontecimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nunca o fiz assim, com as minhas próprias mãos. Gosto de coisas elaboradas, e não sou grande adepto de me sujar. Se a quero impressionar, não vai ser com um vulgar pescoço partido que o vou conseguir. Tem que haver sangue, claro. Seria uma boa prova para mim próprio da minha capacidade de enfrentar e ultrapassar estas barreiras mentais, mas não me agrada mesmo nada a ideia. Preferia deixar isso para quando for mais velho, para quando a coisa começar a deixar de ser gratificante, se lá chegar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Inevitavelmente, vai ser sujo e rude, mas pronto, é uma ocasião especial. Independentemente do que vai acontecer depois, é nítido o que tenho que fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vamos a isto!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7438686545391824299?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7438686545391824299/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7438686545391824299&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7438686545391824299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7438686545391824299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/03/dia-7.html' title='Dia 7'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-234587625455710385</id><published>2011-03-03T16:58:00.002Z</published><updated>2011-03-03T16:58:49.755Z</updated><title type='text'>Dia 6</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ainda respiro. Para a maioria das pessoas é algo normalíssimo e sobre o qual nem se pensa, mas, na minha situação, respirar significa muito mais. Significa que ela está indecisa. Sei perfeitamente que, caso ela não estivesse a ponderar confiar em mim, eu já não estaria vivo, portanto, é uma excelente notícia! Claro que não me dá qualquer garantia de que vou sair daqui pelo meu pé, mas pelo menos diz-me que existe uma probabilidade disso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fui acordado pela tranca da porta. Uma jovem rapariga foi introduzida no local onde estou cativo. Ainda meio trôpego, olhei para a porta apenas para ver fugazmente um relance do seu rosto a espreitar. Um segundo depois a porta estava novamente trancada. Deixei-me estar deitado de costas, fixando um ponto no tecto, a ponderar a situação. Não estava em questão a razão da presença da infeliz, essa era certa, mas percebi que como o faria poderia definir o meu destino. Esta era a minha oportunidade de lhe mostrar que era digno do seu respeito. Tentei avaliar as minhas opções, mas acabei por não conseguir ignorar por mais tempo a histeria da rapariga. Olhei para ela contendo o impulso de lhe partir o pescoço e ela aparentou perceber que a sua salvação não passava por gritar descontroladamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Estranhei ter-se acalmado tão depressa, mas a verdade é que me perdi novamente nos meus pensamentos e não sei ao certo quanto tempo terá passado. Perguntou-me porque estava ali, o que estava a acontecer. Disse-lhe calmamente que ia morrer e, em vez da gritaria para a qual me estava já a preparar, ela limitou-se a encolher-se num canto a soluçar, quase inaudível. O soluçar era muito mais fácil de ignorar e fiquei satisfeito por verificar que conseguia pensar e escrever muito melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Considerando as minhas possibilidades, tentei inferir a que me proporcionaria um maior respeito da parte dela, mas questionei-me imediatamente se seria a abordagem certa. Deveria ser aquilo que achava que ela desejava que eu fosse? Não. Por muito graves que fossem as consequências a única coisa certa a fazer seria ser genuíno. Não queria o respeito dela por algo que eu não faria sem essa pressão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com isto coloca-se um problema. Sou uma pessoa meticulosa, alguns diriam até compulsiva. Sigo os meus protocolos quase religiosamente e não estou nada habituado a, qual McGyver, trabalhar com o que tenho à mão. E o que tenho à mão é mesmo muito pouco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Decidi que não vou fazer nada hoje. Muitas vezes é quando a nossa cabeça repousa na almofada, almofada esta que, neste caso, é completamente metafórica, que as coisas parecem mais claras.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-234587625455710385?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/234587625455710385/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=234587625455710385&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/234587625455710385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/234587625455710385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/03/dia-6.html' title='Dia 6'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7373613108920822320</id><published>2011-03-02T17:37:00.000Z</published><updated>2011-03-02T17:37:20.145Z</updated><title type='text'>Dia 5 - Hoje</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E eis que o meu relato chega ao dia presente. Interessa referir que, neste momento, tenho um doloroso hematoma na cabeça e estou trancado numa cave em sítio incerto. Só estou a ter a possibilidade de escrever isto porque ela, não sei se por condescendência ou por algum prazer cruel, me deixou papel e uma caneta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sinto-me um atrasado mental por achar que o cuidado dela era devido a inexperiência. Eu é que sou o inexperiente! Ela teve sempre a situação perfeitamente controlada e eu é que me tornei descuidado. Eu é que tenho que aprender com ela e não o contrário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas… Alguma coisa ela há-de ter visto em mim, já que, ao contrário do que tenho a certeza ter acontecido com os anteriores hóspedes desta divisão (são visíveis os vestígios nas paredes, com vários graus de envelhecimento. É curioso como o sangue vai esverdeando), me foi concedida não só a possibilidade de deixar este testemunho, como o privilégio de ainda ter batimento cardíaco. Dadas as circunstâncias, tenho que me satisfazer com a situação. E tenho ainda a esperança de conseguir alterar o meu fado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já escrevi e destruí várias cartas para ela. Concluí que não vai ser com palavras que vou conseguir o que quero. Vou tentar descontrair e esperar que algo aconteça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7373613108920822320?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7373613108920822320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7373613108920822320&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7373613108920822320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7373613108920822320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/03/dia-5-hoje.html' title='Dia 5 - Hoje'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8714420499503621726</id><published>2011-03-01T15:34:00.000Z</published><updated>2011-03-01T15:34:29.357Z</updated><title type='text'>Dia 4 - Ontem</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dizem os livros que as pessoas como eu são extremamente calculistas e pacientes. Eu não o sou. Não tinha ainda tido muito contacto com esta faceta minha, mas apercebi-me que paciente era algo que eu definitivamente não era. Foi aqui que as coisas começaram mesmo a correr mal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esperei que ela saísse e, provavelmente disfarçando muito mal, fingi que foi por acaso que acabámos a caminhar juntos. Não aguentei mais e disse-lhe que sabia. Perguntou-me o que é que eu sabia e foi notória a sua preparação para esta situação. O desconhecimento que demonstrou sobre o assunto pareceu tão genuíno que, se não estivesse tão certo das minhas convicções, teria desistido. Isso teria sido sensato, mas não foi o que fiz. Estupidamente, como quem mergulha de cabeça num local desconhecido, sem saber o que se esconde debaixo da superfície da água, disse-lhe. Disse-lhe que sabia o que significava o brilho que ela tinha nos olhos. Disse-lhe que sabia o que ela era e que não precisava de fingir comigo. Erro crasso. Erro que só percebi quando acordei hoje, depois de, sem sequer pensar, ter ontem aceite o convite para passar o serão na sua casa. Esta é a última coisa que consigo recordar deste dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8714420499503621726?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8714420499503621726/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8714420499503621726&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8714420499503621726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8714420499503621726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/03/dia-4-ontem.html' title='Dia 4 - Ontem'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-4710627556514983815</id><published>2011-02-28T18:46:00.000Z</published><updated>2011-02-28T18:46:52.169Z</updated><title type='text'>Dia 3</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Convidei-a distraidamente para um café. Ela, aparentemente desinteressada, acedeu. Depois de alguns minutos a debater a clima ameno que aquele dia nos apresentava, olhei bem dentro dos seus olhos. Não resisti e perguntei-lhe se já tinha percebido e foi visível o nervosismo que se apoderou dela. Desviou o olhar, o assunto e, com uma péssima desculpa, rapidamente me deixou sozinho na mesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Senti-me imbecil por não ter antecipado que ela seria menos experiente que eu. Provavelmente muito menos do que eu supus. Ainda algo insegura e exacerbadamente cuidadosa. Quem sou eu para contestar tal cuidado? É uma postura que eu devia ter sempre mantido e que já perdi, apenas por desleixe e excesso de confiança. Mas o que importa é que não a interpretei correctamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Provavelmente pela emoção, coisa ainda estranha para mim, de finalmente ter encontrado alguém com quem me consegui identificar, tornei-me vulnerável. Saí do caminho e dei o flanco. Foi obviamente uma má ideia, mas a verdade é que não consigo matar a réstia de esperança que reside em mim de que, antes de ser demasiado tarde, ela ainda vai perceber que pode confiar em mim. Que, apesar do risco, juntos podemos fazer muito, muito mais do que fazemos isoladamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-4710627556514983815?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/4710627556514983815/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=4710627556514983815&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4710627556514983815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4710627556514983815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/dia-3.html' title='Dia 3'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-5552811434160534423</id><published>2011-02-25T11:07:00.000Z</published><updated>2011-02-25T11:07:43.073Z</updated><title type='text'>Dia 2</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;Casualmente, meti conversa. Ela, embora se percebesse a postura defensiva, alinhou. Falámos das trivialidades normais mas eu, sempre que tinha a oportunidade, metia uma indirecta. Nas primeiras houve um quase imperceptível espanto. Era óbvio que, assim como eu, ela nunca se tinha cruzado com ninguém como nós, no entanto, acho que qualquer pessoa que não estivesse a mesmo a tentar analisá-la não perceberia a sua reacção. Arrisco até a dizer que ninguém que não partilhasse o que eu estava cada vez mais certo que partilhávamos perceberia as suas reacções às minhas tiradas chave. Aquelas frases teste que meti no meio da conversa, que me deixaram ainda mais certo que não se tratava apenas da minha imaginação, deram-me confiança. Provavelmente demasiada confiança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com um esforço quase sobre-humano, consegui conter-me e não deixar que a conversa saísse do que poderia alegar ser de circunstância. Não por ter dúvidas em relação a ela, não por achar que ela não tinha percebido o que tínhamos em comum, mas apenas porque sabia que tinha que ter muita calma para não a deixar apreensiva. Não queria deitar tudo a perder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-5552811434160534423?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/5552811434160534423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=5552811434160534423&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5552811434160534423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5552811434160534423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/dia-2.html' title='Dia 2'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-5039565350458131288</id><published>2011-02-24T11:45:00.000Z</published><updated>2011-02-24T11:45:37.893Z</updated><title type='text'>Dia 1</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Soube logo na primeira vez que a vi. Aquele brilho nos olhos não me deixou qualquer dúvida. Estou também bastante certo que, pouco depois, quando os nossos olhares se cruzaram, ela soube também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por muito que aquela vozinha no fundo da minha mente me dissesse que o melhor era ignorar, não consegui. Sentia algo que nunca tinha sentido antes. Seria aquilo a que chamavam excitação? Ansiedade? Não sei ao certo como lhe chamar, mas sentia algo. Algo novo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nunca tinha encontrado ninguém assim e, em relação a ela, não conseguia ter dúvidas. Não sei ao certo porquê, mas tinha a certeza que ela era como eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Prometi a mim mesmo que não me precipitaria e que iria tentar minimizar os riscos com planeamento e ponderação. Falhei. Mais à frente haverá pormenores, mas no fundo o que interessa é que falhei redondamente e posso vir a pagar caros os meus erros. Reparo agora que a opção mais segura teria sido a mais simples, não ter feito absolutamente nada. No entanto isto nunca foi propriamente uma opção para mim. Admoesto-me interiormente por me ter deixado levar por uma emoção, mas, ao mesmo tempo desculpo-me porque nunca poderia estar preparado para algo que nunca tinha sentido antes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Espero que a lição não tenha sido em vão e que ainda consiga usufruir dos ensinamentos que obtive desde este dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-5039565350458131288?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/5039565350458131288/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=5039565350458131288&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5039565350458131288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5039565350458131288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/dia-1.html' title='Dia 1'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3889696714307413954</id><published>2011-02-22T11:27:00.000Z</published><updated>2011-02-22T11:27:36.975Z</updated><title type='text'>Estrada</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tranquilamente, interiorizando a atmosfera pura da montanha, o Alfredo dirigiu-se para o seu carro e pôs-se à estrada. Era das coisas de que mais gostava, pôr-se à estrada, provavelmente a que lhe proporcionava uma maior paz interior, uma maior satisfação. Sim, podemos mesmo dizer que não havia nada de que o Alfredo gostasse mais que iniciar uma viagem. Excepção feita, claro, às viagens que o levavam de volta a casa (não estão, naturalmente, sequer a ser consideradas viagens para o emprego). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Embora curto, o caminho era suficientemente tortuoso para proporcionar a esperada sensação de bem-estar. Pachorrento e com um sorriso nos lábios, acendeu um cigarro e, abrindo caminho por entre a escuridão através da serpenteante estrada, deixou-se lentamente absorver pela serra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pois que a partir deste dia, nunca mais ninguém viu o Alfredo. O carro foi encontrado à beira da estrada, com a porta aberta, perto de um caminho que se dissipava floresta adentro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não demorou muito até a canalha começar a contar que o diabo lhe apareceu ao caminho e o transformou num grande lobo. Espalhou-se tanto a história do Alfredo que há já mesmo quem jure que, em noites de lua cheia, ouve o seu lamento solitário à procura do seu lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3889696714307413954?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3889696714307413954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3889696714307413954&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3889696714307413954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3889696714307413954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/estrada.html' title='Estrada'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3905308177725626410</id><published>2011-02-18T15:20:00.000Z</published><updated>2011-02-18T15:20:40.690Z</updated><title type='text'>Optimismo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Gosto muito das reuniões de antigos colegas de escola. É sempre uma ocasião riquíssima em material de ponderação. Permite-me várias revelações sobre grandes questões da nossa existência, mas, no entanto, deixa-me sempre mais algumas para ponderar até ao encontro seguinte onde, muitas vezes acabo por conseguir que sobre elas incida luz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Este ano foi muito interessante. O Careca é dos que ainda tem mais cabelo e o Gordo está irreconhecível de magro, isto deixou-me a pensar…&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Concluí também que Deus não existe. É a única explicação para o Galinha, o maior filho da puta da turma, arrogante, egocêntrico e sem um pingo de compaixão por ninguém, nem sequer pela sua avozinha que é um doce de senhora, ser o que está melhor na vida. Mas tenho que ser optimista, pode ser que ande a esconder um tumor no cérebro ou qualquer coisa assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3905308177725626410?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3905308177725626410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3905308177725626410&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3905308177725626410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3905308177725626410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/optimismo.html' title='Optimismo'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3725756007386140574</id><published>2011-02-09T18:35:00.001Z</published><updated>2011-02-09T18:35:42.017Z</updated><title type='text'>Viver</title><content type='html'>&lt;p&gt;O Gervásio tinha sempre muito medo de ser mal interpretado. Às vezes apetecia-lhe mandar uma daquelas bocas cáusticas, mas tinha medo que o levassem a sério.   &lt;br /&gt;Um dia, o Gervásio ponderou que a sua preocupação em não ser mal interpretado o estaria a impedir de ser genuíno, de ser ele próprio.    &lt;br /&gt;Pensou que não poderia viver sempre em função dos outros e que se condicionasse sempre as suas acções pelo impacto que teriam nos demais, não seria ele, mas sim uma imagem daquilo que achava que os outros queriam que ele fosse.    &lt;br /&gt;Então, o Gervásio decidiu mudar. Começou a mandar todos os amigos para o caralho sempre que lhe apetecia, mesmo aqueles que sabia mais sensíveis e viveu feliz para sempre. Quero dizer... mais ou menos feliz... Houve uns amigos que levaram algumas coisas a mal, talvez tivesse a ver com a sua insegurança, talvez não, mas houve com efeito alguns amigos que decidiram interpretar de má fé a genuinidade do Gervásio e a coisa não correu muito bem, mas, tirando isso, viveu feliz para sempre, minimamente feliz, pelo menos, porque depois há o problema das mulheres. Podemos achar que elas estão horríveis e, engolindo em seco, dizer que estão lindas. Mas achar que estão lindas e, apenas pelo impulso idiota da palhaçada, dizer que estão horríveis, não, isso é erro crasso e energúmeno.     &lt;br /&gt;Por coisas deste tipo, o Gervásio nunca conseguiu ter sucesso com as mulheres, mas viveu, vá, mediocremente feliz para sempre, se não contarmos a sua inata capacidade de irritar animais de estimação... Nem as outras questões sociais, mas pronto, viveu... Não foi obviamente para sempre, até porque a saúde o traiu algo cedo, mas pronto, viveu... E isso é que interessa!!&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3725756007386140574?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3725756007386140574/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3725756007386140574&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3725756007386140574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3725756007386140574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/viver.html' title='Viver'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8483378981974396064</id><published>2011-02-07T19:33:00.001Z</published><updated>2011-02-07T19:33:02.023Z</updated><title type='text'>Comida</title><content type='html'>&lt;p&gt;– Ó Maria, este jantar hoje está muito fraco. O que é que se passa?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Não se passa nada. Uns dias está melhor, outros está pior. É só comida. Come, mas é.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Só comida? Só comida?! Tu não digas isso, por favor. A comida é só a tua matéria-prima. Tu és uma artista, cada prato é uma obra de arte digerível! Tu pegas em coisas vulgares, juntas-lhe técnica, inspiração, criatividade… Alma, juntas-lhe a tua alma e crias algo novo, algo que não existia antes. Crias uma representação comestível daquilo que tu és. Não voltes a dizer que é só comida! &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Obrigado, Manuel, sabe muito bem ouvir isso e saber que dás valor. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Claro que dou valor!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Queres mais banha nos teus couratos?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Sim, se fazes favor.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8483378981974396064?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8483378981974396064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8483378981974396064&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8483378981974396064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8483378981974396064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/comida.html' title='Comida'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3864409948143235448</id><published>2011-02-04T16:47:00.001Z</published><updated>2011-02-04T16:47:17.613Z</updated><title type='text'>REM</title><content type='html'>&lt;p&gt;Estou no corredor de um edifício familiar, a fumar um cigarro junto de um cinzeiro de chão. Noto que as pessoas que passam olham muito para mim, mas não ligo e continuo a fumar tranquilamente. Quando vou para apagar o cigarro, olho para baixo e reparo que estou nu da cintura parar baixo. Aí começa a ansiedade. Embora quem passa não pareça incomodar-se muito com a minha falta de preparos, começo a ficar extremamente desconfortável e envergonhado. Começo a vaguear pelos corredores à procura, sem sucesso e com o stress a aumentar cada vez mais, de um sítio para me esconder. Nisto, vejo-me ao longe. É uma cópia minha, mas ao contrário de mim, está nu da cintura para cima. Não estranho e instantaneamente penso que se me fundir com ele fico totalmente vestido. Corro direito ao meu clone que, assim que se apercebe de mim, como se soubesse em que é que eu estava a pensar, começa também a correr para mim. No momento do impacto fundimo-nos, mas a coisa não corre como eu esperava e, em vez de ficar todo vestido, fico é completamente nu. O stress transforma-se em pânico quando vejo um grupo de pessoas a aproximar-se. Corro para o outro lado e de repente estou num grande salão e gente aproxima-se de todos os lados. Sem rota de fuga, tenho que limitar-me a assistir, impotente, enquanto as pessoas se aproximam e formam uma roda à minha volta. Assim que a roda se fecha, as pessoas param e ficam ali a olhar para mim, rosto rígido, mas com um brilho no olhos divertido e maquiavélico. Sem saber o que fazer, grito a plenos pulmões para que me deixem passar. Pergunto o que querem de mim, mas ninguém responde. Neste momento olho para cima e apercebo-me que o tecto desapareceu. Consigo ver o céu de dentro do edifício e está a relampejar violentamente. Instantes depois, um olho titânico, com gigantescas pestanas aparece onde antes estava o tecto. Quando enormes lágrimas corrosivas começam a jorrar do olho gigante, abrindo buracos no chão, perigosamente perto de mim, já não estou muito preocupado por estar nu, quero é sair dali. A necessidade de fuga torna-se premente. Reúno todas as minhas forças e, correndo tão depressa quanto consigo, vou direito à roda de pessoas que me cerca. Quando estou prestes a abalroar quem está entre mim e a liberdade, ainda tenho um segundo de satisfação achando que vou conseguir e depois acordo, suado e com o coração aos pulos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tem sido assim todas as noites há já quase uma semana. O que é que acha que significa, doutor? Doutor?...&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3864409948143235448?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3864409948143235448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3864409948143235448&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3864409948143235448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3864409948143235448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/rem.html' title='REM'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2437238138827924668</id><published>2011-02-01T17:44:00.000Z</published><updated>2011-02-01T17:44:26.333Z</updated><title type='text'>A pedido de diversas famílias...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;1º prémio (escalão A+) no festival Amadora BD 2010.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Desenhos de &lt;a href="http://jasaqui.blogspot.com/"&gt;João Sequeira&lt;/a&gt; e texto de moi-même :)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;(cortesia da CMA) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhEQDw8OlI/AAAAAAAAAJk/FblMdXQ19hE/s1600/REPUBLICA1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhEQDw8OlI/AAAAAAAAAJk/FblMdXQ19hE/s320/REPUBLICA1.jpg" width="226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhETiwrb4I/AAAAAAAAAJo/C9bu7RnQNg4/s1600/REPUBLICA2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhETiwrb4I/AAAAAAAAAJo/C9bu7RnQNg4/s320/REPUBLICA2.jpg" width="226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhEXa_Xs3I/AAAAAAAAAJs/fiLA_BWRras/s1600/REPUBLICA3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhEXa_Xs3I/AAAAAAAAAJs/fiLA_BWRras/s320/REPUBLICA3.jpg" width="226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhEanChosI/AAAAAAAAAJw/UUcUi-KqA_w/s1600/REPUBLICA4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhEanChosI/AAAAAAAAAJw/UUcUi-KqA_w/s320/REPUBLICA4.jpg" width="226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2437238138827924668?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2437238138827924668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2437238138827924668&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2437238138827924668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2437238138827924668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/02/pedido-de-diversas-familias.html' title='A pedido de diversas famílias...'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/TUhEQDw8OlI/AAAAAAAAAJk/FblMdXQ19hE/s72-c/REPUBLICA1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2976048592477200965</id><published>2011-01-27T14:50:00.001Z</published><updated>2011-01-27T14:50:59.385Z</updated><title type='text'>Odisseia</title><content type='html'>&lt;p&gt;É muito, muito ténue, a linha que separa a paixão da obsessão. Tão imperceptível que pode fazer, por exemplo dois velhos marinheiros, eternamente apaixonados pelo mar, acabar as suas vidas de formas bem diferentes. Um, por exemplo, a contar aos netos antigas histórias de viagens e aventuras e outro a dar ordens a um contramestre que, se não é imaginário, é estranhamente parecido com um cabide de pé.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Apesar de parecer que, para este último, as coisas não terão corrido tão bem, isto não é um facto provado já que não há indício que seja infeliz com a sua condição. Há também que reconhecer que representa uma história muito mais interessante. Por isso, vamos esquecer a enfadonha história do velho marinheiro que trocou a sua paixão pelo mar pela paixão por uma mulher e que se entretém hoje a contar aos netinhos as suas aventuras, aumentadas num ponto… ou dois, e vou contar-vos a curiosa e rigorosamente verídica história do segundo marinheiro, que ainda hoje e com os pés em terra firme, sente a brisa marítima na face, enquanto navega ao sabor das ondas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O nome que os pais lhe tinham dado era Maximiliano Salgueiro, mas esse nome foi há muito esquecido. Depois de ter escolhido dedicar ao mar a sua vida, por altura do seu segundo ano sem pisar terra, alguém começou a chamar-lhe Rabil, que é o nome de uma espécie de atum conhecida por percorrer distâncias titânicas ao longo da sua vida. A alcunha caiu como uma luva e pegou quase instantaneamente. Parecia, de facto, que tinha sido inventada para ele, mas a verdade é que quem lha pôs, o Pichelim, só estava à espera que aparecesse alguém novo para lhe chamar Rabil, numa tentativa de arranjar um outro alvo para a jocosidade da tripulação em relação a alcunhas com uma sonoridade semelhante a partes do corpo. Não resultou. Diria mais, não só não resultou, como, não sei se por uma das conhecidas ironias do destino, passou a ser mais gozado que o Sarda. O Rabil ficou tão satisfeito por finalmente ter um nome que tinha alguma coisa a ver com ele que renunciou completamente o seu nome de baptismo de água benta e fez questão que toda a gente passasse a conhecê-lo apenas pelo seu nome de baptismo de água salgada, o momento do seu renascimento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A história da sua troca da vida terrestre pelo chamamento do mar será semelhante a qualquer outra: um rapaz quer sair do marasmo, implora ao comandante de um navio para ser contratado por alguma comida e inicia uma estranha e paradoxal aventura, que consegue conjugar a liberdade do vasto mar com a prisão e a semi-escravidão de um navio. Mas, só pode ter sido o destino que o fez calhar naquela embarcação em particular, a Tétis, referida por todos sempre no feminino não só por ter o nome de uma Nereida, mas também porque era unânime na tripulação que a embarcação tinha definitivamente uma alma feminina. Oficialmente era um navio mercante, mas o seu comandante não gostava de ter rotas demasiado rígidas, pelo que no fundo existiam a vaguear pelos mares, pagando o rum e as conservas com a pilhagem do ocasional navio que encontravam à deriva por a tripulação ter toda morrido de alguma epidemia ou de algum incauto barco que tivesse o infortúnio de passar por perto e não desse muito trabalho nem fizesse muito alarido atacar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Era o navio perfeito para o Rabil e ele sentiu-o. Não sei se já tinha esse plano ou se foi algo que aconteceu naturalmente, a verdade é que, desde que embarcou na Tétis mais ninguém o viu em terra. Ficava sempre na embarcação quando esta aportava. Dizia que lhe causava enjoos estar em terra firme, que não havia lá nada que lhe interessasse, que se despachassem porque estavam a perder os bons ventos ou as boas correntes ou o que fosse. O que ele queria era navegar. Esta particularidade começou a torná-lo conhecido e rapidamente captou a atenção do comandante, também ele um apaixonado/obcecado pelo mar, e começaram a conversar cada vez mais. O jovem Rabil, de olhos arregalados, sorvia as histórias do comandante como se fossem mel e este, satisfeito por ter alguém com quem as partilhar, enfatizava-as com entusiasmo. Havia, no entanto, outro motivo. Um motivo oculto mas inofensivo que aproximava o comandante do Rabil: curiosidade. Intrigava-o que o rapaz não quisesse ir a terra. Até a ele próprio, que era provavelmente a pessoa mais ligada ao mar que conhecia, lhe sabia bem pisar terra firme depois de meses no mar. Mais não fosse para visitar um bordel, onde entre outras coisas aliciantes, podia pousar tranquilamente a caneca na mesa sem receio que aquela deslizasse. Passado pouco tempo, o comandante admitiu para si próprio que a única explicação seria que o Rabil tinha uma alma feita de mar. Que era algo como a encarnação do espírito de uma qualquer divindade marítima. Era pelo menos indiscutível que tinha nascido para aquilo, para navegar. Era, sem dúvida, mais apaixonado pelo mar que qualquer outra pessoa e passou a respeitá-lo ainda mais por isso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com o passar dos anos, a sua relação tornou-se muito próxima da de pai e filho e o Rabil começou a ser declaradamente o protegido do comandante. Tirando algumas excepções que, por serem excepções não conseguiram influenciar o ambiente geral da tripulação, todos aprovaram e compreenderam o favoritismo. Era notório que aqueles dois tinham mais em comum do que quaisquer outras duas pessoas naquele navio. Além disso, o carisma e sentido de humor naturais do Rabil faziam com que fosse difícil não gostar dele e toda a gente percebia o bem que fazia à moral geral do grupo que, naturalmente, é um ponto de extrema importância quando se está preso numa embarcação e se tem forçosamente que trabalhar em equipa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os anos foram passando e a vida do mar, que começava a marcar com suaves linhas os cantos dos olhos do jovem Rabil, foi ficando cada vez mais profundamente gravada nos sulcos do rosto do velho comandante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Sabes? – Disse-lhe o comandante uma noite, depois de uma generosa quantidade de rum ingerida. – Tenho andado a ouvir uma sereia a chamar-me. Ando a pensar que se calhar está na altura de ir ter com ela.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Uma sereia? Também quero! – Respondeu o Rabil ebriamente divertido. Ainda não aguentava o rum como o velho.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando no fim da frase, ao olhar para o seu mentor, se apercebeu do seu ar sério, endireitou-se muito depressa na cadeira, como se num instante lhe tivesse passado a bebedeira.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– O que quer dizer com isso? – Perguntou o Rabil com a expressão mais grave que alguém alguma vez viu no seu rosto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Sabes como esta vida estraga. Estou a desmanchar-me por dentro. – Disse o comandante com um suspiro. – Tive a vida que quis ter e estou satisfeito com isso, mas não quero ir morrer a terra. E de que serve a um navio um comandante que já não consegue comandar?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Era verdade que qualquer pessoa que visse o comandante se questionaria como estaria ainda vivo, já que tinha a aparência do cadáver de um afogado, deixado ficar à deriva nas marés, inchado e purulento. A sua boca, se pudesse ter sido preservada até aos nossos dias, proporcionaria anos de estudo a um departamento de investigação do escorbuto. No entanto, para o Rabil e para o resto da tripulação era o seu comandante, simplesmente o seu comandante. Todos assistiram à sua lenta decadência de forma gradual. As suas mentes tiveram a possibilidade de se adaptar à mudança de forma natural sem que isso causasse o choque normal que qualquer pessoa teria ao ver o velho pela primeira vez naquele estado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Não estou a gostar nada desta conversa… – Disse, apreensivo, o Rabil.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Tu serás o novo comandante da Tétis! – Exclamou, tentando dar alguma solenidade à frase.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– A Tétis tem um comandante e vai tê-lo por muito tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Compreende, meu rapaz, isto não é uma escolha minha. Não tenho outra opção.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Rabil limitou-se a fitar o velho, a encaixar a dura realidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– E não é tarde nem é cedo! – Disse o velho comandante antes de emborcar de uma vez o restante conteúdo da garrafa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Levantou-se sofridamente e, cambaleante, dirigiu-se à porta do camarote levando o Rabil por um braço.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;– Animais, a partir deste momento, este é o vosso novo comandante! – Disse com a voz arrastada da bebedeira. Se alguém tem alguma coisa contra, que se chegue à frente para que eu o possa enforcar na retranca com uma malagueta enfiada no cu.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ninguém se chegou à frente. Era mais que óbvio que o monte de pústulas com fedor a álcool e fluidos corporais em que o comandante se tinha tornado não era capaz de enforcar um rato, muito menos tão bêbedo como estava que, se não estivesse ainda agarrado ao braço do Rabil, já teria certamente caído. Além disso, toda a gente sabia, desde o comandante até ao corcunda coxo e imbecil que conseguiu convencer o comandante a “salvá-lo” de uma vida de mendigagem alegando que dava jeito ter alguém que limpasse o vómito do convés, originando a criação do posto de limpador de vómito até aí inexistente na tripulação (parecia estúpido, mas a verdade é que já ninguém tinha que se dar ao trabalho de ir a correr vomitar borda fora e podia apenas deixar-se tranquilamente adormecer na poça da sua imundice que o Corcoxo, alcunha que ganhou nos primeiros segundos na embarcação, até se dava ao requinte de limpar os pedaços que ficassem na barba com uma espinha de badejo que tinha adaptado para o efeito) que seria impossível impor à tripulação da Tétis um comandante que não fosse respeitado para tal, por muitos enforcamentos e inserções de objectos em orifícios que ocorressem (e as malaguetas, além de não chegarem para todos, eram precisas para amarrar os cabos). Apesar de todo o teatro, era claro para todos que a única razão pela qual ninguém se chegou à frente era porque toda a tripulação sabia que o Rabil era a única pessoa que poderia substituir o seu velho comandante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Foi uma honra navegar com todos vocês, menos contigo Corcoxo, obviamente. Não deixam de ser um punhado de vermes, mas são o punhado de vermes com mais espírito que conheci em toda a minha vida. Amanhã podes ocupar o meu camarote. – Terminou, dirigindo-se ao Rabil e voltou para o seu camarote agarrado aos barris e ao que mais o conseguisse ajudar a manter-se de pé.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No dia seguinte, quando o Rabil entrou no seu novo camarote ficou literalmente de queixo caído. Tudo estava limpo e arrumado e não havia vestígios do comandante. Nunca mais seria visto. O seu misterioso desaparecimento criou uma espécie de mito de que o comandante teria feito um pacto com Nereu e dedicado a sua alma ao mar. Curiosamente, de uma forma natural, isto deu à tripulação a sensação de que o seu navio estava protegido por uma qualquer força divina. O mito ficou tão enraizado que, para se entreter ao serão com algo mais que o rum, a tripulação inventava histórias sobre a nova vida do seu antigo comandante como uma excitada semidivindade a perseguir lascivamente as oceânides. As suas aventuras imaginárias, particularmente as que envolviam Admete e Clítia, ficaram gravadas na atmosfera daquela embarcação e foram contadas por muitos, muitos anos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi assim que o Rabil herdou o comando da Tétis, muito perto do seu décimo sétimo ano sem pisar terra. Embora bastante menos agressivo que o seu antecessor, era também um comandante justo e empático com a sua tripulação, mas não se enganem, não era uma pessoa com quem, como diria a minha avó, se fizesse farinha. Ainda hoje se deve contar a história da viagem em que um infeliz não gostou de ter sido repreendido e tentou aliciar a tripulação a amotinar-se. Os seus testículos estiveram meses pregados no mastro até terem sido comidos pelas gaivotas quando a embarcação se aproximou de terra.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O espírito a bordo da Tétis manteve-se por muitos anos e o Rabil nunca se sentiu infeliz por ter trocado a sua família por um punhado de biltres fedorentos e mal-educados nem por ter trocado os seus amigos pelas ondas. Nunca se arrependeu de conhecer mais correntes que pessoas nem de se ter deitado com mais ventos que mulheres. A única diferença é que passavam cada vez menos tempo aportados e, quando chegou ao ponto deste tempo se resumir ao apenas necessário para recarregar o navio com mantimentos e rum, a tripulação começou a ficar descontente com a situação. Conforme os anos se transformavam em décadas, a cada aportada da Tétis a tripulação diminuía um pouco e foi com o coração apertado que, na última vez que a Tétis foi vista num porto, os últimos resistentes, impotentes para convencer o Rabil a ir a terra algum tempo e tentar refazer a tripulação, ficaram a vê-la afastar-se lentamente, tripulada apenas pelo seu comandante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Diz-se que passaram mais de trinta anos até um navio militar encontrar a Tétis em alto mar, aparentemente à deriva e descobrir nela um velho tresloucado e esquálido a dar ordens a fantasmas. À força e não sem alguma insensibilidade, lá conseguiram separar o desgastado Rabil da sua velha Tétis, apenas para o fechar em terra à espera do fim. Sim, conseguiram tirar o Rabil do mar, mas o meu consolo é saber que nunca conseguirão tirar o mar do Rabil. E, em verdade vos digo que, além do da perda do seu mentor, não há relato de mais nenhum momento de infelicidade seu desde que pisou o convés do navio/mulher que viria a amar. A pobre Tétis certamente já só existe na mente distorcida do seu eterno comandante, mas isso não me causa qualquer espécie de comiseração. Tenho cá para mim que vão ser felizes para sempre.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2976048592477200965?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2976048592477200965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2976048592477200965&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2976048592477200965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2976048592477200965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2011/01/odisseia.html' title='Odisseia'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-5256505687907312975</id><published>2010-03-18T12:10:00.002Z</published><updated>2010-03-18T12:14:23.023Z</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Deverá o cego não querer saber &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Que a razão do seu não ver&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Reside só na questão do doer ou não doer?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Mais fácil será não ver para não doer&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;E o surdo será que quer ouvir&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Que a sua surdez se deve ao não querer ouvir&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;As palavras que sabe serem as tais da boca dos demais?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;E aqueles que sabem do que falo não o vão entender&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#6600cc;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Que para compreender é preciso deixar que a razão faça parte desta equação&lt;/span&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-5256505687907312975?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/5256505687907312975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=5256505687907312975&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5256505687907312975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5256505687907312975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/03/curtas.html' title='Curtas'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7535179530518855136</id><published>2010-03-11T12:00:00.001Z</published><updated>2010-03-11T12:00:54.746Z</updated><title type='text'>Bananas XII</title><content type='html'>&lt;p&gt;Porra! Foda-se!!! Quase que não dá para acreditar! Se eu não tivesse ouvido a história em primeira mão, directamente do Faustino, não acreditava mesmo. Pois é. A puta não só conseguiu dar-lhe a volta, como conseguiu fodê-lo completamente! Quando ele me disse que a tinha conhecido num bar de strip, eu fiquei logo de pé atrás. Mas ela só fazia aquilo até arranjar alguma coisa mais séria, dizia ele. Alguma coisa mais séria… O caralho! O que ela queria era arranjar um tanso como o Faustino. A vaca da rameira tinha o plano todo delineado e o pobre do Faustino foi cair mesmo em cheio na armadilha. Deve ter-se sentido especial. Foda-se, deve ter-se sentido o maior, uma gaja de um bar de alterne a demonstrar um interesse por ele que, ao contrário daquele demonstrado por todas as suas demais colegas, parecia mesmo, mesmo genuíno. Uma gaja por quem já tinham passado milhões de gajos diz ao Faustino que ele é especial. Na cabeça do Faustino, que lhe interessava que fosse ou não genuíno? Ia passar um bom bocado, um tempo a dar umas quecas de borla, qual poderia ser o prejuízo? Pois… O fodido é que a suína da brasileira lhe furou os preservativos todos. Pois é… Agora tem que pagar uma pensão a um filho que viu quatro vezes na vida e que não sabe muito bem quem ele é. É uma merda…&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7535179530518855136?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7535179530518855136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7535179530518855136&amp;isPopup=true' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7535179530518855136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7535179530518855136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/03/bananas-xii.html' title='Bananas XII'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-5622495024549749393</id><published>2010-03-08T14:31:00.001Z</published><updated>2010-03-08T14:31:21.979Z</updated><title type='text'>Bananas XI</title><content type='html'>&lt;p&gt;Parte-me o coração a história do Vitorino. É um facto que a ex-namorada dele é uma cabra. É um facto que estava melhor sozinho que com ela. Agora… Não sei se é um facto que está melhor com a ucraniana…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pronto, ela até é bastante bem-feita. Engraçada. Muito loura, tem um porte que consegue impressionar. Mas… por favor. Casar logo assim depois de a conhecer há um mês? Não digo que não estivessem apaixonados e não sei quê, mas, casar logo assim? E ter logo um filho assim??&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O que eu sei é que, a cada dia que ele chegava do trabalho havia mais um membro da família a morar com eles. Um membro desempregado da família, claro, e o Vitorino lá continuava a querer ser o homem perfeito, sempre na sua boa onda, que temos que ser uns para os outros. Pois, a verdade é que agora, entre pais, tios, irmãos, primos, cunhados e outros parentes mais ou menos remotos, moram mais de vinte ucranianos na casa do Vitorino e ele é o único que leva dinheiro para casa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Divorciar-se? Ela ameaça que leva o miúdo para a Ucrânia, ou para a Croácia, ou para o raio do filho da puta de país de onde eles vêm e que ele nunca mais o vê. É que… O miúdo é a única coisa que ele tem. É o miúdo que lhe proporciona a única mísera lufada de ar fresco que ele consegue obter naquela casa. E agora? O que é que o coitado do Vitorino vai fazer? Que lhe resta senão aguentar? Uma criança precisa de uma mãe…&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-5622495024549749393?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/5622495024549749393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=5622495024549749393&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5622495024549749393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5622495024549749393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/03/bananas-xi.html' title='Bananas XI'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8078997845960678404</id><published>2010-03-01T14:19:00.002Z</published><updated>2010-03-01T14:22:08.183Z</updated><title type='text'>Historieta</title><content type='html'>21-03-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era quase noite e ainda não tinha conseguido escrever nada, a história até tinha fluido bem ao início, mas chegou a um impasse e encalhou. Nem tinha bem a certeza se gostava do que já tinha escrito, mas tinha saído naturalmente, e o que interessava não era ele gostar, mas sim o editor gostar, e agarrava-se sempre a este pensamento para conter o impulso de rasgar tudo; afinal, se assim não fosse nunca teria publicado nada, já que nada do que escreveu lhe agradou realmente quando releu tudo no fim, mas a verdade é que os seus livros vendiam e isto proporcionava-lhe uma vida confortável. Em todo o caso, sentia que esta história seria diferente, não conseguia perceber porquê mas, apesar de simples, sentia-a especial, com potencial. Além do mais, não era uma história qualquer, dizia-lhe algo mais que as outras visto o personagem principal ser também um escritor, não propriamente ele, mas naturalmente, e apesar de se esforçar para contrariar isso, havia muito dele no personagem. Tinha sempre uma grande dificuldade em dar nomes aos seus personagens, mas assim que começou a escrever a história, o nome Stark Lone surgiu-lhe na mente e, embora uma voz dentro de si dissesse que não era prestigiante para a sua língua materna usar um nome estrangeiro, agradou-lhe a sonoridade e ficou feliz por não ter que pensar mais nisso.&lt;br /&gt;Não vale a pena insistir, pensou. Pousou a caneta, vestiu o casaco e saiu para jantar, pelo caminho pensou que a dificuldade com que se estava a deparar talvez se devesse à luta constante que travava contra o instinto de aproximar Lone de si próprio, talvez ajudasse se colocasse mais de si no seu personagem, mas rapidamente decidiu não o fazer, isso implicava abrir um pouco do livro fechado que era a sua vida e iria fazê-lo sentir-se tão vulnerável que só o próprio pensamento disso lhe provocou um arrepio. Não, Lone, além de ter a mesma profissão, não teria mais em comum com o escritor do que qualquer outra das personagens que nasceram na sua caneta. Dando esta questão como encerrada, deu por si já sentado no restaurante. Comeu, e foi já durante o cigarro que acompanhava o café que lhe surgiu uma ideia; Lone podia suspeitar de que só existia numa história. Melhor! Lone pode fazer a personagem da história que está a escrever aperceber-se de que existe apenas num livro e isso o levar a questionar se não será também ele apenas uma personagem numa história de ficção. Este pensamento fez o escritor estremecer. Não seria a vida dele também apenas um livro? E se este momento, este cigarro, este sentimento existirem apenas porque alguém os escreveu? Tanto quanto sabia, ele e Lone podiam afinal ser o mesmo. Com este fluxo de pensamentos, embora tivesse consciência de quão absurdo parecia, não conseguiu evitar a sensação de que mergulhava mais fundo na verdade do que alguma vez antes. Sentiu uma tontura e pediu um brandy; bebeu-o de um trago, acendeu mais um cigarro e saiu para a noite deixando uma nota na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter ajudado a recuperar as forças, aquele brandy não ajudou a reduzir a torrente de pensamentos que lhe rodopiava na mente, e embora argumentasse consigo próprio que nenhum deles fazia sentido, cada vez se sentia mais convencido que era apenas um elo na cadeia e não existia fora da sua realidade, da sua história. Questionou também se quem estava a escrever a sua história não seria também apenas uma personagem de uma história maior. Onde é que isto acaba? A palavra “acaba” ecoou no seu crânio. Todos os livros têm um fim. O que acontece quando o livro acabar? Se eu for apenas uma personagem de um livro que está a escrever um livro, será que se eu acabar o livro que estou a escrever, o livro em que existo acabará também? E o que acontece aos personagens quando um livro acaba? Não é que o escritor fosse um verdadeiro amante da vida, mas a ideia de deixar de existir provocou-lhe uma contida sensação de pânico. No entanto um pensamento acalmou-o automaticamente, se não acabasse o seu livro, certamente o seu autor também não acabaria o seu. É isso, disse para si próprio, basta não acabar o meu livro! Caminhou um pouco mais pelas ruas já quase desertas tentando digerir a situação, fez ainda mais algumas tentativas para se convencer que tudo não passava de um delírio seu, mas com muito pouco sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu então deixar a história de Stark Lone de parte, talvez a acabasse quando fosse mais velho. Com esta decisão conseguiu dormir um pesado sono sem sonhos. Ao contrário do que era habitual, o escritor acordou com uma óptima disposição, mas assim que abriu os olhos, sem qualquer controlo da sua parte, a história de Lone começou a desenrolar-se na sua mente. Enquanto no dia anterior não tinha conseguido escrever nada, no primeiro minuto desta manhã já sabia como a história continuava. Pensou que o melhor era mesmo escrever, senão esquecer-se-ia, e além do mais era só mais algum desenvolvimento, isso não o obrigava a acabar o livro. Preparou algo que se assemelhava com um pequeno-almoço e sentou-se a comer com uma mão e a escrever com a outra. Escreveu como nunca e já a tarde ia avançada quando o seu estômago se manifestou com um sonoro ronco. Só neste momento se apercebeu do que estava a fazer, era impossível saber ao certo, mas o livro já iria certamente a mais de meio. Praguejou e insultou-se pela sua estupidez, mas a história continuava na sua cabeça e tinha que fazer uma esforço para se impedir de a escrever. Atirou a caneta para longe e levantou-se abruptamente. Decidindo render-se aos protestos do estômago, saiu para comer e comprar cigarros. Depois de um farto lanche decidiu aproveitar a última luz do dia dando um longo passeio, tendo bastante sucesso na tentativa de afastar Lone da sua mente. Quando regressou ao seu apartamento era já bastante tarde, olhou para a secretária estremeceu ao ver a caneta novamente colocada em cima! Foi a mulher-a-dias, só pode, pensou e sentou-se em frente à televisão a comer a sanduíche que tinha trazido, acompanhada de uma cerveja. Terminada a refeição, deixou-se ficar no sofá a ver um documentário sobre moluscos até que se deixou dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam os primeiros raios de sol a entrar pela janela quando o escritor acordou de um sonho surreal, ainda meio a dormir sentou-se à secretária e começou inconscientemente a escrever até que o vício o obrigou a pegar num cigarro e foi aí que acordou realmente, sem qualquer noção do que tinha escrito tentou lembrar-se do sonho, tudo estava muito ténue na sua mente, mas lembrava-se que tinha sonhado com Lone, era exactamente como o imaginava, assim que visualizou Lone, a memória do sonho aclarou-se. Lembrava-se de ele lhe ter dito que era inútil resistir, o seu propósito seria cumprido independentemente da sua vontade e só tinha a ganhar se aceitasse o seu destino. Tinha a sensação de que a conversa tinha sido muito mais longa, mas não conseguia lembrar-se de mais nada. Reviu a sua situação num derradeiro esforço para a racionalizar. Que ideia mais estúpida, pensou, devo estar a ficar doido, os personagens não existem, não sentem, logo eu não posso ser um personagem. Por momentos ocorreu-lhe que devia procurar ajuda profissional, mas rapidamente pôs esta ideia de parte lembrando-se da sua nada simpática opinião sobre psicólogos e psiquiatras, e a verdade é que por muito que a sua razão lhe dissesse que estava a entrar num estado de demência, continuava convicto que estava mais são mentalmente do que alguma vez estivera. Os personagens não sentem! Disse alto, mas as suas palavras transbordavam insegurança. Apercebendo-se que estava a ficar bastante irritado com todos estes pensamentos respirou fundo, fez um esforço para limpar a mente e leu o que tinha escrito. Extraordinário! O escritor deparava-se com um sentimento completamente novo para ele. Estava realmente agradado com o que tinha escrito até então. Sentiu que, pela primeira vez, tinha conseguido criar algo bom. Era a primeira vez que estava plenamente satisfeito com o seu trabalho, e a sensação era fantástica! Ainda inebriado, releu tudo outra vez talvez para se certificar, talvez para acariciar o seu ego mais um pouco, mas a verdade é que continuou a achar que estava estranhamente perfeito, não havia nenhuma frase que achasse que deveria ser alterada, estava perfeito! A palavra persistiu na sua cabeça. Está a ficar perfeito, disse alto, deliciando-se em cada letra. Sentia que podia acabar o livro, lembrou-se das palavras de Lone, lembrou-se dos seus temores e, decidindo não se precipitar, saiu para clarear as ideias, afinal ainda não tinha comido nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto caminhava tentou organizar as ideias, e passado o orgulho inicial de estar perante uma verdadeira obra-prima, começou a desconfiar da situação. Porque é que normalmente considerava todas as suas obras mero lixo, tendo até uma certa tendência para desprezar os seus leitores, e com esta era diferente? Compreendia que seria possível escrever algo que não considerasse lixo, mas escrever algo que considerasse realmente bom era para ele um conceito estranho. Mais estranho era achar que seria uma obra-prima. Deduziu que teria que haver uma relação entre o livro e a sua nova perspectiva. Automaticamente o seu pensamento voltou à teoria, que futilmente se esforçava por considerar demente, de que era apenas um personagem. Isto explicava a qualidade deste seu trabalho, bastava o seu autor escrever que ele tinha escrito algo que lhe agradava para isso ser a realidade para si. Além do mais, este livro estava a ser criado de uma forma quase irreal, não tinha feito qualquer esforço para o escrever, tudo tinha saído naturalmente, demasiado naturalmente. Curiosamente, desta vez a ideia não lhe causou medo, sentiu até uma certa segurança pelo facto de estar ciente da sua condição. Se realmente apenas existia numa história, mais valia estar ao corrente disso! Assim conseguiu afastar os seus medos e pensou que afinal, acabar ou não o livro não seria uma decisão sua, aliás nada seria feito por decisão sua, a sua vontade estava sujeita à vontade do seu autor. Resignado com a sua situação sentiu até uma sensação de calma, não era responsável por si, não valia a pena gastar energia com decisões, a sua vida era regida por uma entidade superior e a ele bastava-lhe vivê-la, representar o papel que lhe tinha sido atribuído. Não questionou mais a sua sanidade mental nem a veracidade da sua situação e sentiu-se iluminado, sentiu que tinha descoberto muito mais do que todas as outras personagens com quem partilhava a sua história. Sentado no banco de um jardim, observou os outros com uma superioridade paternal, coitados, pensou, todos certos de que existem realmente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convicto de que não dependia de si, não se preocupou mais com o livro, não faria nenhum esforço para o acabar, nem para não o acabar, deixaria isso ao critério do seu autor e sentiu-se mais livre do que nunca. Caminhou mais um pouco sem destino, sem a certeza de onde se encontrava ao certo, até que viu um restaurante de aspecto pouco asseado que lhe confirmou que não fazia a mínima ideia de onde estava, mas a visão fez o seu estômago suplicar e acabou por entrar. Comeu demoradamente, durante a refeição nem se apercebeu que os seus pensamentos tinham vagueado bem longe do seu livro, pensou que se sentia muito mais à vontade naquela espelunca do que nos restaurantes caros que costumava frequentar, pensou na sua infância, questionou-se porque nunca tinha saído do país, pensou que já tinham passado meses desde a última vez de tinha lido um livro, pensou em mil outras coisas deixando a sua mente vaguear livremente. Depois de acabar o café e o cigarro, bebeu o resto de vinho no copo de um trago. Deixou uma boa gorjeta e apanhou um táxi para casa, apercebendo-se pelo preço, que estava muito mais longe do que alguma vez tivera deambulado nos seus habituais passeios pela cidade. Assim que entrou em casa descalçou os sapatos, pegou no primeiro livro da sua pilha “a ler” e leu durante horas, parando de vez em quando para saborear a paz interior que sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lone estava sentado numa mesa no canto do bar sujo e cheio de fumo e viram-se assim que o escritor entrou, Lone acenou e o escritor aproximou-se puxando uma cadeira. Se vieste dizer-me que não vale a pena resistir, estás a gastar o teu tempo, já passei essa fase. Disparou o escritor. Como deves calcular, eu sei que já passaste essa fase, e é exactamente por isso que aqui estou. Vim dizer-te que o autor está muito satisfeito contigo, considerou-te o melhor até agora. Respondeu calmamente Lone enquanto desviava os olhos do copo para fitar o escritor. Devo ficar radiante? Perguntou sarcasticamente o escritor, mas sem conseguir evitar de se sentir algo especial. Podes sentir o que quiseres, mas há mais, vais ter um privilégio único até agora, ele quer que o conheças.&lt;br /&gt;- Ele quer que eu o conheça…&lt;br /&gt;- Sim, serás o primeiro, e quem sabe, o último.&lt;br /&gt;- Mas tu conhece-lo não é?&lt;br /&gt;- Eu não sou como tu, eu sou apenas um instrumento, uma extensão dele. Este encontro serviu apenas para não seres apanhado de surpresa.&lt;br /&gt;- E o que me vai acontecer depois?&lt;br /&gt;- Vais ter que guardar as tuas questões para ele.&lt;br /&gt;- Mas onde, e quando, e como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que a última palavra se dissipou, um raio de sol atingiu-lhe o rosto fazendo-o contrair-se num esgar. Tinha adormecido no sofá outra vez e o seu corpo ressentia-se de duas noites mal dormidas. Enquanto ganhava coragem para se levantar, reconstituiu várias vezes o diálogo com Lone com receio de se esquecer, como habitualmente acontecia com os seus sonhos e deu por si questionando-se como se podia preparar para tal encontro. Sem conseguir encontrar uma resposta, sentiu-se um fantoche, o que despoletou um sentimento latente de revolta. Estou a ficar doido, pensou enquanto o diálogo com Lone ressoava no fundo da sua mente, completamente doido! Estou a viver uma fantasia e estou a deixar-me ir. Não! Não vou deixar isto afectar-me, se é a loucura a chegar, pelo menos vai ter luta! Vou acabar o meu livro e pôr esta história imbecil para trás das costas! Nunca mais quero sequer pensar no nome Stark Lone. Foi aqui que reparou que já estava a gritar bastante alto. Sem pensar mais, sentou-se à secretária e escreveu, escreveu como nunca, sentia que era a caneta que comandava a sua mão e não o contrário. Perdeu a noção do tempo enquanto os dias passavam e as páginas se amontoavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa era imponente, um verdadeiro palácio! As portas enormes, as mais altas já vira, abriram-se como se não tivessem peso e quando entrou e pisou o chão de mármore sentiu que o seu próprio corpo ficava leve, tão leve que parecia flutuar. Deu por si numa monstruosa biblioteca sem saber se tinha aberto a porta ou passado através dela. Uma sala comprida até perder de vista, ao longo de cujas paredes, estantes até ao tecto armazenavam mais livros do que alguma vez tinha visto juntos, pareciam estar ali todos os livros do mundo. Ao fundo da sala vislumbrava uma luz ténue da qual se foi aproximando. Ao passar pelas estantes a sua mente enchia-se de tantas vozes que era impossível compreender qualquer uma delas, à medida que avançava, uma das vozes começou a destacar-se até que conseguiu perceber a palavra Bem-vindo. Levantou o olhar e lá estava Lone, trazia uma expressão de genuíno contentamento. É hoje o grande dia! Exclamou. Afinal pouca gente tem a oportunidade de conhecer o seu criador. Um gesto de Lone encaminhou-o através das portas duplas que davam acesso a uma sala que, embora o fizesse sentir-se minúsculo, proporcionava uma inundante paz de espírito. Senta-te e descontrai, sugeriu Lone, ao que o escritor correspondeu, sentando-se numa das convidativas poltronas. Enquanto se afundava, sentiu que o seu corpo se dissipava, sentiu-se etéreo. Fechando os olhos por um momento deu por si sentado perante uma paisagem verdejante. Era certamente o sítio mais belo que jamais vira e transbordava calma e plenitude. Ouvia o gorgolejar de um ribeiro ao longe, e ao voltar o olhar na direcção do som reparou que não estava sozinho. Era ele, o seu autor! Embora, ao contrário do que estava à espera, o seu autor se apresentasse como uma pessoa bastante vulgar, sentia nele uma familiaridade tal, que era como se estivesse a olhar para si próprio; como se nunca o tendo visto antes, o tivesse conhecido toda a vida.&lt;br /&gt;- Estou muito orgulhoso de ti, superaste todas as minhas expectativas! Chegaste mais longe do que qualquer outro antes.&lt;br /&gt;- Obrigado, acho eu, fico muito satisfeito, mas e agora?&lt;br /&gt;- Agora já cumpriste o teu propósito, o livro acabou.&lt;br /&gt;- Vou portanto morrer, deixar de existir.&lt;br /&gt;- Pelo contrário, tornar-te-ás imortal! Deixarás de existir como te conheces, mas tornar-te-ás um conceito, viverás para sempre!&lt;br /&gt;- É um conceito complicado, existir para sempre quando na realidade não se existe?&lt;br /&gt;- E o que é a realidade? Não estás aqui a falar comigo? Não tens a consciência, as memórias, o passado que te dei? A realidade é relativa, tu existes na realidade que criei para ti, tão real como qualquer outra. Mas nem mesmo a realidade é imutável, e a tua está prestes a mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia como as palavras do seu autor faziam sentido para si, mas a verdade é que parecia que estava a ouvir verdades absolutas, logicamente correctas. Sabia que não podia fugir ao seu destino, mas a verdade é que nem sequer lhe ocorreu querer fazê-lo, sentia-se finalmente realizado pela primeira vez na sua existência. Todas as questões e dúvidas que tinha anteriormente desvaneciam-se e a sensação de dever cumprido preencheu-o.&lt;br /&gt;Estou pronto! Exclamou decididamente. O autor esticou a mão, o escritor esticou a sua. Passaram ainda vários dias até a mulher-a-dias encontrar o corpo sem vida do escritor jazendo sobre a sua obra-prima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8078997845960678404?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8078997845960678404/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8078997845960678404&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8078997845960678404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8078997845960678404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/03/historieta.html' title='Historieta'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-678192390758237823</id><published>2010-02-25T16:40:00.001Z</published><updated>2010-02-25T16:41:16.560Z</updated><title type='text'>Bananas X</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: separate; color: rgb(0, 0, 0); font-family: 'Times New Roman'; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: 'Trebuchet MS',Verdana,Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;"&gt;01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem encontrei o Antunes. Já não o via há anos! Dizer que está na mesma levaria a pensar que mantém o espírito jovem, mas a verdade é que ele já tinha era o espírito velho antes! O Antunes é daqueles gajos que deve ter nascido já com 20 anos, (desconfiem sempre de um gajo que atravessa a faculdade sem apanhar uma borracheira!) o curioso é que naquela altura, a super-responsabilidade dele era mais motivo de chacota do que outra coisa, mas ele lá se manteve firme nas suas convicções e ontem já não consegui gozar com ele como outrora; surpreendentemente algumas dessas convicções faziam agora sentido! Consegui controlar o susto inicial e até fiquei contente por me aperceber que cresci, afinal, se ele se conseguir manter assim, só quando eu tiver uns 90 anos é que não vou conseguir evitar levá-lo a sério!&lt;span class="Apple-converted-space"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-678192390758237823?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/678192390758237823/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=678192390758237823&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/678192390758237823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/678192390758237823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/bananas-x.html' title='Bananas X'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-6201016320841616729</id><published>2010-02-23T17:41:00.000Z</published><updated>2010-02-23T17:42:50.305Z</updated><title type='text'>Bananas IX</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: separate; color: rgb(0, 0, 0); font-family: 'Times New Roman'; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: 'Trebuchet MS',Verdana,Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; text-align: left;"&gt;01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitado do Magalhães! O que é que ele viu naquela gaja? Ela era uma verdadeira cabra para ele e, mesmo após vários anos, ele continuava a responder com incrível placidez. Nunca o vi dar um murro na mesa, nem sequer levantar a voz. Quem é que o imaginava capaz daquelas atrocidades?&lt;span class="Apple-converted-space"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6201016320841616729?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6201016320841616729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6201016320841616729&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6201016320841616729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6201016320841616729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/bananas-ix.html' title='Bananas IX'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2080408161105979556</id><published>2010-02-19T12:11:00.001Z</published><updated>2010-02-19T12:12:45.873Z</updated><title type='text'>Bananas VIII</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; color: rgb(51, 51, 51); line-height: 18px; "&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; color: rgb(51, 51, 51); line-height: 18px; "&gt;01-02-2005&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; color: rgb(51, 51, 51); line-height: 18px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Tenho falado é com o Guedes, gajo muito porreiro, boémio como sempre, dá gosto ver um gajo chegar aos 35 e manter assim a jovialidade. Estar com ele é sempre passar um bom bocado, somos contagiados pelo desprendimento que ele tem das coisas materiais, e, segundo me contou com entusiasmo, parece que é desta que vai mesmo sair de casa da mãe!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2080408161105979556?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2080408161105979556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2080408161105979556&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2080408161105979556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2080408161105979556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/bananas-viii.html' title='Bananas VIII'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-1814260399365143313</id><published>2010-02-17T14:20:00.001Z</published><updated>2010-02-17T14:20:50.488Z</updated><title type='text'>Mas porque é que já mais ninguém gosta disto?</title><content type='html'>&lt;p&gt;Nem os senhores da RTP usam já músicas deles para o genérico do telejornal…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;object width="320" height="265"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/JxBQPcfFJnM&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/JxBQPcfFJnM&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="320" height="265"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="265"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/SJAfMp5vYS4&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/SJAfMp5vYS4&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="320" height="265"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-1814260399365143313?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/1814260399365143313/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=1814260399365143313&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1814260399365143313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1814260399365143313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/mas-porque-e-que-ja-mais-ninguem-gosta.html' title='Mas porque é que já mais ninguém gosta disto?'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8371330021349081896</id><published>2010-02-14T23:59:00.001Z</published><updated>2010-02-15T12:33:11.755Z</updated><title type='text'>Valentim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S3k-dqwizjI/AAAAAAAAAI8/OyWLGtAaLGM/s1600-h/Imagem0743.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S3k-dqwizjI/AAAAAAAAAI8/OyWLGtAaLGM/s400/Imagem0743.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438446704441609778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8371330021349081896?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8371330021349081896/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8371330021349081896&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8371330021349081896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8371330021349081896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/valentim.html' title='Valentim'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S3k-dqwizjI/AAAAAAAAAI8/OyWLGtAaLGM/s72-c/Imagem0743.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2834475482670469594</id><published>2010-02-11T12:43:00.000Z</published><updated>2010-02-11T12:44:23.843Z</updated><title type='text'>Bananas VII</title><content type='html'>01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganda maluco, o Almeida! O que ele comia de gajas! Verdadeiro passarão! Estava lá tudo, o jogo de cintura, o sorriso assimétrico, o profissional franzir de sobrancelha. Era um espectáculo vê-lo trabalhar! Cámones então era mato, e além do mais, dava aulas de psicologia feminina a muito chotôr! Pois, casou, vem uma menina, outra menina, lá decidiram tentar uma última vez e vêm gémeos! Duas meninas! Há gajos com azar! Pois é verdade que os há, a mulher, muito abalada com a situação toda, numa atitude de desespero decidiu fugir com um possante mancebo cabo-verdiano, trabalhador temporário da obra em frente, deixando-o com as quatro piquenas. Mas sabem como é o Almeida, ele conhece as mulheres e está certo que ela volta quando lhe passar a depressão pós parto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2834475482670469594?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2834475482670469594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2834475482670469594&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2834475482670469594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2834475482670469594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/bananas-vii.html' title='Bananas VII'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-9064258832729779739</id><published>2010-02-09T16:54:00.001Z</published><updated>2010-02-09T16:56:13.788Z</updated><title type='text'>Bananas VI</title><content type='html'>01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Barbosa era daqueles gajos a quem se tirava logo a pinta. Gostava que as pessoas soubessem que ele não acreditava em qualquer tipo de relacionamento inter-classes mais íntimo do que o que se tem com um empregado de restaurante pouco falador. Estava convicto que havia níveis de importância entre os seres humanos e sempre que uma situação o obrigava a trocar algumas palavras com um “inferior”, fazia-o com uma desconcertante expressão de repulsa. Tive sentimentos contraditórios quando o encontrei ontem à noite a dormir debaixo de cartões na estação do Rossio. Ignorou-me quando tentei abordá-lo. Parece que, apesar de tudo, não mudou de opinião...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-9064258832729779739?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/9064258832729779739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=9064258832729779739&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/9064258832729779739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/9064258832729779739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/bananas-vi.html' title='Bananas VI'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-829569973417059681</id><published>2010-02-04T20:13:00.002Z</published><updated>2010-02-04T20:38:55.571Z</updated><title type='text'>Mitos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S2sq9Qn08wI/AAAAAAAAAI0/gltMCpdpfGc/s1600-h/Imagem0741.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S2sq9Qn08wI/AAAAAAAAAI0/gltMCpdpfGc/s200/Imagem0741.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434484607275037442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S2sq8wAykZI/AAAAAAAAAIs/905LXq9W-a0/s1600-h/Imagem0739.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S2sq8wAykZI/AAAAAAAAAIs/905LXq9W-a0/s200/Imagem0739.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434484598521368978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S2sq8tPw-SI/AAAAAAAAAIk/RLbDm3qs8x0/s1600-h/Imagem0740.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S2sq8tPw-SI/AAAAAAAAAIk/RLbDm3qs8x0/s200/Imagem0740.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434484597778872610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Não sou de alarmismos nem de acreditar em mitos urbanos. Não acho que haja assim tantos ucranianos a roubar crianças de automóveis parados em semáforos. Não conheci ainda ninguém que tivesse acordado sem rins numa banheira cheia de gelo depois de entrar numa loja chinesa e continuo a usar desodorizantes com propriedades antitranspirantes e champôs com &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Sodium Lauryl Sulfate&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;.&lt;br /&gt;Comecei, no entanto, depois deste acontecimento a temer os gangs de guarda-chuvas que, com o seu ar inofensivo, se deitam pelas nossas estradas para, quando passarmos por cima deles, saltarem de forma vil e maliciosa e entalarem-se por detrás das rodas dos nossos (muito pouco) estimados veículos. Não é tão mau como perder um filho ou um rim, suponho, mas não é fixe andar uma semana a dizer para nós próprios que o barulho na roda é certamente algo fabricado pela nossa imaginação, e que se assim não for, será sem dúvida algo sem importância, que não coloca nenhum risco, que o arranjo não nos vai nada custar várias noites de copos...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-829569973417059681?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/829569973417059681/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=829569973417059681&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/829569973417059681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/829569973417059681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/mitos.html' title='Mitos'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/S2sq9Qn08wI/AAAAAAAAAI0/gltMCpdpfGc/s72-c/Imagem0741.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3364730195002742331</id><published>2010-02-03T16:12:00.000Z</published><updated>2010-02-03T16:13:06.799Z</updated><title type='text'>HÃ ?</title><content type='html'>Pigs in space...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3364730195002742331?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3364730195002742331/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3364730195002742331&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3364730195002742331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3364730195002742331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/ha.html' title='HÃ ?'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-1197176208739356800</id><published>2010-02-01T19:30:00.001Z</published><updated>2010-02-01T19:30:49.398Z</updated><title type='text'>Ergástulo</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Só os fracos de espírito conseguirão a felicidade. Só os verdadeiramente néscios encontrarão satisfação. A Terra não quis nada disto. Olhai e vede que nada na nossa evolução nos fez ser mais felizes. Não aceiteis o ergástulo da inteligência. Abri os olhos para a realidade e aceitai a bênção da lobotomia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Parei a meio do passo que estava a dar ao longo do passeio da avenida, a duvidar dos meus ouvidos. Ouvi mal, de certeza, o homem não pode estar a oferecer lobotomias em nome da felicidade, pensei.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Era uma hora movimentada e o facto de eu ter parado abruptamente causou alguma confusão no intenso trânsito pedonal. Com alguma dificuldade, avancei perpendicularmente ao sentido do fluxo de pedestres que por ali passava e acerquei-me do pregador, ao qual mais ninguém prestava atenção.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando me aproximei do homem surpreendi-me com a sua parca idade. Esperava um velho, já algo tresloucado pelas amarguras da vida, mas não, certamente o homem não tinha mais que quarenta anos. Estava de pé sobre um tosco caixote de madeira, penteadíssimo, vestido a rigor, fato preto, gravata, flor na lapela e lenço a despontar do bolso. Assim que percebeu que alguém estava de facto a tentar compreender aquilo que pretendia transmitir, um novo ímpeto surgiu na sua entoação quando começou a falar directamente para mim.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Vejo o brilho da sagacidade nos teus olhos, irmão. Aquele brilho que me garante que nunca na vida conseguirás sentir a plenitude. Porque te resignas a isso? Porquê, irmão? Há uma alternativa. A felicidade está ao teu alcance se abraçares a ignorância!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Realmente, os atrasados mentais costumam ter um sorriso genuíno permanentemente estampado no rosto, pensei, é um sorriso de quem não percebe nada de nada, mas não deixa de ser genuíno. Não tenho dúvidas que terão uma imensamente maior probabilidade e até capacidade de ser mais felizes que eu. Enquanto ponderava sobre isto, a única minha expressão visível limitou-se a um inclinar da cabeça para o lado, mas que foi suficiente para o homem perceber que eu estava realmente a pensar sobre o assunto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Motivado por alguém estar realmente a dar algum crédito ao que apregoava, o homem desceu do seu caixote e veio ter comigo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Leio claramente os teus olhos, irmão. Vejo que almejas algo mais, que almejas uma plenitude e satisfação que te são negadas pela consciência da podridão humana. Pois eu, através de um processo simples e indolor, consigo proporcionar-te tudo o que desejas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tive o impulso de lhe responder imediatamente que não, obrigado, e virar as costas, mas a verdade é que fiquei extremamente curioso sobre o que o caricato homem oferecia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Como é que isso funciona?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Meu irmão, garanto-te que, apesar de ser impressionante e algo assustador, o processo é seguro e indolor. Consiste na inserção de uma sonda pelo canto interior do olho até a uma região específica do cérebro, onde se fará uma pequena lesão. O resultado é tão garantido que nem sequer há a hipótese de te arrependeres porque ficarás demasiado imbecil para te colocares esse tipo de questões. Serás feliz, irmão, serás feliz. Nunca mais te questionarás se vale a pena continuares a levantar-te da cama de manhã. Nunca mais te entristecerás com a crueldade natural do ser humano, nem com a sua falsidade, nem com a sua mesquinhez. Nunca mais ponderarás sobre nenhuma das questões que te consomem e te roubam a alegria, irmão, que te roubam o sorriso. Uma nova vida. Uma vida feliz! É o que te espera, meu irmão!!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Quero duas, se faz favor.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-1197176208739356800?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/1197176208739356800/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=1197176208739356800&amp;isPopup=true' title='43 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1197176208739356800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1197176208739356800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/02/ergastulo.html' title='Ergástulo'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>43</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8151920049692276414</id><published>2010-01-26T12:34:00.001Z</published><updated>2010-01-26T12:34:15.194Z</updated><title type='text'>Magarefe</title><content type='html'>&lt;p&gt;Dei por mim a invejar o homem do talho. Se fosse eu a entrar no café coberto de sangue alheio tinham chamado logo a polícia.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8151920049692276414?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8151920049692276414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8151920049692276414&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8151920049692276414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8151920049692276414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/magarefe.html' title='Magarefe'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-4591372286693128133</id><published>2010-01-26T12:28:00.000Z</published><updated>2010-01-26T12:30:01.711Z</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>Navego ao sabor de ti&lt;br /&gt;Para me perder mar adentro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-4591372286693128133?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/4591372286693128133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=4591372286693128133&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4591372286693128133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4591372286693128133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/curtas.html' title='Curtas'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3588209792229720794</id><published>2010-01-25T15:52:00.001Z</published><updated>2010-01-25T15:52:54.198Z</updated><title type='text'>Vulva de Judas</title><content type='html'>&lt;p&gt;As mulheres são mais falsas que Judas! A frase, proferida com voz rouca e arrastada fez-me levantar o olhar da minha taça de tinto e dirigi-lo para o canto de onde surgiu. Não acha? Perguntou-me o homem. Era bastante gordo, vestia umas calças puídas de terylene e uma camisa aos quadrados tão justa que receei que, se um daqueles botões saltasse, certamente cegaria alguém ou mataria o papagaio que, colocado à entrada do estabelecimento, nos divertia gritando impropérios aos transeuntes. O cinto estava geometricamente apertado no meio da sua enorme barriga dando-lhe uma aparência algo grotesca. A cara, inchada e vermelha, indiciava um longo historial de consumo de álcool e o seu segundo queixo ondulava hipnoticamente conforme falava. Merda, pensei, quem me mandou olhar? Ainda é jovem, se calhar ainda não percebeu isso, disse o homem perante o meu silencioso encolher de ombros, aposto que se lhe perguntasse daqui a uns anos teria outra opinião. Ficou a olhar para mim e eu senti-me na obrigação de dizer alguma coisa. Não tenho a certeza que o Judas tenha sido assim tão falso, disse-lhe. O que é que me interessa o Judas? Eu estou a falar de mulheres, rapaz, de mulheres, exclamou o homem assumindo que eu não tinha percebido a sua mensagem. Pronto, vamos lá a isto, pensei enquanto dava o último golo que restava na taça. Mais uma para mim e outra aqui para o nosso amigo. O homem bebeu de uma vez o restante na sua taça para que o taberneiro lha pudesse encher novamente. Pachorrento, o taberneiro repetiu o acto com a minha taça e, arrastando os pés pela serradura, voltou novamente para detrás do balcão. Muito obrigado, rapaz. Hipólito, Hipólito Álvares, disse enquanto o seu enorme corpo dava um quarto de volta na cadeira para que pudesse esticar o braço direito, palma aberta, na minha direcção. Não sei se terá sido deliberado ou não, mas foi uma forma de me obrigar a levantar-me do meu sítio e ir para a mesa dele. Peguei na minha taça e aproximei-me. Gregório, disse-lhe enquanto apertava a sua mão sapuda e oleosa, fazendo um esforço para que a minha expressão não denunciasse o extremo desagrado que aquele acto me estava a provocar. Sentei-me. Então o senhor Gregório confia nas mulheres, perguntou-me em tom jocoso, é isso? Suponho que as haja de confiança e outras nem por isso, disse-lhe, eu só estava a defender que o Judas talvez esteja a ser algo injustiçado nesta questão da falsidade, continuei tentando mais uma vez desviar o assunto. Outra vez o Judas? Já lhe disse que não me interessa o Judas! O tom do rosto do homem tornou-se ligeiramente mais avermelhado. O que eu lhe estou a dizer é para não confiar numa mulher. Pois, eu sei, desculpei-me, mas não acha que é injusto? Não acha que o facto de ter sido escolhido para fazer o trabalho sujo de Deus devia ter sido recompensado com algo mais que ficar conhecido para o resto dos tempos como o maior filho da puta da história? Ao ponto de ser usado como metáfora para a falsidade? Pois, não sei, respondeu desinteressadamente o homem, o que eu sei é que mais vale não acreditar em nada do que uma mulher diz. Pois, continuei, coitado do Judas…&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3588209792229720794?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3588209792229720794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3588209792229720794&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3588209792229720794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3588209792229720794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/vulva-de-judas.html' title='Vulva de Judas'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3375870474165745191</id><published>2010-01-21T11:33:00.001Z</published><updated>2010-01-21T11:33:23.185Z</updated><title type='text'>A lesma</title><content type='html'>&lt;p&gt;A lesma passeava pelos pés doridos do Sr. Malaquias enquanto ele, depois de despir as calças e se colocar mais à vontade, desentorpecia as costas, de pés no chão, mas deitado na cama. Depois de se esticar o mais que conseguia, com um suspiro, descontraiu de uma vez todos os músculos e deixou-se ficar a desfrutar o relaxamento, olhando distraidamente para o casulo que uma larva, provavelmente de traça, tinha construído no tecto do quarto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Deitou-se de lado, atravessado na cama, mesmo a tempo de ainda ver desaparecer a parte traseira da centopeia que deslizou para debaixo da sua almofada. Suspirou outra vez quando a aranha que vivia no canto por cima da sua cabeceira começou a descer pelo seu fio de seda. Que inveja, disse à aranha, não percebo porque é que os budistas ou os taoistas ou lá quem quer que seja que acredita naquela parvoíce que diz que reencarnamos segundo o nosso karma e que ser humano é já quase o fim da linha. Não percebo porque é que se há-de achar tão bom ser-se humano, continuou, até parece que sermos inteligentes contribui para a nossa felicidade. Tenho a certeza que és muito mais feliz que eu, continuou o Sr. Malaquias dirigindo-se à aranha que entretanto tinha já atingido a mesa de cabeceira e parado, como se realmente estivesse a ouvi-lo, não era muito melhor poder descer do cimo de um prédio por um fio produzido pelo nosso corpo? Talvez fosse estranho ao princípio, ter algo tipo um cabo de aço a sair-me do cu, mas nada é perfeito, não é? E acabamos por nos habituar a tudo, não é? Não contribuiria muito mais para a minha felicidade do que ser inteligente? Ou poder voar, poder subir paredes, dar saltos gigantescos, não ter praticamente preocupações na vida… Sim, era muito melhor que ser inteligente! Invejo-vos a todos. A todos! Enquanto proferia a última frase alternou o olhar entre a aranha, as moscas que pairavam no ar, terminando na barata que subia a parede oposta, ao lado do poster do homem aranha que tinha há mais de quarenta anos. Suspirou outra vez, sem sequer se aperceber que a lesma lhe subia pela perna.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fechou os olhos e imaginou-se um híbrido homem/louva-a-deus gigante a destruir uma cidade sem piedade. Não era por ser mau, disse a si próprio, era apenas porque seria desprovido de qualquer coisa minimamente próxima de ética ou compaixão. Porque seria totalmente livre de fazer o que os meus instintos me dissessem para fazer. Não mataria as pessoas por ser um assassino impiedoso. Mataria movido pelos instintos mais básicos, por fome, por medo e acharia normal. Depois de se tranquilizar que a sua fantasia não o transformava num monstro sanguinário que se satisfazia com o sofrimento dos mais fracos, continuou a ver o filme na sua cabeça. Prédios ruíam com um simples piparote, as pessoas eram como pipocas entre as suas mandíbulas. Crocantes. Deliciosas… Totalmente absorto, o Sr. Malaquias nem sequer sentiu a lesma quando ela já deslizava pela sua coxa. Depois, quando estivesse satisfeito, com um gigantesco salto, voaria através das nuvens, sentindo o vento da liberdade nas antenas. Olhou, melancólico, para o poster. Porque é que não existem mesmo aranhas radioactivas capazes de nos dar parte dos seus poderes? Perguntou a todos os presentes. Ou insectos, ou até mesmo celenterados, moluscos! Fechou os olhos e voltou a deixar-se embrenhar pela fantasia sem se aperceber que a lesma tinha já entrado para dentro da sua roupa interior, perigosamente perto da sua genitália. De olhos fechados e com um ténue sorriso nos lábios, o Sr. Malaquias voava dentro da sua cabeça enquanto a lesma, estrategicamente, se posicionava naquele pequeno espaço entre o escroto e o esfíncter anal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De repente, uma dor aguda fá-lo esbugalhar os olhos e dar um salto da cama. Atónito, enquanto afagava com a mão a região afectada, sentiu que algo estranho se passava no interior do seu corpo. Assustado, sentiu que os seus ossos começavam a perder a rigidez. Sentiu-se a ficar mais pequeno e, olhando para baixo, aterrorizado, verificou que as suas pernas perdiam a sustentação. Causou-lhe particular estranheza que o fenómeno, em vez de o fazer cair, provocou apenas um desabar do seu corpo sobre si mesmo. Gritou enquanto o seu corpo despencava até se transformar em algo disforme. Chorou no momento em que a sua cabeça se afundava na massa que era agora o seu organismo. Demorou algum tempo até se conseguir começar a habituar à sua vida como a lesma humana.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3375870474165745191?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3375870474165745191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3375870474165745191&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3375870474165745191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3375870474165745191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/lesma.html' title='A lesma'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-4942563695924659158</id><published>2010-01-20T18:09:00.002Z</published><updated>2010-01-20T19:05:36.885Z</updated><title type='text'>Bananas V</title><content type='html'>01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém soube mais nada do Sousa. Provavelmente devido a uma produção anormalmente elevada de testosterona, semana que o Sousa não fosse pelo menos três vezes ao Olympia não era uma boa semana para ele. Parece anedota, mas já o tratavam pelo nome e até estavam a pensar implementar bilhetes semanais. Toda a gente assumiu que se tinha perdido no submundo do sexo e certamente, se ainda estivesse entre nós, estaria cheio dessas bichezas que agora tanto falam (as doenças venérdicas ou lá o que é…). Pois é verdade. Adivinhem quem me bateu ontem à porta para me oferecer a última edição da Despertai!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-4942563695924659158?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/4942563695924659158/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=4942563695924659158&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4942563695924659158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4942563695924659158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/bananas-v.html' title='Bananas V'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-6482169344954187764</id><published>2010-01-19T15:45:00.002Z</published><updated>2010-01-19T17:25:57.261Z</updated><title type='text'>Bananas IV</title><content type='html'>01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu me divertia com o Silva! Era sempre a alma da festa! Sempre o mais teso de todos, provavelmente o recorde do mundo de copos cravados numa noite! Não pensem mal do Silva, para ele, cravar copos era uma arte! O segredo do seu sucesso era que não era um parasita, sempre que tinha dinheiro pagava também com alegria e boa disposição. Fui almoçar com ele ontem e, apesar de nos termos rido com fartura, algo parecia estranho. Só percebi quando veio a conta e ele fez questão de pagar só a parte dele, afinal só eu é que tinha bebido vinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6482169344954187764?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6482169344954187764/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6482169344954187764&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6482169344954187764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6482169344954187764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/bananas-iv.html' title='Bananas IV'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8220441302133516739</id><published>2010-01-18T14:17:00.002Z</published><updated>2010-01-18T14:21:07.482Z</updated><title type='text'>Bananas III</title><content type='html'>01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pereira? Aquele cheio de papel, que quando tínhamos Simcas 1000 todos podres e afins já tinha grandes máquinas e cuja casa fazia inveja a muitas discotecas? Sim, lembro-me. Esse gajo dá-me pena, assim que saiu da escola entrou numa espiral descendente de psicoses e as últimas notícias que tenho dele é que meteu na cabeça que toda a gente se queria aproveitar da sua abundância e acabou por ir viver para um retiro para doidos ricos. Mas parece que o seu problema social está melhor, pelo menos mantém já uma relação de amizade bastante estável com uma das oliveiras do jardim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8220441302133516739?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8220441302133516739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8220441302133516739&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8220441302133516739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8220441302133516739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/bananas-iii.html' title='Bananas III'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2181025208178450936</id><published>2010-01-16T16:28:00.002Z</published><updated>2010-01-18T14:21:46.294Z</updated><title type='text'>Bananas II</title><content type='html'>01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembram-se do Fernandes? Aquele atrofiado que nunca tinha posto um cigarro na boca? Sim, aquele, que, com a sua característica arrogância, se esforçava por fazer os fumadores mais fracos de espírito sentir-se estúpidos e inferiores. Pois, esse mesmo! Vi-o ontem a arrumar carros no Restelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2181025208178450936?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2181025208178450936/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2181025208178450936&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2181025208178450936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2181025208178450936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/bananas-ii.html' title='Bananas II'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-6696109078246033741</id><published>2010-01-15T15:16:00.001Z</published><updated>2010-01-15T15:21:18.916Z</updated><title type='text'>Bananas I</title><content type='html'>01-02-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que tempos eu nem sequer me lembrava do Marques! Sempre fomos muito amigos. Apesar da sua personalidade divertida fazer dele um óptimo e frequente companheiro de galhofa, sempre denotei uma certa mania das grandezas; à qual nunca dei muita importância. Pois é, parece que o negócio de bolas de golfe está a ir de vento em popa e ele agora já não conhece ninguém!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6696109078246033741?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6696109078246033741/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6696109078246033741&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6696109078246033741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6696109078246033741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/bananas-i.html' title='Bananas I'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-6670774067868929462</id><published>2010-01-14T14:48:00.001Z</published><updated>2010-01-14T14:50:09.950Z</updated><title type='text'>Um dia escrevi isto</title><content type='html'>31-01-2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Agasalha-te, deve estar frio”, disse ela num tom maternal que me fez ranger os dentes; respondi com uma onomatopeia e saí para a manhã bucólica de Outono. “Merda! Está um frio de rachar” murmurei enquanto a brisa gélida me lambia a face, “estou a ver que vai ser mais um daqueles dias!”. Meti-me no carro e segui até casa do X; ele já estava à porta, com o seu característico sorriso matinal de quem acorda com a melhor das disposições, eufórico com a vida. Como aquele sorriso me irrita! Todas as manhãs me apetece carregar a fundo no acelerador e deixar aquele sorriso envolto em fumo de escape e simplesmente fugir dele; mas não, ele não tem culpa de ser tão feliz, de achar perfeita a sua vidinha inútil.&lt;br /&gt;- “Bom dia”, disse, como ser fosse uma verdade inegável;&lt;br /&gt;- “Não sei o que é que ele tem de bom. Estamos aqui quando podíamos estar na cama, e ainda por cima está um frio insuportável!”;&lt;br /&gt;- “Sabes, isto pode parecer idiota, mas eu gosto deste frio, faz-nos sentir vivos!”;&lt;br /&gt;- “Tens razão!”;&lt;br /&gt;- “O quê? Concordas?!”,&lt;br /&gt;- “Sim, realmente parece idiota!”.&lt;br /&gt;O resto da viagem até ao emprego decorreu em absoluto silêncio.&lt;br /&gt;- “Almoçamos?”&lt;br /&gt;- “Whatever!”&lt;br /&gt;_________________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Não sei porque é que suporto essa tua constante boa disposição! Se soubesses como me irrita...”,&lt;br /&gt;- “Eu sei que te irrita, e, se queres mesmo saber, isso até me dá um certo gozo! Mas queres saber porque é que me suportas? É pela mesma razão que eu te suporto. Tu precisas de mim para não dares um tiro na cabeça, da mesma forma que eu preciso de ti para me manteres em contacto com a realidade. Ser um bom optimista não é tentar acreditar que o mundo é perfeito, mas sim ver a realidade de um ponto de vista positivo e construtivo. É engraçado, o meu optimismo irrita-te enquanto o teu pessimismo me diverte! Não achas que serias muito mais feliz se fosses mais como eu?”&lt;br /&gt;- “E como é que propões que eu faça isso? Como é que eu posso pensar que existe um lado positivo no facto da ementa de hoje ser execrável, quando só de olhar para ela me apetece vomitar?”&lt;br /&gt;- “Se calhar o segredo passa por reduzir o número de coisas que odeias e que te irritam.”&lt;br /&gt;- “Não achas que é um bocado estúpido achar que uma pessoa pode controlar isso? Como é que eu faço para gostar de uma coisa de que não gosto?”&lt;br /&gt;- “Bom, suponho que terás razão nisso, mas um bom começo seria não deixares as coisas que não gostas afectarem-te tanto. Obriga-te a, em vez de praguejar, tirar o melhor partido da situação. Em que é que o pessimismo te ajuda a resolver os problemas?”&lt;br /&gt;- “Ajuda-me a estar preparado para o pior! Poupa-me desilusões”&lt;br /&gt;- “E rouba-te a alegria!”&lt;br /&gt;- “Qual alegria?”&lt;br /&gt;- “A alegria de viver, de poder contemplar a beleza que nos rodeia, de amar!”&lt;br /&gt;- “Vamos pedir que já estou a ficar enjoado!”&lt;br /&gt;Pedi o que me pareceu mais suportável e ele pediu o mesmo.&lt;br /&gt;- “Pergunto-me o que é que te terá feito ficar assim.”&lt;br /&gt;- “O mundo não é um lugar belo, está cheio de humilhação e sofrimento. O ser humano não é humano, é o mais selvagem dos animais!”&lt;br /&gt;- “Mas em que é que a tua postura ajuda? Quando passas por uma pessoa com fome e não tens nada para lhe dar, o que é que achas que ajuda mais a pessoa? Ofereceres um sorriso e umas palavras de conforto e esperança ou sentares-te ao lado dele ajudando-o a praguejar e maldizer o seu fado?”&lt;br /&gt;- “Sabes, acho que a irritação que me provocas é no fundo inveja. A verdade é que eu admiro a tua visão da vida, e se pudesse ser como tu num estalar de dedos, não pensava duas vezes. Mas não consigo. Será patológico? Devo procurar ajuda profissional?”&lt;br /&gt;- “Eu sou da opinião de que temos todas as capacidades necessárias de fazer a nossa auto psicanálise. Temos é que conseguir racionalizar as coisas e encarar e admitir para nós próprios os nossos defeitos, resistindo ao impulso natural da negação.”&lt;br /&gt;- “Nunca vou conseguir!”&lt;br /&gt;- “Às vezes acho que tu gostas de ser assim, que curtes a depressão. Tinhas razão, a comida foi uma desilusão! Amanhã será melhor!”&lt;br /&gt;Contei até dez.&lt;br /&gt;- “Querem vir jantar a nossa casa? É Sexta-feira, podemos ver um filme.”&lt;br /&gt;- “Por mim tudo bem, vou falar com ela.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se foi a conversa do almoço, mas curiosamente passei a tarde quase sem me irritar, se calhar já estou a ficar habituado à incompetência.&lt;br /&gt;__________________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Abres a porta? Devem ser eles.”&lt;br /&gt;- “Tenho alternativa?”&lt;br /&gt;Abri a porta e lá estava o sorriso aberto. No entanto desta vez transmitiu-me uma inexplicável sensação de calor. Deve ser do vinho que bebi enquanto fazia o jantar.&lt;br /&gt;- “Boas! Entrem e ponham-se à vontade.”&lt;br /&gt;Seguiu-se o habitual, e tratando-se do X, excessivamente caloroso, ritual de cumprimentos.&lt;br /&gt;- “O jantar vai ser bacalhau pessimista!”&lt;br /&gt;- “E estará bom?”&lt;br /&gt;- “Dificilmente! Mas desde quando é que isso é um problema para ti?”&lt;br /&gt;- “Não é. A comida é a parte menos importante do jantar. É preciso ajuda para alguma coisa”&lt;br /&gt;- “Podem ir começando a pôr a mesa. A comida está quase pronta.”&lt;br /&gt;Eles cumpriram e atacámos o bacalhau. Estava bom.&lt;br /&gt;- “Então? Há novidades? Como é que vão as coisas?” Perguntou Y&lt;br /&gt;- “A mesma merda de sempre!” Respondi antes que a W pudesse dizer algo.&lt;br /&gt;- “Porque é que tens sempre que tentar estragar o ambiente?” Perguntou ela.&lt;br /&gt;- “Não estava a tentar nada, simplesmente respondi honestamente.”&lt;br /&gt;- “Pronto, pronto. Foi só uma daquelas perguntas standard. Não é preciso estarem já a chatear-se.”&lt;br /&gt;- “É que esta atitude perante a vida começa a afectar-me os nervos. Está sempre tudo mal. Qual é o meu papel no meio disto? Se não sirvo para o fazer feliz, o que é que eu estou aqui a fazer?”&lt;br /&gt;- “Sombra!”&lt;br /&gt;“Eu estou a falar a sério! Isto está a esgotar-me as forças. Não quero tornar-me maníaco - depressiva! Como é que eu lido com esta merda?”&lt;br /&gt;“Que tal calada?”&lt;br /&gt;Ainda recebi um olhar fulminante antes de ela se ir fechar no quarto.&lt;br /&gt;“Não estava a contar o tempo, mas parece-me que foi um novo recorde!”&lt;br /&gt;“Isto diverte-te? Como tu não está feliz, tens que estragar a noite das outras pessoas?”&lt;br /&gt;“Parece-me que, desta vez, até fui eu a ter a atitude mais cool.”&lt;br /&gt;“Pois, tu só és cool quando estás a gozar com a estabilidade emocional das pessoas. Não vês que ela gosta de ti e quer ser feliz ao teu lado? Porque é que tu não deixas que os teus amigos te ajudem? Vou falar com ela.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É impressionante como vocês conseguem manter esta amizade há tanto tempo.”&lt;br /&gt;“É mais uma relação amizade/ódio!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deixa lá, não fiques assim”, confortou X.&lt;br /&gt;“E fico como? Já não aguento as merdas dele!”&lt;br /&gt;“Ele está a passar uma fase difícil. Eu acho que ele, no fundo, está revoltado por estar a ser obrigado a crescer, a ter responsabilidades e já não poder fazer o que lhe dá na cabeça.”&lt;br /&gt;“Mas não é justo que gostar dele tenha um preço tão alto! Já tenho dúvidas que eu significo alguma coisa para ele”&lt;br /&gt;“Eu acho que, de certa forma, ele te culpa, porque foste tu que fizeste tudo acontecer, foi ter-te conhecido que o fez avançar no seguimento normal da vida, casar, constituir família, e isso mostra o que significas para ele; e não acho que esteja arrependido, é só um problema de adaptação. Tenho a certeza que, com a tua ajuda, ele vai ultrapassar esta fase.”&lt;br /&gt;“Mas eu não sei como agir. Acho que não cumpri as expectativas dele.”&lt;br /&gt;“Porque é que não experimentas psicologia inversa? Quando ele está para desatinar, tu levas a coisa na boa e reages com extrema boa disposição, brinca com ele; mesmo que não resulte sempre evitas que a coisa descambe. Pensando nisso, acho que no fundo é como eu tenho conseguido ser amigo dele, embora o faça mais para o chatear.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6670774067868929462?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6670774067868929462/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6670774067868929462&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6670774067868929462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6670774067868929462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/um-dia-escrevi-isto.html' title='Um dia escrevi isto'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8907001370585640971</id><published>2010-01-14T14:33:00.002Z</published><updated>2010-01-14T14:47:40.829Z</updated><title type='text'>Forças malignas</title><content type='html'>Numa postura de combate às forças malignas ocultas, do efeito das quais a Tertúlia dos Néscios não haveria de estar isenta, vou voltar a publicar os textos que as referidas forças fizeram desaparecer. Mesmo aqueles que se tivesse escrito agora talvez não publicasse.&lt;br /&gt;Assim, se alguém sentir aquela estranha sensação de dejá-vu, não precisa de ir logo a correr para a psicoterapia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8907001370585640971?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8907001370585640971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8907001370585640971&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8907001370585640971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8907001370585640971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/forcas-malignas.html' title='Forças malignas'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8909030022657586594</id><published>2010-01-11T17:25:00.002Z</published><updated>2010-01-11T17:26:16.364Z</updated><title type='text'>Elasticidade/Independência</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Vi ontem uma cena impressionante na televisão. Um gajo que tem um espectáculo num bar em Ibiza que consiste em fazer uma auto-felação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Se eu conseguisse fazer isso não aturava metade das merdas que aturo…&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8909030022657586594?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8909030022657586594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8909030022657586594&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8909030022657586594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8909030022657586594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/elasticidadeindependencia.html' title='Elasticidade/Independência'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2389180887167745973</id><published>2010-01-08T12:13:00.001Z</published><updated>2010-01-08T12:13:14.624Z</updated><title type='text'>Ensaio sobre uma merda qualquer</title><content type='html'>&lt;p&gt;Ah, que maravilha! Este sol maravilhoso, este mar azul infinito. Plenitude… Isto é que é vida!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O homem que estava deitado na espreguiçadeira ergueu-se repentinamente. Foi como se o seu cérebro de repente tivesse começado a funcionar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas… Onde é que eu estou? O que é que se passa?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Parecendo ter saído da selva por trás, uma jovem e bela rapariga, vestindo apenas uma saia de longas folhas, apareceu com um coco verde, do qual saía um par de vistosas palhinhas. A sua pele tinha um bronzeado carregado e o seu cabelo era longo e negro. A rapariga aproximou-se com um passo leve, ajoelhou-se junto da espreguiçadeira e, baixando a cabeça, estendeu ambos os braços. Incrédulo, o homem pegou no que lhe era entregue e a rapariga ergueu-se.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sabes quem eu sou? Como ou quando cheguei aqui?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A rapariga limitou-se a dizer uma frase numa língua estranha e, com uma suave vénia e um sorriso, afastou-se, desaparecendo pela vegetação. Estupefacto, o homem não teve qualquer reacção. Limitou-se a desviar lentamente o seu olhar espantado do lugar por onde a rapariga tinha desaparecido até ao objecto nas suas mãos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Bom, vamos lá ver… Sei quem sou, chamo-me Lapricínio Ramalho, sou técnico de canalização, tenho uma mulher, três filhos, dois rapazes e uma menina linda, moro num T3 em Xabregas… Bom… Parece que, tirando o facto que não saber o que estou aqui a fazer nem como cá cheguei, não estou amnésico. A não ser… Que eu não seja o Lapricínio Ramalho… Se calhar sou rico e não canalizador, e isto de estar a relaxar numa praia paradisíaca a beber de um coco com umas palhinhas todas paneleiras é normalíssimo… Não! Isso é absurdo! Eu sei que sou o Lapricínio Ramalho. Tenho é que descobrir como vim aqui parar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lentamente, quase desconfiado, o homem levantou-se. Com passos cuidadosos, como se se tentasse certificar que a fina areia que os seus pés nús pisavam era, de facto, real, acercou-se do mar. Olhou para o seu reflexo na água, levemente distorcido pela suave ondulação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sou eu. Fico mais descansado, pelo menos reconheço o meu rosto, caso contrário é que as coisas ficariam mesmo demasiado estranhas, mas já estava preparado para tudo. Deve ser impressão minha, mas pareço um bocado mais novo do que eu me lembrava de mim, mas pronto, sou eu. Será que isto confirma que sou o Lapricínio Ramalho? Se calhar não… Não é que eu não goste de ser o Lapricínio Ramalho, técnico de canalização, casado por amor e pai de três filhos, até gosto muito, mas… Epa, conseguia habituar-me a este clima…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Imerso nos seus pensamentos, o homem percorria a linha da costa, desfrutando nos pés a leve sensação refrescante que a água tépida proporcionava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Acorda e controla-te, Lapricínio! Tens que descobrir alguém, civilização, um telefone para poderes ligar à tua mulher, alguma pista que te consiga fazer perceber alguma coisa. Organiza o raciocínio. O que quero saber? Onde estou? Quando cheguei? Porquê? Onde está a minha família? O que sei… Hum… Nada… Não é muito animador, mas pronto, não posso desmoralizar. E quem é que conseguia desmoralizar com uma paisagem destas?… Concentra-te, Lapricínio. Concentra-te!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ao chegar ao fim da praia, o homem viu uma série de degraus toscos, ladeados por um corrimão artesanal feito com canas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Civilização! Ou algo próximo disso. Menos mal. Mas não me parece que haja por aqui um telefone. Mas porque é que eu viria aqui sem a minha família?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O homem subiu os degraus e, no topo, atravessou um grupo de palmeiras jovens. Deu por si numa clareira onde, além de uma cabana de madeira, uma cadeira, uma pequena mesa com um guarda-sol feito de canas finas, estava uma rústica mesa de massagens e, ao lado, uma exótica mulher.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Deslumbrante. Simplesmente deslumbrante…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A mulher esticou o braço, dirigindo a mão aberta para a mesa de massagens e, como que telecomandado, o homem deitou-se de barriga para baixo. Após aplicar uma porção de óleo nas costas do homem, a mulher pousou o recipiente feito de casca de coco e, em silêncio, iniciou a massagem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Porra, Lapricínio! Não podes ser assim. Ficaste tão embasbacado que se ela te tivesse dito para ladrar, tu tinhas ladrado. Controla-te, homem! Ela até te pode querer fazer mal, e tu, o que fazes? Ofereces-lhe as costas e tempo de sobra para escolher bem o sítio onde espetar a faca. Se bem que não parece nada que ela me queira fazer mal. Está a saber-me tão bem que nem me importo com a faca. Continua assim e podes espetá-la, que morro satisfeito. Claro! És tão otário, Lapricínio. Como é que não pensaste nisso antes? Só pode ser um sonho! Que fixe, é um sonho. Deixa-me é aproveitar, que já não deve faltar muito para a merda do despertador tocar. Desta vez vai ser ainda mais torturante que o normal, ter que sair da cama, mas macacos me mordam os tomates se vou deixar que isso estrague este sonho espectacular. Sim… Isso… Aí…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como que movida por um sexto sentido, a mulher terminou a massagem no momento em que o homem parecia prestes a adormecer. A paragem despertou-o. Levantou a cabeça devagar, desentorpecendo o pescoço e olhou para a mulher. Esta sorriu e inclinou a cabeça ligeiramente para a frente. Com uma expressão de deleite, o homem manteve o olhar na mulher enquanto esta se afastava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Que silhueta… Que sonho maravilhoso. É, de certeza, o melhor sonho que já tive. Excepto talvez aquele em que conseguia voar, ou aquele em que conseguia ficar invisível, ou talvez também aquele… Mexe-te, otário! Um sonho destes e tu estás a desperdiçá-lo a divagar? Levanta-te, explora, aproveita!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O homem levantou-se e, enquanto decidia que direcção tomar, ouviu o toque de um telefone. Era a tradicional e inconfundível campainha de um telefone. Seguindo pelo caminho que o levava na direcção do som, foi-se embrenhando cada vez mais selva adentro, sempre seguindo o toque do telefone que, apesar da tortuosidade do percurso, cada vez parecia mais próximo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um telefone, no meio da selva, este sonho está a descair um bocado para o surreal. Também já gostei mais dele, se em vez de estar a deambular pela selva estivesse a ter um happy ending com a massagista seria tão melhor.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O homem continuou a seguir o som até se deparar com um estranho arbusto que lhe cortava o caminho. O toque do telefone parecia provir de detrás da peculiar vegetação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O caminho cortado por um arbusto de ramos negros e bagas verde fluorescente? Será que isto tem algum significado subliminar? Não canses a cabeça a procurar significados ocultos em tudo, Lapricínio, é só um sonho marado. E o telefone no meio da selva a tocar por trás? Não deve ter voice mail activado, senão aquela menina simpática com quem gosto tanto de falar já tinha atendido a pedir para deixarem recado. Acho que posso esgueirar-me por entre estes dois ramos. Estas bagas são muito curiosas, até me apetecia comer uma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O homem aproximou a pinça formada pelo indicador e o polegar da mão direita da brilhante baga mas, no instante em que lhe tocou, esta explodiu libertando uma pequena nuvem de gás verde fluorescente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Olha. Giro. Isto afinal são pequenas bolhas de gás. Se isto está a sair do meu inconsciente, deve ter alguma significado, mas qual? Bom, vamos lá atender a merda do telefone que já me está a irritar, e para isso chega-me a vida real.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O movimento nos ramos do arbusto provocado pela passagem do homem fez rebentar quase todas as bagas cujo conteúdo deixou no ar um cheiro singular mas agradável, como uma extraordinária especiaria desconhecida. Ao chegar ao outro lado do arbusto deparou-se com uma pequena mesa redonda cuja única perna assentava no chão no que parecia tentar imitar a pata de uma ave, sobre a qual tocava incessantemente o procurado telefone. Era um enorme aparelho de aspecto muito antigo, branco com detalhes em dourado, sem qualquer fio visível. O homem, agastado pelo contínuo soar do telefone, atendeu prontamente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Tá lá? Quem é que fala?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Filho, consegues ouvir-me, meu amor?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Almerinda? És tu, querida?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Não me deixes, por favor.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Ninguém vai deixar ninguém, tem calma contigo. Onde é que estás?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Eu não sei o que fazer sem ti. Volta para mim, tens que voltar para mim.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Claro que volto! Podes começar por dizer-me onde estás. Isso ajudava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Não vou desistir de ti, ouviste? Não vou desistir!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Estás parva, mulher? Já te disse que não há razão para essa angústia. Só tens que me dizer onde estás. Tás-me a ouvir?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Se soubesses quanto eu te amo não me fazias isto. Se soubesses, voltavas para mim agora, neste instante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Mas tu estás a ouvir-me ou não? Eu estou a tentar voltar para ti, mais ou menos, mas este sonho está cada vez mais estúpido. Tou? Almerinda? Tou?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A voz do outro lado da linha transformou-se num lamento baixo e incompreensível. O homem continuou a tentar comunicar até concluír que não estava a ser ouvido pela outra pessoa. Frustrado, atirou o telefone de volta para o descanso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Calma, Lapricínio, é só a porra de um sonho. Não era a Almerinda, era só uma manifestação do teu inconsciente. E por favor, não te ponhas agora a tentar interpretar, tens muito tempo para isso quando acordares. E agora? Estou no meio da selva sem saber o que fazer. Se calhar mais valia acordar. Que som é este agora? Tambores? Parece-me demasiado ritmado para não ser, mas claro que podem sempre ser coqueiros inteligentes ou algo do género.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com alguma dificuldade em perceber a direcção de onde provinha o batuque, o homem tentou seguir uma linha recta, atravessando o mato que parecia afastar-se para lhe dar passagem. Algumas centenas de metros mais à frente, o homem encontra-se na orla de uma enorme clareira onde pôde vislumbrar a origem do som. Era uma tribo de indígenas, vistosamente decorados com plumas e pinturas berrantes. Mais de uma centena de homens dispostos em três fileiras, formando um semi-círculo, marcavam uma rápida e ribombante cadência com os seus tambores, ao ritmo da qual um velho, magríssimo, que aparentava ter mais que cem anos, dançava freneticamente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O raio do velho mexe-se bem. Deve ter tomado uma daquelas mistelas para contactar com os deuses ou isso. Parece uma marionete.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A medo, o homem aproximou-se devagar e o seu sangue gelou quando, ao dar o passo que o colocava a uns vinte metros do grupo, em perfeita sincronia, todos os tambores se calaram e todos os olhares se dirigiram para ele.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pronto, já te fodeste, Lapricínio. Nunca soubeste estar quieto no teu canto. Assim que o primeiro pegar numa lança, tu não vais assumir que isto é só um sonho e corres como se não houvesse amanhã, até porque pode não haver mesmo. Nunca morrer, mesmo que seja em sonhos, sempre foi o teu lema. Prepara-te…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O velho baixou-se lentamente e, com ambas as mãos, pegou numa taça de madeira que repousava aos seus pés. Elevou-se com a mesma lentidão e, esticando os braços, ofereceu-a ao homem. Com passos inseguros, o homem aproximou-se do velho e tentou evitar um esgar ao aproximar-se e inalar os vapores emanados pelo líquido verde e viscoso no interior da taça. Com um movimento brusco, o velho encostou a taça ao peito do homem, praticamente obrigando-o a aceitá-la. Ainda desconfiado, o homem elevou lentamente as mãos e permitiu que o velho nelas depositasse a sua oferenda. Baixou os olhos e fitou a beberagem de aspecto nada apetitoso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Será que eles acham que eu sou um deus, como se vê às vezes nos filmes? Isso é que era… Mas podiam oferendar-me qualquer coisa mais apelativa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O velho colocou as suas esqueléticas e enrugadas mãos à volta das do homem e dirigiu a taça que nelas repousava na direcção da boca deste. Movido por pouco mais que temor, com uma careta, o homem deu um trago na estranha bebida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Onde estou? O que é que aconteceu?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Filho! Finalmente acordaste, meu amor!! Não saí do teu lado. Eu sabia que não me ias abandonar, Gervásio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Mas, mas… Quem és tu??&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2389180887167745973?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2389180887167745973/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2389180887167745973&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2389180887167745973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2389180887167745973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/ensaio-sobre-uma-merda-qualquer.html' title='Ensaio sobre uma merda qualquer'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2843672434443659489</id><published>2010-01-06T12:02:00.001Z</published><updated>2010-01-06T12:02:57.237Z</updated><title type='text'>Uno</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não há nada mais em sintonia com a natureza e o universo que a lei do menor esforço.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2843672434443659489?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2843672434443659489/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2843672434443659489&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2843672434443659489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2843672434443659489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/uno.html' title='Uno'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7333818263566593709</id><published>2010-01-05T15:10:00.001Z</published><updated>2010-01-05T15:10:40.282Z</updated><title type='text'>Frontalidade</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Então, pronto, está combinado. Podes convidar os amigos que quiseres.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Pois… Sabes… Não tenho assim muitos amigos…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Não?? Porquê?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Eu acho que está relacionado com a minha forma de ser. Tenho uma tendência para ser sincero que não consigo evitar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Mas… Isso é óptimo!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Pode parecer, mas não é, de todo. As pessoas não apreciam realmente a sinceridade. Tenho-me apercebido que as pessoas preferem viver num mundinho próprio onde são perfeitas. E, embora toda a gente apregoe que valoriza muito a frontalidade, a verdade é que a grande maioria das pessoas abomina quem lhes mostre um defeito seu. Não só praticamente ninguém está preparado para admitir que tem defeitos, como toda a gente assume sempre que alguém que os aponte é um inimigo e só quer fazer-lhes mal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Se calhar tens razão…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Pois. Comecei a perceber que afastava as pessoas, mas custa-me tanto não dizer o que penso. Vou aguentando, vou aguentando, mas, mais tarde ou mais cedo, sai-me tudo e pronto, lá se vai mais um relacionamento. E parece não haver grande relação entre a reacção e o tempo de relacionamento. Mesmo que já me conheçam há vários anos, há sempre a tendência para achar que, se lhes aponto algo feio, é para os prejudicar e rebaixar. E é particularmente triste porque, se eu me disponho a apontar alguma coisa é porque tenho consideração pela pessoa. É na perspectiva de que é normalíssimo ter defeitos e facetas sombrias na nossa personalidade e nunca tentando transmitir que, por isso, são piores que a pessoa do lado. Além do mais, as pessoas mudam, evoluem. Como é que podemos evoluir e atenuar um defeito se não admitirmos que o temos?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Compreendo… Se calhar não estás a conhecer as pessoas certas, pessoas que dêem valor a isso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Deve haver tão poucas, que as probabilidades de as conhecer são ínfimas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Ah, eu não, eu aprecio mesmo muito a sinceridade e a frontalidade, é até das qualidades que mais valorizo numa pessoa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- A sério?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- A sério.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Mesmo?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Mesmo!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Ufa… Ainda bem. Estava aqui num esforço titânico para não te dizer que acho que esse corte de cabelo te fica horrivelmente. E essa camisola… Epa, por favor. Não tinhas nada mais feio no armário?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Hum… Pois… Olha, recebi agora uma sms a dizer que a festa foi adiada. Eu depois digo-te a nova data. E… lembrei-me agora tenho um compromisso importantíssimo, tenho que ir andando.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- OK, tudo bem. Até à próxima, então.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Sim, pois, até à próxima…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Então não te esqueças de me dizer quando é a festa, afinal. OK?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Claro, claro, fica descansado.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7333818263566593709?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7333818263566593709/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7333818263566593709&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7333818263566593709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7333818263566593709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2010/01/frontalidade.html' title='Frontalidade'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7700712159331101676</id><published>2009-12-30T12:11:00.000Z</published><updated>2009-12-30T12:18:43.957Z</updated><title type='text'>Devaneio</title><content type='html'>- Vestal.&lt;br /&gt;- Vestal? &lt;br /&gt;- Sim, vestal. &lt;br /&gt;- Nunca perguntei isto numa entrevista, mas… você é do sexo masculino, certo?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- E “vestal” é a palavra que acha que melhor o define?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Também nunca perguntei isto, mas… É virgem?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Pois. Creio que não consigo compreender a escolha dessa palavra. Se calhar estamos em contextos diferentes. A ideia que tenho é que a palavra “vestal” provém das antigas sacerdotisas da deusa romana Vesta e é usada figurativamente relacionada com pureza e castidade femininas, já que consta que estas sacerdotisas eram obrigatoriamente virgens.&lt;br /&gt;- Sim, superficialmente é isso.&lt;br /&gt;- Aprofunde então, por favor.&lt;br /&gt;- Apesar de Vesta ter ficado relacionada com a castidade por causa das suas sacerdotisas, estava intimamente ligada ao fogo. O seu altar tinha uma chama permanente que nunca se podia extinguir. Esta chama estava relacionada com a origem da vida.&lt;br /&gt;- Não sabia disso. Continue, por favor.&lt;br /&gt;- Fogo, a origem da vida… Parecem-lhe coisas relacionadas com castidade?&lt;br /&gt;- De facto, não.&lt;br /&gt;- Pois. Vesta pode também ser vista como uma representação do aspecto sexual da criação. Existe portanto uma dualidade na palavra que escolhi.&lt;br /&gt;- Talvez comece a compreender. Relacione então isso consigo e explique-me o porquê da escolha dessa palavra.&lt;br /&gt;- Desculpe, mas o psicólogo aqui é o senhor. Explique você.&lt;br /&gt;- Sou psicólogo, mas isto é uma entrevista de emprego, não é uma consulta.&lt;br /&gt;- Não estou a pedir que me explique a mim. Só estou a dizer que perceber o porquê oculto da minha escolha de palavra é o seu trabalho.&lt;br /&gt;- Certo. Da minha parte estamos despachados. Tem alguma questão que me queira colocar?&lt;br /&gt;- Qual é a palavra que acha que melhor o define?&lt;br /&gt;- Muito engraçado. Boa tarde, contactá-lo-emos nos próximos dias.&lt;br /&gt;- Boa tarde.&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;- Então, que tal correu a entrevista.&lt;br /&gt;- Bom, acho que consegui lixar qualquer hipótese de ficar com o emprego.&lt;br /&gt;- Então, o que aconteceu?&lt;br /&gt;- Já estava farto daquilo. Daquelas perguntas de merda, tipo “Qual acha que é a sua melhor qualidade? E o seu pior defeito?”. Deu-me para parvejar.&lt;br /&gt;- O que é que disseste?&lt;br /&gt;- Ele perguntou-me qual era a palavra que eu achava que melhor me definia.&lt;br /&gt;- E tu?&lt;br /&gt;- Disse “vestal”.&lt;br /&gt;- Vestal? O que é que isso quer dizer?&lt;br /&gt;- Vem das antigas virgens romanas que adoravam a deusa Vesta.&lt;br /&gt;- Antigas virgens romanas? Fenomenal!!&lt;br /&gt;- Foi a primeira palavra que me veio à cabeça. Depois tive que divagar um bocado para tentar dar-lhe algum sentido.&lt;br /&gt;- Claro que ele ficou a pensar que eras completamente doido.&lt;br /&gt;- Pois…&lt;br /&gt;- Bom, esquece lá isso e falemos de coisas mais alegres. Como é que foi a cena ontem com a gaja?&lt;br /&gt;- Nem me digas nada! Foi surreal, no mau sentido.&lt;br /&gt;- Então? Que se passou?&lt;br /&gt;- Para começar, depois de uma meia hora de conversa, já me estava a dizer que tinha uma fantasia de dupla penetração e a perguntar-me se eu não tinha um amigo que alinhasse.&lt;br /&gt;- E tu, o que é que disseste?&lt;br /&gt;- Tentei explicar-lhe calmamente que não me deixava confortável a ideia de ter o meu escroto a alguns centímetros de outro, correndo até o risco de haver contacto. Tentei que ela percebesse que seria estranho o relacionamento com um amigo depois de ter havido contacto físico entre os nossos escrotos. Que nunca mais conseguiríamos olhar um para o outro da mesma forma.&lt;br /&gt;- E ela?&lt;br /&gt;- Ela lá percebeu, ou pelo menos fingiu e não tocou mais no assunto.&lt;br /&gt;- Então não foi muito mau…&lt;br /&gt;- Não teria sido se tivesse sido só isso, mas depois de estarmos enrolados no sofá, ela diz-me que está com o período!&lt;br /&gt;- Alto turn-off…&lt;br /&gt;- Pois, mas o pior é que ela queria festa na mesma!&lt;br /&gt;- E tu, o  que é que fizeste?&lt;br /&gt;- Tentei explicar-lhe calmamente que a menstruação não é sexy. Disse-lhe para ponderar porque é que, havendo tantas vertentes na pornografia, para todos os gostos, não se viam filmes com mulheres menstruadas.&lt;br /&gt;- E ela?&lt;br /&gt;- Ela lá percebeu, ou pelo menos fingiu e não tocou mais no assunto.&lt;br /&gt;- E depois?&lt;br /&gt;- Depois fez-me um broche e eu vim-me embora cheio de complexos de culpa.&lt;br /&gt;- Pois, compreendo… Olha, o teu telefone está a tocar.&lt;br /&gt;- Estou sim? Sim, é o próprio. Sim, com certeza. Certo, está combinado então.&lt;br /&gt;- Novidades?&lt;br /&gt;- Sim, era da empresa onde fui fazer a entrevista.&lt;br /&gt;- A dizerem que não correspondias ao perfil que eles procuram?&lt;br /&gt;- Não. A pedir-me para começar na segunda-feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7700712159331101676?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7700712159331101676/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7700712159331101676&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7700712159331101676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7700712159331101676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/12/devaneio.html' title='Devaneio'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3026790311548598987</id><published>2009-12-28T11:47:00.002Z</published><updated>2009-12-28T11:57:57.450Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Arte #7</title><content type='html'>O intenso cheiro a éter atirou o cérebro do recém-chegado para a consciência como se o tivesse empurrado da orla de um abismo. Ainda antes de abrir os olhos, apercebeu-se que os movimentos dos seus braços e das suas pernas estavam fortemente condicionados. Passados os quatro segundos que a sua mente demorou a compreender a totalidade da situação, arregalou os olhos. Viu-se nu, coberto apenas por um pequeno lençol com uma abertura rectangular sobre o esterno, de tornozelos e pulsos amarrados a uma fria mesa metálica. Além das três paredes brancas e despidas, conseguia ver apenas um candeeiro cirúrgico que parecia pairar sobre si.&lt;br /&gt;Está aí alguém? Gritou passados poucos minutos. Isto é uma crueldade, vociferou, não sei quem tu és, mas nada te pode dar o direito de fazer isto às pessoas! Depois de alguns momentos de silêncio, os músculos do recém-chegado retesaram-se. O que eu vou fazer é dar um propósito superior à tua vida, disse uma voz que, apesar de perfeitamente inteligível, parecia provir dos confins da crosta terrestre, procurei-te durante muito tempo, não foi fácil encontrar um sujeito adequado, mas assim que senti a tua energia, soube que eras tu quem eu procurava. Ao contrário dos outros, senti que irias compreender, que és merecedor. O que é que me vais fazer, perguntou o recém-chegado com a voz trémula. Vais fazer parte de algo mais elevado, de algo sublime, respondeu, sibilante, a estranha voz. Mas eu não quero! Vociferou o recém-chegado. Não! Por favor, não me faças mal, choramingou, deixa-me ir embora. É por isso que abomino essa mesquinha espécie humana, por esse absurdo instinto de auto-preservação. Porque hão de dar tanta importância, ao ponto de rastejar e implorar, à vossa miserável existência face a coisas mais elevadas? O que importa a vida de um indivíduo? Que diferença vai fazer no mundo a tua morte? Nenhuma, absolutamente nenhuma. Que valor tem a tua vida face a algo etéreo e intemporal? Face a uma obra de arte? Nenhum, valor nenhum! Que animal de uma espécie dita inteligente e racional prefere sempre optar pela sua vida contra a possibilidade de contribuir para o mundo com algo infinitamente mais enriquecedor? A irritação na estranha voz subia de tom. Mas que raio de merda vai isto fazer pela humanidade, seu filho da puta? Gritou, irritado, o recém-chegado. Que merda vai a humanidade ganhar com essa aberração que estás a fazer? Arte, reles ser, arte, aquilo que existe com o único propósito de fazer sentir e pensar, respondeu a voz, algo capaz de nos fazer perceber a nossa insignificância. Revolta-me que, perante a possibilidade que te ofereço de contribuíres para a posteridade com algo realmente significativo, implores pateticamente pela tua indigente vida. É deplorável a existência de uma espécie tão mesquinha e abominável, terminou a voz, com um tom de verdadeiro asco. Mas eu contribuo, trabalho, produzo, argumentou o recém-chegado, cujo medo se ia, aos poucos, convertendo na mais pura ira, e até já arrisquei a vida por outros, já salvei a vida a várias pessoas! Infeliz verme, disse agressivamente a estranha voz, não consegues compreender o pauperismo de tais actos? Nem sequer sabes se tais pessoas o mereciam, talvez merecessem morrer, talvez só tenham prejudicado a sociedade no tempo adicional que cá andaram. Salvar uma pessoa não é mais que salvar uma formiga. É um esforço tão absurdo como o de tentar reimplantar no corpo uma célula que se desprendeu da pele. Que efeito terás na Humanidade? O que ficará dos teus feitos depois de desapareceres? Não vai ficar mais que uma ténue memória que rapidamente desaparecerá. O que eu te estou a oferecer é imortalidade. Compreendes, abominável ser? Um propósito e imortalidade!! Prova-me! Gritou o recém-chegado no píncaro da sua raiva. Prova-me que a minha morte vai fazer melhor que a minha vida. Quero uma prova! Uma prova? Repetiu a voz indiciando algum espanto. Concordo que mereces algum tipo de prova daquilo que defendo, mas não ta posso dar. A única prova possível seria veres a obra completa, mas isso é impossível, e seria impensável deixar-te vê-la inacabada. A não ser que… Após uma breve pausa, continuou. Está bem. Dado o nível da tua contribuição, parece-me apropriado. Prometo que vou dar-te o privilégio e a honra de seres o primeiro a ver o trabalho completo, o resultado final. &lt;br /&gt;Não conseguiu compreender porquê, mas o recém-chegado apercebeu-se que o temor o tinha abandonado por completo. Terá havido algo no discurso deste monstro que, a um nível inconsciente, tenha feito sentido? Pensou. A ira tinha-se também desvanecido. Não tenho escolha, pois não? Disse calmamente. Não obteve resposta. Por uma fracção de segundo, sentiu a consciência a esvair-se.&lt;br /&gt;Acorda, está pronta, ouviu alguém dizer suavemente. Durante os poucos segundos que levou a recuperar a consciência juraria ser a voz da sua mãe a chamá-lo para o pequeno-almoço, mas rapidamente se lembrou de onde estava. O recém-chegado abriu lentamente os olhos. Tinha uma almofada sob a cabeça que lhe permitia ver o que estava à sua frente. A sua visão começou por incidir nos tubos que, por entre grosseiras costuras, protuberavam do seu peito, bombeando o sangue que o mantinha vivo. Fraco, focou para mais longe e um agradável arrepio percorreu o seu corpo, seguido de uma intensa sensação de paz e plenitude. À medida que contemplava os detalhes da obra, a confortável sensação era pincelada com laivos de intensas emoções. Sentia-se cheio, vivo. Aos poucos a sua atenção foi-se concentrando no centro, onde, com um aspecto tão vívido como se continuasse dentro do seu peito, estava o seu coração. Todas as sensações e emoções se foram condensando num só sentimento que o recém-chegado apenas conseguiu identificar quando este se instalou por completo. Era orgulho que sentia, ardente orgulho. É maravilhoso, disse debilmente passados alguns momentos, obrigado, muito obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3026790311548598987?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3026790311548598987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3026790311548598987&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3026790311548598987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3026790311548598987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/12/arte-7.html' title='Arte #7'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-6109283077190905617</id><published>2009-12-23T18:50:00.003Z</published><updated>2009-12-29T12:20:41.963Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Arte #6</title><content type='html'>Os olhos do recém-chegado não se fecharam mais de um minuto seguido naquela noite. Claro que têm como, pensou, se a vontade for verdadeira, arranja-se solução. Será que eu conseguiria? Perguntou-se enquanto alternava o olhar entre as várias formas que se espalhavam junto às paredes fracamente iluminadas. Visualizou-se a ajustar as suas mãos à volta do pescoço de cada um dos seus companheiros de infortúnio. Tentou imaginar os seus rostos a dar o último suspiro. Projectou na sua mente os rostos deploráveis de cada um dos homens à mercê das suas mãos e, perplexo, sentiu-se capaz. Pelas suas figuras lastimáveis, não era tão difícil encaixar um acto tão atroz como sendo movido por compaixão. Coitados, pensou, é triste, mas basta olha para eles para achar que a morte seria um favor. Desviando o olhar para o vulto mais próximo de si, imaginou de seguida o rosto da mulher sem pernas no momento em que a sua vida se esvaía. Achou que seria mais difícil, a calma que conseguia transmitir-lhe criou em si uma empatia que não existia com os demais. Apesar disso, achou que poderia conseguir, se tivesse a certeza que era esse o seu desejo. Quando o encardido rosto da rapariga apareceu na sua mente, rapidamente percebeu que seria muito mais complicado. Apesar de suja e desgrenhada, a sua aparência não suscitava o mesmo nível de comiseração que os outros. Era uma visão excessivamente infausta, sem dúvida, mas não tinha comparação com as miseráveis figuras dos outros. Bastou imaginar os seus olhos tristes à espera do seu irreversível fado para ter a certeza que não conseguiria, mesmo que ela o desejasse. Desejou ardentemente que ela não o quisesse até que o seu pensamento dispersou. E a minha hora, quando chegará? Meditou contemplando os primeiros raios de sol reflectidos nas inúmeras partículas de pó em suspensão no ar deletério. &lt;br /&gt;Pouco tempo depois, como em todos os dias, o silêncio foi quebrado pelo ranger da portinhola. Como um funesto ritual, em resposta ao som, os vultos disformes começam a mover-se e a aproximar-se da porta. Cumprindo a sua parte, o recém-chegado imitou e regressou para junto da mulher com o medíocre pequeno-almoço de ambos.&lt;br /&gt;Preferias morrer? Perguntou baixo à mulher, tentando que ninguém o ouvisse, mas reparou que o velho levantou rapidamente a cabeça, virando para si o ouvido direito. A mulher virou a cabeça devagar na sua direcção. Já tive dias em que aceitaria a morte de bom grado, mas tenho outros em que me sinto feliz por ela não ter chegado, disse, em tom normal e sem qualquer preocupação com quem ouviria. Quase instantaneamente, o velho virou as suas órbitas ocas na direcção dos dialogantes. Porquê a pergunta? Disparou o velho do outro lado da cela. Disseste-me que só não acabaste com a tua vida porque não tinhas como, respondeu o recém-chegado. Disse e repito, retorquiu o velho no seu constante tom amargo. Pois agora já tens como, respondeu secamente o recém-chegado, ainda queres? Não penses que és o Einstein por teres pensado nisso, continuou o velho no mesmo tom, eu já tive essa ideia há muito tempo, mas seria incapaz de pedir uma coisa dessas a alguém, de pedir a alguém que, por mim, carregasse para o resto da vida o peso de ter tirado a vida a outro ser humano. Lentamente, o velho levantou-se e, da mesma forma que o faria se os seus globos oculares ainda se encontrassem no sítio devido, atravessou o espaço e ajoelhou-se em frente do recém-chegado. Estás a voluntariar-te? Perguntou aproximando tanto o seu rosto do do recém-chegado que este se contorceu de náusea ao cheirar o hálito do velho. Sim, voluntario-me, respondeu o recém-chegado sem pensar. Se me garantires que é isso que queres, eu faço-o. Garanto-te que é o que quero, não tenho qualquer dúvida, respondeu prontamente o velho. E tu? Perguntou. Tens a certeza que és capaz? Tens consciência de que nunca mais serás o mesmo? De que esse momento nunca, nunca mais se vai esbater na tua memória? Que vai ficar sempre tão vívido, que vais ter vontade de fazer um furo na cabeça para que as memórias escorram para fora? Pareces saber bastante sobre o assunto, disse o recém-chegado com uma nota de sarcasmo na voz. Não é isso que estamos a debater, respondeu rispidamente o velho. Pois não, retrucou o recém-chegado quase com a mesma rispidez, e já te disse que o faço, que te faço esse favor. Não sei o que aconteceu no teu caso, continuou mais delicadamente, mas se eu o fizer será um acto de misericórdia e será assim que o momento ficará registado na minha memória. Se continuar sempre vívido, fará sentir-me bem lembrar-me que tive coragem suficiente para, movido por puro altruísmo, conceder esse obséquio a alguém, por ter estado à altura da situação e ter feito o que tinha que ser feito. Está bem, convenceste-me, respondeu o velho aparentando estar algo divertido com o discurso, estou à espera. Faço-te esse favor, disse o recém-chegado enchendo o peito, com a condição de haver um dia de reflexão. Isto vale para todos, continuou, levantando o tom de voz. Pensem bem no assunto e dêem-me a vossa resposta amanhã. Não sei onde vou conseguir forças, mas eu faço-o. Faço-o por compaixão para convosco, mas também porque é a única vingança que vos posso proporcionar. Ao terminar o seu discurso, olhando para o rosto triste da rapariga, quase imperceptivelmente, rodou a cabeça para ambos os lados.&lt;br /&gt;Todos ficaram em silêncio virados para o recém-chegado por alguns momentos até que o homem sem braços quebrou a quietude. Eu também quero, disse, elevando o tom de voz mais do que seria necessário para que todos ouvissem. Eu também quero, repetiu mais baixo. Todos os rostos se viraram para si. Mesmo que ainda venha a sair daqui, que não acho que aconteça, que vida vou eu ter? Alguém aqui vai conseguir ultrapassar isto se conseguir sair daqui? Perguntou aos demais. Não, para mim chega, continuou, dirigindo-se ao recém-chegado, se me fazes o favor de não permitir que aquele ser abjecto continue a divertir-se a ver-me definhar, eu agradeço-te do fundo do meu coração. O recém-chegado acenou com a cabeça em consentimento e voltou-se para encontrar o olhar da mulher sem pernas. Eu vou pensar nisso, respondeu a mulher à pergunta não verbalizada.&lt;br /&gt;Enquanto todos se abstraíam, meditando sobre o assunto que se tinha discutido, o recém-chegado acercou-se da rapariga. Tu não precisas de pensar no caso, disse-lhe baixinho, mas sabendo que o velho o ouviria, nunca to conseguiria fazer, não entras para o acordo. Porquê? Perguntou a rapariga. Porque há uma pequena hipótese de saíres daqui e ainda vires a ter uma vida normal, respondeu o recém-chegado. Olha para eles, continuou enquanto percorria o espaço com um movimento do braço direito, mesmo que saíssem daqui, as feridas físicas e emocionais tomariam sempre conta da sua vida, acredito que, para eles, a morte é mesmo a única libertação possível, mas não para ti. Eu não quero morrer, disse a rapariga, olhando fundo nos olhos do recém-chegado, o que eu queria, já que não posso sair daqui, era ficar cá sozinha contigo. O olhar da rapariga desviou-se para uma racha no chão ao proferir a última frase. Porquê comigo? Perguntou espantado o recém-chegado. Tens braços, retorquiu a rapariga, continuando a percorrer lentamente com o olhar a fenda no chão, não és repulsivo, não és mais velho que o meu pai… O recém-chegado deslizou suavemente as costas do indicador direito na face encardida da rapariga, que levantou o olhar para encontrar o seu. A decisão não é minha, disse, mas se ficarmos cá os dois sozinhos, eu não vou poder ser mais que um irmão mais velho para ti. A rapariga virou violentamente a cara para o outro lado e, com passos rápidos, foi sentar-se no canto oposto abraçando as pernas.&lt;br /&gt;O resto do dia decorreu em silêncio. Com excepção do velho, que dormiu a maior parte do tempo, meditabundos, os restantes ocupantes mantiveram-se ensimesmados, provavelmente a pensar no que iria acontecer na manhã seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6109283077190905617?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6109283077190905617/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6109283077190905617&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6109283077190905617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6109283077190905617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/12/arte-6.html' title='Arte #6'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-4385247254624163894</id><published>2009-12-22T19:08:00.001Z</published><updated>2009-12-22T19:18:07.785Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Arte #5</title><content type='html'>Após algumas dezenas de minutos, durante os quais cada um se manteve silenciosamente imerso nos seus próprios pensamentos, o recém-chegado acercou-se da parede onde o velho mantinha o seu registo e ficou estático a olhar para a serpenteante fila de riscos na parede. Trezentos e oitenta e sete, disse o velho, provocando algum espanto no recém-chegado por parecer ter lido a sua mente. Estás cá há trezentos e oitenta e sete dias? Perguntou abismado o recém-chegado. Sim, respondeu o velho, fui o primeiro. Estive vários meses aqui sozinho, continuou, e só não acabei com a minha miserável existência porque não tinha como. Agora já nem me preocupo, estou mentalizado para acabar aqui os meus dias, só espero que esteja para breve. As palavras do velho provocaram uma imensurável tristeza no recém-chegado, que lutava por não desmoralizar e manter uma réstia de optimismo. Deduzo que a rapariga foi a última pessoa a chegar antes de mim, especulou o recém-chegado em tom interrogativo. Sim, de facto deduzes bem, embora o facto que provavelmente te levou a essa dedução não o comprove, respondeu o velho. Como assim? Perguntou o recém-chegado. Ele já a veio buscar uma vez, mas aparentemente não lhe fez nada, explicou o velho, ou pelo menos é o que parece e é o que ela diz, se calhar fez-lhe alguma coisa que ela não quer dizer, continuou em tom ponderativo. Bom, pelo menos não lhe fez nada que salte à vista, ao contrário do que aconteceu com o resto de nós, concluiu, percorrendo a sua longa cicatriz com a ponta do indicador da mão direita. Depois recostou-se na parede e cruzou as mãos sobre o abdómen, como se se preparasse para dormir.&lt;br /&gt;O recém-chegado deixou-se ficar alguns momentos em silêncio junto ao velho e aproximou-se depois da rapariga. Achas mesmo que ele não é humano? Perguntou com delicadeza. Não sei o que ele é, mas não acredito que um ser humano possa dar tão pouco valor à vida de outro, retrucou a rapariga. Pois, ainda és demasiado nova e ingénua, pensou o recém-chegado condescendentemente, mas limitou-se a acenar com a cabeça. E ele falou mesmo contigo? Sim, respondeu a rapariga com uma voz trémula, foi arrepiante. E o que é que ele te disse? Indagou o recém-chegado. Não me disse grande coisa, mas, apesar de não me ter feito mal, foi o suficiente para me deixar aterrorizada, respondeu a rapariga. Conta-me, pediu o recém-chegado. &lt;br /&gt;A rapariga respirou fundo, endireitou as costas como que reunindo forças e começou. Nunca ninguém aqui o viu nem teve nenhum contacto com ele, além do que me aconteceu a mim. Ninguém sabe sequer se é só um, ou mesmo se é humano. Sou quem está cá há menos tempo depois de ti e, quando cheguei, ninguém sabia absolutamente nada do que poderia estar a acontecer. Só sabiam que havia manhãs em que, ao acordarem, faltava uma pessoa. Essa pessoa normalmente, sem ninguém também saber como, aparecia noutra manhã, vários dias depois… A rapariga fez uma pausa e desviou o olhar para o velho que dormitava. Naquele estado, continuou, enfiando a cara não mãos sem conseguir conter o choro. O recém-chegado afagou-lhe o cabelo sujo e dirigiu-lhe algumas palavras de conforto. Podes abraçar-me? Pediu a rapariga. O recém-chegado abriu os braços e ela, encaixando-se nele, encostou a cabeça ao seu peito e fechou os olhos. &lt;br /&gt;Obrigado, disse ela, já recomposta, passado algum tempo. Não imaginas o que eu estava a precisar de um abraço. Tem um efeito quase milagroso, não achas? O recém-chegado limitou-se a murmurar uma interjeição afirmativa. A teoria geral é que libertam um gás anestesiante, disse a rapariga, retomando o assunto. Suponho que ninguém se surpreendeu quando, uma manhã, eu não estava lá, mas a minha história é diferente. Não acordei aqui, no mesmo estado que os outros. Então? Perguntou, curioso, o recém-chegado, como se estivesse esquecido que o que ouvia não era apenas uma história, mas sim uma cruel realidade onde estava também inserido. Acordei presa a uma espécie de mesa de operações, numa sala que parecia pertencer a um hospital antigo com um quase insuportável cheiro a éter. Pouco depois ouvi uma voz. Uma voz que não pode ser deste mundo, parecia que silvava e saia do fundo de um buraco. Causou-me verdadeiro pavor. O que é que ele disse? Perguntou o recém-chegado, cada vez mais empolgado. Essa é a parte mais estranha, pediu-me desculpa. O quê? Perguntou, incrédulo, o recém-chegado. Sim, respondeu a rapariga, foi perfeitamente educado e pediu-me desculpa porque eu não servia. Não servias? Porquê? E para quê? Indagou o recém-chegado. Não sei, respondeu a rapariga, além de pedir muita desculpa, ele só me disse que a matéria-prima tinha que estar imaculada e que eu não servia. Ainda bem, respondeu apenas o recém-chegado, sorrindo. Corada, desviando os olhos, a rapariga sorriu também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-4385247254624163894?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/4385247254624163894/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=4385247254624163894&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4385247254624163894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4385247254624163894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/12/arte-5.html' title='Arte #5'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-5338701583778496553</id><published>2009-12-21T12:13:00.001Z</published><updated>2009-12-21T12:16:30.829Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Arte #4</title><content type='html'>Porque se referem sempre a “ele”, perguntou o recém-chegado, porque é que acham que é só uma pessoa? Nas poucas e curtas mensagens que já nos deixou escritas assina “Escultor”, respondeu a mulher, mas eu não acredito que ele consiga fazer tudo sem ajuda. Haverá de certeza outros que o ajudam, mas tudo aponta para que seja mesmo à mercê de apenas uma pessoa, humana ou não, que estamos. E o que diziam essas mensagens? Continuou, curioso, o recém-chegado. A mulher enfiou a mão por dentro da camisa suja e esfarrapada e retirou de lá dois pedaços dobrados de papel amarelado e entregou-os ao recém-chegado. Depois de alguns segundos a olhar para os pedaços de papel pousados na palma da sua mão, o recém-chegado pegou num deles e abriu-o. Estava encardido e emanava um cheiro estranho e desagradável. “Dignitários sois de grave prerrogativa” era o que estava escrito, notoriamente a aparo, numa letra extremamente cuidada e floreada. O papel amarelado e a letra manuscrita faziam a mensagem aparentar ter séculos de existência. Voltou a dobrar cuidadosamente o pedaço de papel e, com o mesmo cuidado, abriu o outro. “Compreendei a vossa fortuna” estava escrito na segunda nota, na mesma letra trabalhada. Escultor… O recém-chegado leu alto a palavra que assinava ambas as notas. Escultor… Repetiu para si próprio, dirigindo o olhar para a janela que deixava entrar alguns raios de sol. Dignitários sois de imensa prerrogativa? Compreendei a vossa fortuna? Que merda quer isto dizer? Perguntou o recém-chegado à atmosfera, em tom irritado. Pelo que percebo, ele ou vai recompensar-nos, ou acha que nos está a fazer bem, respondeu a mulher, sem nunca mostrar abalada a sua pacatez. Estás a ver o nível do filho da puta? Disparou o velho, do outro lado da cela. Ainda acha que nos está a fazer um favor, o grande pulha. Se queria ser decente, pelo menos dava-nos alguma escolha. Eu nunca disse que achava bem o que ele nos está a fazer, retorquiu a mulher, apenas elevando a volume da sua voz, mas mantendo no mesmo tom calmo, mas é por isto que acho que ele não nos está a fazer mal apenas para satisfazer um qualquer depravado desejo sádico. Não acho que o objectivo de tudo isto seja apenas fazer-nos sofrer. A última frase foi proferida mais suavemente e dirigida ao recém-chegado, que lhe retribuiu um olhar compreensivo.&lt;br /&gt;O recém-chegado sentou-se ao lado da mulher sem pernas. Sabes, isto pode ser também uma forma cruel de brincar com as nossas mentes, com a nossa sanidade mental, disse baixinho. Claro que pode, respondeu a mulher quase de imediato, não penses que não coloco essa possibilidade, mas, como não tenho provas nem dessa, nem da outra hipótese, e já que não posso fazer nada, prefiro acreditar na que me é mais confortável.&lt;br /&gt;Ele mostra-se, perguntou o recém-chegado, alguém já o viu? Não, respondeu o homem sem braços com a sua voz débil, quando vem buscar alguém, só nos apercebemos quando acordamos. Ele deve usar alguma coisa para nos pôr a dormir profundamente. É um vampiro, um monstro, disse a jovem rapariga, levantando a voz. Não há monstros ou vampiros, disse o velho com alguma irritação na voz, o que há é seres humanos capazes das maiores barbáries. Os monstros somos nós, os maiores monstros que cá andam, e basta conhecer um bocadinho da nossa história ou simplesmente ver as notícias para perceber isso. E a voz? Aquela voz não pode ser humana, gritou a jovem rapariga, roçando a histeria, dizes isso porque nunca lhe ouviste a voz. Ela foi a única com quem ele já falou, esclareceu o homem sem braços, dirigindo-se ao recém-chegado, não sabemos porquê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-5338701583778496553?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/5338701583778496553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=5338701583778496553&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5338701583778496553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/5338701583778496553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/12/arte-4.html' title='Arte #4'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-4338004775173632579</id><published>2009-12-17T18:56:00.001Z</published><updated>2009-12-17T18:56:41.345Z</updated><title type='text'>A parte de dentro para fora</title><content type='html'>“Não é o que metemos dentro de nós que nos define, mas sim aquilo que sai de nós”, disse-me uma vez um amigo. Pessoa muito interessante, constantemente à procura de novas emoções, totalmente agarrado às drogas. Concordo. Acho que estava imerso em razão. É uma pena ter morrido tão jovem…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-4338004775173632579?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/4338004775173632579/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=4338004775173632579&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4338004775173632579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4338004775173632579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/12/parte-de-dentro-para-fora.html' title='A parte de dentro para fora'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7244380900172010851</id><published>2009-11-25T20:11:00.001Z</published><updated>2009-11-25T20:11:31.597Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Arte #3</title><content type='html'>&lt;p&gt;A tua calma, apesar de conseguir contagiar um bocado, não deixa de ser desconcertante, disse o recém-chegado, sentando-se ao lado da mulher, como é que consegues estar sempre tão tranquila? Por acaso ganho alguma coisa em enervar-me, em andar em constante amargura? Perguntou pacatamente a mulher, inclinando a cabeça na direcção do velho ao proferir a última frase. Não, de facto não, respondeu o recém-chegado. Pois, continuou a mulher, não ganho nada e, como a forma como lido com a nossa situação não tem qualquer influência na realidade, acho que mais vale manter a calma e aceitar o destino. O que é que ele ganhou com a inconformidade? Concluiu olhando directamente para o velho. Nada, não ganhei nada, gritou o velho lá do fundo no seu quase constante tom agressivo, mas eu não escolho reagir assim, vocês falam como se fosse uma opção e não é. Achas que me faz sentir bem ter este turbilhão dentro de mim que só me deixa pensar nas atrocidades que faria ao filho da puta se o apanhasse? Perguntou amargamente o velho. Não faz, mas é o que me mantém vivo. E cada vez acredito mais que isso não é uma vantagem. Cada vez acredito mais que não ganho nada em manter-me vivo, mas não consigo controlar esta revolta. Se quiseres ter a amabilidade de partilhar o teu segredo, sou todo ouvidos, concluiu sarcasticamente. Não tenho um segredo, nenhuma fórmula mágica, respondeu a mulher com amabilidade, apenas racionalizo a situação e, ao perceber que não há nada que eu possa fazer para mudar a minha situação, conformo-me. É a forma como funciono, apenas isso. Não achas que esse conformismo está num patamar próximo da abjecta cobardia? Perguntou o velho no mesmo tom sarcástico. Não achas que isso é aquilo a que as pessoas chamam sangue de barata? O recém-chegado desviou rapidamente o olhar para o rosto da mulher na esperança de apanhar algum esgar repentino que lhe provasse que conseguia ter emoções. Desejou ver alguma expressão de desagrado face às palavras do velho, fá-lo-iam respeitá-la mais, já que também não concordava com tal apatia, mas isso não aconteceu. A mulher manteve-se impávida e esboçou até um sorriso ao responder. Se houvesse algo que eu pudesse fazer e eu tivesse esta atitude, sim, seria cobardia, sangue de barata ou aquilo que lhe quiseres chamar, disse, mas não havendo, parece-me mais uma postura inteligente do que cobarde. Tens alguma ideia? Perguntou, intrépida, a mulher. Se achas que há alguma coisa que eu possa fazer para nos ajudar, partilha, por favor. O velho grunhiu e virou-se de costas. Foi o que eu pensei, continuou, nesse caso acho que não tens argumentos para criticar a minha postura. Já que vou morrer, ao menos não vou viver todo o tempo que me resta até lá aterrorizada por isso. Acho até que já nada me aterroriza. Achas mesmo que não há absolutamente nada que possamos fazer? Perguntou, desalentado, o recém-chegado. Olha à tua volta, respondeu a mulher, e conta-me qualquer ideia que tenhas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Após alguns minutos a percorrer a cela com o olhar, o recém-chegado compreendeu a mulher. Não havia nada. Nada que pudesse ser usado como arma, nada que permitisse a alguém acabar com a própria vida, nada. Invadido por uma tristeza avassaladora, deitou-se em posição fetal e ali ficou até finalmente adormecer.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7244380900172010851?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7244380900172010851/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7244380900172010851&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7244380900172010851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7244380900172010851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/11/arte-3.html' title='Arte #3'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3962240340988341007</id><published>2009-11-23T16:49:00.001Z</published><updated>2009-11-23T16:49:55.101Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Arte #2</title><content type='html'>&lt;p&gt;Conseguiu sentir algo semelhante a uma sensação de alívio quando, pouco depois dos primeiros raios de sol começarem a entrar pela pequena janela, os vultos disformes começaram a assumir formas humanas. A sensação foi abruptamente cortada quando as silhuetas se tornaram mais nítidas e o recém-chegado percebeu que algo não parecia normal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Antes que pudesse processar as informações que o seu cérebro recebia das retinas, uma ranhura abre-se na desgastada, mas robusta, porta de ferro, através da qual um tabuleiro com alimentos foi introduzido no espaço. Lentamente, as figuras distantes aproximaram-se dele e pôde vê-los com revoltante detalhe.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O primeiro que, coxeando, se acercou do tabuleiro era um homem já de alguma idade. Apesar da sua deplorável condição o fazer parecer muito envelhecido, achou que não devia ter muito mais que cinquenta anos. Estava extremamente magro e o seu tronco nu apresentava uma grotesca e retorcida cicatriz que se perdia em direcção às costas. Conforme cambaleava na sua direcção, o recém-chegado deixou cair o queixo ao reparar nas sua órbitas ocas. Os olhos do homem tinham sido cuidadosamente extraídos, dando ao seu rosto a aparência de uma caveira. Quem poderia fazer uma coisa destas a alguém, pensou ainda por um instante antes do homem quebrar o silêncio. Estou a ver que temos mais um, disse roucamente, mas não ocorreu ao filho da puta pôr mais comida! Exclamou, virando o seu grotesco rosto na direcção do recém-chegado ao mesmo tempo que partia, o mais irmãmente que conseguiu, o pão em cinco pedaços. Não precisas de te assustar, eu sei que não tens culpa, acrescentou dirigindo-se ao recém-chegado como se tivesse percebido o temor nos seus olhos. Estamos todos no mesmo barco, concluiu enquanto se sentava mordiscando o seu pedaço de pão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando o homem se calou, o recém-chegado desviou a sua atenção para as outras duas pessoas que se movimentavam. Uma encardida menina, que achou ter entre doze e catorze anos ajudava um homem mais velho a levantar-se. O homem teria algo entre trinta e quarenta anos, o seu estado sujo e subnutrido impedia uma estimativa com mais precisão. A aproximação permitiu confirmar o que a sua silhueta já tinha feito inferir, os seus braços tinham sido amputados. A rapariga ajudou-o a sentar-se e, recolhendo dois pedaços de pão, sentou-se junto dele dando-lho à boca enquanto comia o seu. No momento de silêncio que se seguiu, a rapariga, que não apresentava qualquer mutilação visível, dirigiu o seu olhar ao recém-chegado e nele, este viu a mais intensa comiseração. Estava quase a ir-se abaixo perante o triste fado que a cena e o olhar da rapariga deixavam adivinhar para si, quando uma voz o distraiu.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Então, conseguiste dormir? Podes trazer-me o meu pão, se fazes favor? Virou a cara na direcção da voz e confirmou que provinha da mulher sem pernas. A sua voz era doce, quase maternal e ficou surpreendido ao perceber que conseguiu transmitir-lhe algum alento. Claro, disse o recém-chegado enquanto se apoderava dos dois últimos pedaços de pão. Entregou um à mulher, que lhe sorriu, e deixou-se ficar, pensativo, a olhar para o seu. Não consigo comer, disse após alguns minutos, nauseado com o cheiro e com um nó no estômago causado pelo nervosismo. Com alguma dificuldade dividiu o seu pedaço de pão em quatro partes e distribuiu-as entre os demais que o receberam com um misto de espanto e gratidão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em silêncio, o recém-chegado percorreu as paredes com o olhar, várias áreas estavam gravadas com palavras que não conseguia ler de onde se encontrava e, aparentemente, havia quem estivesse a tentar manter um registo do tempo em que se mantinha cativo. O enorme número de toscos traços gravados nessa parede fizeram-no perder toda a esperança que ainda mantinha que o pesadelo não durasse muito. Continuando a sua observação, com um esgar enojado, cerrou os olhos ao deparar-se com o canto de onde provinha o fedor. É um pesadelo, é isso, é só um pesadelo e daqui a pouco vou acordar, pensou.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Deves ter perguntas. A voz retirou-o da sua catatonia e fê-lo abrir novamente os olhos. Provinha do homem sem braços que, apesar da amargura da sua voz, lhe dirigia um olhar empático. Sim, apesar de conseguir adivinhar algumas coisas, quero saber porque estamos aqui, porquê nós, quem é que nos mantém aqui presos, disse em tom algo suplicante. Bom, disse o velho, antecipando-se ao outro homem, os porquês também eu gostava de saber. Quem, continuou após pigarrear para clarear a voz, também não sabemos ao certo, sabemos apenas que é um filho da puta cruel e demente. Demente, sem dúvida, cruel, não sei, interveio a mulher sem pernas. Não acha que ele seja cruel? Perguntou o recém-chegado, olhando atónito para ela. Aqui tratamo-nos todos por tu, disse com a sua estranha calma, e não, não acho, pelo menos, que seja uma crueldade calculada ou propositada. Acho que somos algo como moscas que uma criança guarda dentro de um frasco, continuou, acho que ele não tem realmente consciência do mal que nos faz, qual criança que arranca as asas de uma mosca. Será cruel, de facto, mas não deixa de ser inocente, concluiu cruzando as mãos sobre o ventre. Ele não é humano, disse, aterrorizada, a jovem rapariga, que, assim que o recém-chegado virou para si a sua atenção, baixou a cabeça, olhando timidamente o chão, não é humano, repetiu num sussurro. Então o que é que ele é? Perguntou o recém-chegado à rapariga. Esta, levantou a cabeça apenas o suficiente para que os seus olhares se cruzassem e limitou-se a encolher os ombros. Seja humano ou não, para mim é um filho da puta, disse o velho enquanto se levantava para se dirigir à parede junto de onde tinha dormido e se dedicar a, pacientemente, adicionar, com a unha do polegar da mão direita, mais um risco à incontável fila que lá estava gravada.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3962240340988341007?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3962240340988341007/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3962240340988341007&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3962240340988341007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3962240340988341007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/11/arte-2.html' title='Arte #2'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7089475613335726693</id><published>2009-11-20T17:02:00.002Z</published><updated>2009-11-23T16:52:07.008Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Arte #1</title><content type='html'>&lt;p&gt;O odor fétido que pairava no local invadiu as narinas do recém-chegado assim que acordou. Revolveu-lhe imediatamente o estômago e colocou-lhe na face uma expressão de extrema náusea. Acabas por te habituar ao cheiro, disse uma voz feminina, se precisares de vomitar, tenta usar aquele canto. O recém-chegado levantou a cabeça e vislumbrou a origem da voz. Era uma mulher de meia idade cujas feições, dada a fraca iluminação, não conseguiu distinguir bem, percebendo apenas que era extremamente magra. Com um grande esforço, o recém-chegado elevou o torso, ficando sentado no chão. Semicerrou os olhos numa tentativa de distinguir o contorno da mulher e arregalou-os ao parecer-lhe que não tinha pernas! Estava sentada no chão, encostada a uma parede e, agora que os seus olhos se tinham já habituado à penumbra, percebia facilmente que o seu corpo acabava pouco mais de um palmo abaixo da cintura.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Onde estamos? Perguntou debilmente. E porque é que cheira tão mal? Onde estamos não sei, respondeu a mulher com uma desconcertante calma, mas bem que podemos estar no inferno, concluiu voltando a encostar a cabeça à parede. O cheiro é uma consequência natural da falta de condições sanitárias, mas vai custando cada vez menos suportá-lo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com um esforço quase sobre-humano para controlar o medo, o recém-chegado perscrutou o local, fracamente iluminado pela parca luz que entrava por uma clarabóia junto ao tecto. Não conseguiu perceber se o ténue brilho provinha do luar ou de um candeeiro da rua, mas permitiu-lhe distinguir mais três pessoas que pareciam dormir no chão, junto à parede do seu lado direito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas o que é que se passa? Porque é que estamos aqui? A última coisa que eu me lembro é de estar a aproximar-me da porta da minha casa e sentir uma dor aguda. Depois disso só me lembro de acordar aqui. O nervosismo do recém-chegado quase impedia as suas palavras de saírem de forma inteligível. Desculpa, mas estou muito cansada, respondeu a mulher sem pernas, sabes, continuou com a mesma fleuma, ele não nos dá muito para comer. Tenta dormir, terás muito tempo para tentar obter respostas para todas as tuas questões. Não queria ser incomodativo, desculpou-se o recém-chegado, mas, como é que consegues manter essa calma? Perguntou perplexo. Ganho alguma coisa em enervar-me? Perguntou a mulher, em resposta. Não, respondeu, de facto não, mas… Amanhã, interrompeu a mulher, amanhã…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Resignado, o recém-chegado encostou-se à parede e tentou descontrair. Torrentes de pensamentos açulavam-lhe a mente e assolavam-lhe a presença de espírito, cada um mais assustador que o anterior e não conseguiu conter as lágrimas. A noite foi passada em constante luta contra os pesadelos que teve acordado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7089475613335726693?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7089475613335726693/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7089475613335726693&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7089475613335726693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7089475613335726693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/11/arte-1.html' title='Arte #1'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7836143352670108343</id><published>2009-08-31T20:55:00.001+01:00</published><updated>2009-08-31T20:55:36.660+01:00</updated><title type='text'>Ainda o Ernesto</title><content type='html'>&lt;p&gt;Almocei ontem com o Ernesto. Já não o via há algum tempo. Está um homem novo, até os olhos brilham de outra forma! Diz que já está noutra. Que cresceu, amadureceu e que as carnes vermelhas já não o fascinam. Diz que encontrou finalmente o verdadeiro e genuíno amor. Tem numa relação estável com um presunto de Barrancos e diz que nunca tinha tido sexo com tal categoria. E a verdade é que se lhe vê a satisfação estampada na cara. Este Ernesto é um prato, é mesmo um daqueles tipos tão decentes que merece mesmo ser feliz. Está até a pensar em mudar-se para o Canadá para poderem casar. Estou tão contente por ele…&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7836143352670108343?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7836143352670108343/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7836143352670108343&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7836143352670108343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7836143352670108343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/ainda-o-ernesto.html' title='Ainda o Ernesto'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-707910962460833211</id><published>2009-08-28T17:40:00.001+01:00</published><updated>2009-08-28T17:40:52.294+01:00</updated><title type='text'>Outra vez o Ernesto</title><content type='html'>&lt;p&gt;Coitado do Ernesto, anda tão triste. Diz que queria ter relações mais duradouras, mas que, apesar de todos os seus esforços, ao fim de algum tempo as coisas estragam-se e começam a cheirar mal. Tenho mesmo pena dele. É que é um gajo que se vê que tem muito amor para dar e é desolador acompanhar estas desilusões. Eu ainda lhe propus que a congelasse, mas ele diz que ela depois fica demasiado fria na cama.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-707910962460833211?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/707910962460833211/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=707910962460833211&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/707910962460833211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/707910962460833211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/outra-vez-o-ernesto.html' title='Outra vez o Ernesto'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-6527950758901906973</id><published>2009-08-27T17:35:00.002+01:00</published><updated>2009-08-27T18:16:17.058+01:00</updated><title type='text'>O Ernesto</title><content type='html'>&lt;p&gt;Para mim o Ernesto não deixa de ser um tipo normal. Tem as suas particularidades, claro, mas quem as não tem? É amigo do seu amigo e isso é que interessa. É daqueles tipos de quem é difícil não gostar. Um gajo sentimental, afável, sempre a fazer-nos rir, um porreiraço! O que cada um faz na privacidade do seu lar não é da conta de ninguém, e eu até acho que há ali amor. Que diferença é que me faz que ele esteja perdidamente apaixonado por uma peça do pojadouro? Não deixamos de fazer as nossas cartadas em casa dele por causa disso, já sabemos que não podemos mexer naquele frigorífico e corre tudo bem.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6527950758901906973?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6527950758901906973/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6527950758901906973&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6527950758901906973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6527950758901906973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/o-ernesto.html' title='O Ernesto'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3589653162632970649</id><published>2009-08-25T17:08:00.002+01:00</published><updated>2009-08-25T17:14:43.736+01:00</updated><title type='text'>1002 palavras</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SpQNnc6qhuI/AAAAAAAAAIU/LXA23zECs3Q/s1600-h/Imagem0625.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SpQNnc6qhuI/AAAAAAAAAIU/LXA23zECs3Q/s400/Imagem0625.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373935226788153058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3589653162632970649?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3589653162632970649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3589653162632970649&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3589653162632970649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3589653162632970649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/1002-palavras.html' title='1002 palavras'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SpQNnc6qhuI/AAAAAAAAAIU/LXA23zECs3Q/s72-c/Imagem0625.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7753127993993505325</id><published>2009-08-17T17:34:00.000+01:00</published><updated>2009-08-17T17:36:05.749+01:00</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>È o fazer&lt;br /&gt;È o dar sem pensar em receber&lt;br /&gt;È o prometer e cumprir&lt;br /&gt;È o não omitir&lt;br /&gt;É o sentir&lt;br /&gt;E perante os obstáculos é o nunca desistir&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7753127993993505325?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7753127993993505325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7753127993993505325&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7753127993993505325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7753127993993505325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/curtas.html' title='Curtas'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-6508557099534109266</id><published>2009-08-13T19:47:00.003+01:00</published><updated>2009-08-13T19:52:17.887+01:00</updated><title type='text'>Assspray</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Lmy9R_WtPbg&amp;amp;color1=0xb1b1b1&amp;amp;color2=0xcfcfcf&amp;amp;hl=en&amp;amp;feature=player_embedded&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Lmy9R_WtPbg&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=en&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.4aspray.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;:|&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6508557099534109266?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6508557099534109266/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6508557099534109266&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6508557099534109266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6508557099534109266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/assspray.html' title='Assspray'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-1022479730305091081</id><published>2009-08-11T19:29:00.002+01:00</published><updated>2009-08-11T19:33:13.751+01:00</updated><title type='text'>Motivação</title><content type='html'>- E vai ela e diz: "mas esse é o meu botão!!!".&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- "Esse é o meu botão!", não percebeste?&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;- Há algum problema com a tua comida? Porque é que estás a olhar assim para o prato??&lt;br /&gt;- Estava aqui a ver se conseguia perceber a motivação de alguém que põe ervilhas no arroz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-1022479730305091081?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/1022479730305091081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=1022479730305091081&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1022479730305091081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1022479730305091081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/motivacao.html' title='Motivação'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2244549565434362014</id><published>2009-08-11T19:21:00.003+01:00</published><updated>2009-08-11T19:28:38.099+01:00</updated><title type='text'>Era tecnológica, my ass</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Já temos maravilhas como salsichas de soja, hamburgers de tofu, até farinheiras vegetais… Mas ainda não é possível comer uma peça de fruta feita inteiramente de porco...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(já sei, e não, não planeio fazer carreira, mas que isto andava a precisar de uma idiotice, andava :)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2244549565434362014?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2244549565434362014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2244549565434362014&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2244549565434362014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2244549565434362014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/era-tecnologica-my-ass.html' title='Era tecnológica, my ass'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-9133900910287863200</id><published>2009-08-11T19:18:00.002+01:00</published><updated>2009-08-11T19:21:19.655+01:00</updated><title type='text'>SW - Momentos mais marcantes</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SoG2XexHwXI/AAAAAAAAAIM/2pkcbC_z3vk/s1600-h/Imagem0606.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368772745314681202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SoG2XexHwXI/AAAAAAAAAIM/2pkcbC_z3vk/s400/Imagem0606.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SoG2W-4uKxI/AAAAAAAAAIE/PqfhF999WU0/s1600-h/Imagem0604.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368772736756624146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SoG2W-4uKxI/AAAAAAAAAIE/PqfhF999WU0/s400/Imagem0604.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-9133900910287863200?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/9133900910287863200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=9133900910287863200&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/9133900910287863200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/9133900910287863200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/08/sw-momentos-mais-marcantes.html' title='SW - Momentos mais marcantes'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SoG2XexHwXI/AAAAAAAAAIM/2pkcbC_z3vk/s72-c/Imagem0606.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-9027120545830421494</id><published>2009-07-09T12:49:00.002+01:00</published><updated>2009-07-09T12:54:24.297+01:00</updated><title type='text'>Brüno</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Se aquilo for mesmo verdade, o gajo tem mais tomates que o Charles Bronson e o Chuck Norris juntos...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-9027120545830421494?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/9027120545830421494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=9027120545830421494&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/9027120545830421494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/9027120545830421494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/07/bruno.html' title='Brüno'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' 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href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8703861016768543223&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8703861016768543223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8703861016768543223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/07/sleepless-heart.html' title='Sleepless Heart'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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href="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTt2ovM5KI/AAAAAAAAAH0/w2tqQJdIFNs/s1600-h/Imagem0576.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351663780127106210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTt2ovM5KI/AAAAAAAAAH0/w2tqQJdIFNs/s400/Imagem0576.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7062179797448129197?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7062179797448129197/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7062179797448129197&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7062179797448129197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7062179797448129197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/06/curioso-efeito-de-luz.html' title='Curioso efeito de luz'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTt-1FlqTI/AAAAAAAAAH8/Ikvjg_DA6Lk/s72-c/Imagem0578.jpg' height='72' 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src="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTsDro3KwI/AAAAAAAAAHc/SXCVwI7akas/s400/Imagem0554.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTsDQTbweI/AAAAAAAAAHU/KA0uALrs83s/s1600-h/Imagem0556.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351661797883232738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTsDQTbweI/AAAAAAAAAHU/KA0uALrs83s/s400/Imagem0556.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqrFgDNDI/AAAAAAAAAHM/ZwpD2BXqWWs/s1600-h/Imagem0547.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351660283154871346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqrFgDNDI/AAAAAAAAAHM/ZwpD2BXqWWs/s400/Imagem0547.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqqw-s9_I/AAAAAAAAAHE/ZwPKxHp0KCM/s1600-h/Imagem0557.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351660277646292978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqqw-s9_I/AAAAAAAAAHE/ZwPKxHp0KCM/s400/Imagem0557.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqqhO6JpI/AAAAAAAAAG8/IsFm49tokNg/s1600-h/Imagem0560.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351660273419298450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqqhO6JpI/AAAAAAAAAG8/IsFm49tokNg/s400/Imagem0560.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqqiSopgI/AAAAAAAAAG0/3HhtK9gBbA8/s1600-h/Imagem0561.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351660273703364098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqqiSopgI/AAAAAAAAAG0/3HhtK9gBbA8/s400/Imagem0561.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqqe_Z7BI/AAAAAAAAAGs/zh-5NbsEHkc/s1600-h/Imagem0580.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351660272817400850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTqqe_Z7BI/AAAAAAAAAGs/zh-5NbsEHkc/s400/Imagem0580.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3101308579538578921?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3101308579538578921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3101308579538578921&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3101308579538578921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3101308579538578921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/06/regaleira.html' title='Regaleira'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SkTsSyIlusI/AAAAAAAAAHk/QEYq32-3POg/s72-c/Imagem0551.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8872388703478018506</id><published>2009-06-22T19:16:00.001+01:00</published><updated>2009-06-22T19:16:41.883+01:00</updated><title type='text'>A Peça ou Será estúpido?</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não consigo, estou demasiado nervoso, disse o jovem actor, porque é que a primeira cena a sério da minha vida tinha que ser logo um monólogo? Eu também não sei o que é que o encenador viu em ti para achar que este papel tinha que ser teu, mas alguma coisa há-de ter sido, respondeu o segundo actor. Mas o teatro está cheio, e eu não consigo parar de tremer, continuou o jovem actor, como é que eu alinhei nisto? Pois que agora é tarde demais para te acobardares, respondeu o segundo actor com alguma aspereza, aceitaste a responsabilidade, agora tens que cumprir. Vais ver que depois de passarem aqueles momentos iniciais de pânico, a coisa começa a fluir, continuou em tom paternalista, entra no personagem e dá tudo de ti. E no fim… os aplausos, meu caro… quando sentires os aplausos vais querer fazer isto até morrer. Não há sensação que se compare a uma ovação de pé. Agora, vai-te a eles e ajuda-nos a conseguir uma esta noite! Concluiu, numa derradeira tentativa de encorajar o jovem actor a enfrentar a multidão, enquanto o empurrava para o palco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Assim que a força provocada pelo empurrão desapareceu, num movimento súbito e instantâneo, o jovem actor inspirou e colocou-se muito direito. Já não tremia. Deu duas voltas ao palco, olhando, empertigado, a audiência. Por fim, parou na frente do público e, com uma postura algo napoleónica, começou.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quem sois vós? Todos vós? A que pensais vir aqui assistir? Teatro? Não, nada disso, pois que não será teatro que vereis. Vereis vida, meus caros, vereis vida desenrolar-se perante os vossos olhos. Vereis pessoas boas, ou talvez não, pessoas más, ou que tiveram apenas azar. Conseguireis saber onde se escondem os Messias? Onde se escondem os Judas? Podeis, ingenuamente, pensar que sim, mas eu garanto-vos que não, meus caros, não sabereis. Preparai-vos, pois os momentos que se seguem poderão mudar as vossas vidas. Poderão tornar-vos novas pessoas e, àqueles que não conseguirem deixar hoje esta sala mais ricos e preenchidos, nada mais posso fazer senão comiserar-vos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Boquiabertos, o encenador e os outros actores assistiam à cena a partir dos bastidores. O que é que aquele maluco está a fazer? Perguntou, atónito, o segundo actor. Nada daquilo está no guião! Ei, estou a falar contigo! O encenador virou os seus olhos aguados para o outro actor e fitou-o por alguns segundos antes de responder. Genial, disse, emocionado, eu sabia que havia qualquer coisa de especial naquele miúdo. Senti-o mas minhas entranhas. Genial… Repetiu enquanto dirigia novamente a sua atenção para o palco, no momento em que o jovem actor terminava o seu monólogo e que, como que movida por um impulso comum, toda a platéia aplaudia intensa e copiosamente. Com uma vénia suave, em que quase só o seu pescoço se moveu, o jovem actor saiu de cena, transformando-se novamente na pessoa que era antes de ter pisado o palco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os seus olhos transbordavam temor quando encontraram os do encenador. Desculpe, não sei o que me deu, disse, envergonhado. Nem acredito que estejas a pedir-me desculpa? Retorquiu o encenador. Foi brilhante, continuou, olha, disse enquanto levantava o braço direito e mostrava ao jovem actor os seus pelos eriçados. Eu vi um brilho especial nos teus olhos, mas nunca pensei que pudesse significar tanto, prosseguiu, visivelmente emocionado. Eu nunca faço isto, mas vamos já alterar os planos. Vou ser eu a representar os teus papéis nas outras cenas e tu vais só entrar entre cada uma delas e improvisar. As pernas do jovem actor fraquejaram e os seus olhos arregalaram-se. Desculpe, mas acho que não consigo, disse o jovem actor com a voz trémula, não tive qualquer controle sobre mim quando estava no palco, não tenho nenhuma garantia de que possa voltar a correr bem. Não te preocupes, respondeu, tranquilizador, o encenador, tu nasceste para isto! Tenho a certeza que vai correr maravilhosamente. Só tens que entrar em cena e vais ver que tudo acontece naturalmente. Bom… Vou dar o meu melhor, respondeu, hesitante, o jovem actor. A cena está a terminar, prepara-te, disse, energicamente, o encenador, quando o último sair do palco, tu entras. Agora, vá! Muita merda, muita merda! Sem pensar, o jovem actor reagiu às palavras que lhe eram dirigidas e invadiu o palco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seguiu a orla do palco, fixando os olhos do maior número de espectadores que conseguiu. Ao chegar ao extremo oposto parou por alguns momentos, deu meia volta e começou a falar enquanto percorria a trajectória inversa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Preparai-vos, meus caros. Preparai-vos para, quando daqui sairdes, enfrentar um novo mundo. Ver novas formas, novas cores. Ver as pequenas coisas da vida com outros olhos. Reparar em pormenores que nunca antes havíeis reparado e compreender a sua importância. Preparai-vos para navegar dentro das vossas próprias mentes, onde fareis mirabolantes viagens de descoberta, onde vos deparareis com o vosso centro, a vossa medula, com o vosso verdadeiro ser. Aí, vereis com clareza o belo e o horrendo, o sublime e o banal, o bem e o mal. Tornar-vos-eis pessoas, pessoas reais e plenas, em vez de vulgares seres humanos. Sei que viestes à procura de algo, de algo magnificente. Pois encontrareis. Não tenhais dúvidas que, se abrirdes as vossas mentes e os vossos corações, encontrareis. Concluiu enquanto abria os braços e deixava a cabeça cair para trás.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando o jovem actor se retirou do palco, deparou-se com o encenador de lágrimas nos olhos. Fenomenal, disse-lhe, tens verdadeiramente um dom. Abençoado seja o dia em que entraste neste teatro. Um talento como o teu não se encontra muitas vezes na duração de uma vida. O jovem actor limitou-se a, envergonhado, fixar os olhos no chão. Nem me conheço, disse entre dentes. Não, retorquiu prontamente o encenador, agora é que te estás finalmente a conhecer. Eu compreendo que não pareça, mas aquele és tu. Aquela pessoa que ali esteve está dentro de ti, é parte integrante de quem és. Acredita! Temos agora a última cena, continuou, mas eu quero que entres ainda outra vez depois dela. O público quer mais de ti, tenho a certeza. Quando a cena acabar, entras e fazes a conclusão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando chegou o momento, o jovem actor caminhou lentamente palco adentro, de olhos no chão, acariciando o queixo com um ar pensativo. Quando chegou ao centro do palco, parou, de costas para o público. Será? Disse, introspectivo. Será que foi hoje? Continuou. Será mesmo que foi hoje? Repetiu enquanto se virava e encarava a audiência. Foi hoje que todos partilhámos um momento único, sublime, elevado? Sinto as vibrações, a energia no ar. Sinto as sinergias que acredito terem o poder de nos metamorfosear, transformando-nos em algo mais que meros humanos. Acreditem, meus caros, que hoje sim; hoje aconteceu algo grandioso, majestoso! Todos os nossos corações foram tocados e os nossos horizontes alargados. Acreditem, meus caros, acreditem que nunca mais seremos os mesmos. Acreditem! Concluiu enquanto baixava a cabeça e cruzava as mãos sobre o peito. Permaneceu imóvel naquela posição, de olhos novamente postos nas tábuas puídas do chão. O pano desceu e o público, como que impelido por uma força invisível que o repeliu das cadeiras, levantou-se de imediato e irrompeu num titânico aplauso. Ouviam-se “bravo” inflamados. O êxtase era quase palpável na atmosfera.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O encenador soluçava convulsivamente e as lágrimas escorriam-lhe face abaixo. Obrigado, disse ao jovem actor, entre dois soluços. Obrigado por me teres proporcionado este dia, estas emoções. Sinto que foi o dia mais intenso da minha vida e sim, já não sou o mesmo. Sinto que vou mesmo ver o mundo de outra forma. Acredito! Eu acredito! O jovem actor corou instantaneamente. Eu não sei de onde saiu tudo aquilo, disse, sentia que não era eu quem controlava as minhas acções. Não consigo explicar, mas foi como se, ao pisar o palco, me transformasse automaticamente noutra pessoa. Aquele não era um personagem, respondeu o encenador enquanto tentava recuperar a compostura, era o teu âmago. Hoje nasceste. Hoje, todos nós nascemos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8872388703478018506?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8872388703478018506/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8872388703478018506&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8872388703478018506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8872388703478018506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/06/peca-ou-sera-estupido.html' title='A Peça ou Será estúpido?'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-2503490258980166568</id><published>2009-05-27T17:19:00.003+01:00</published><updated>2009-05-27T17:22:51.753+01:00</updated><title type='text'>In actividade #3</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/Sh1ouqRSzxI/AAAAAAAAAGk/Cw8h_riyM2c/s1600-h/Imagem0507.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340539883961372434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 270px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/Sh1ouqRSzxI/AAAAAAAAAGk/Cw8h_riyM2c/s400/Imagem0507.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/Sh1obIkywSI/AAAAAAAAAGc/UKt3pJhXpwA/s1600-h/Imagem0505.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340539548498837794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 176px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/Sh1obIkywSI/AAAAAAAAAGc/UKt3pJhXpwA/s400/Imagem0505.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-2503490258980166568?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/2503490258980166568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=2503490258980166568&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2503490258980166568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/2503490258980166568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/05/in-actividade-3.html' title='In actividade #3'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' 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Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8222153221970194185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8222153221970194185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/05/curtas_7621.html' title='Curtas'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-806873057747162837</id><published>2009-05-26T11:24:00.000+01:00</published><updated>2009-05-26T11:25:19.436+01:00</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>A puta na luta, tira a faca do quadril&lt;br /&gt;E retalha e estraçalha, o corpo do vil&lt;br /&gt;Pede perdão enquanto lhe dá o golpe final&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-806873057747162837?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/806873057747162837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=806873057747162837&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/806873057747162837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/806873057747162837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/05/curtas_26.html' title='Curtas'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-6684384874670276886</id><published>2009-05-14T10:16:00.001+01:00</published><updated>2009-05-14T10:20:41.694+01:00</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>As minhas nuas nas tuas&lt;br /&gt;Deixam sulcos, deixam marcas&lt;br /&gt;Fazem fendas, abrem rachas&lt;br /&gt;Contam histórias de viagens&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6684384874670276886?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6684384874670276886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6684384874670276886&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6684384874670276886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6684384874670276886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/05/curtas_14.html' title='Curtas'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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href="http://www.youtube.com/watch?v=FHuzHSQ91oQ&amp;amp;NR=1"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=FHuzHSQ91oQ&amp;amp;NR=1&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-6340421344161902762?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/6340421344161902762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=6340421344161902762&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6340421344161902762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/6340421344161902762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/05/please-no-noise-reduction.html' title='Please, no noise reduction!'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3797978106002040836</id><published>2009-05-08T10:25:00.000+01:00</published><updated>2009-05-08T10:26:19.626+01:00</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>Um festim de sentidos abre-se perante os meus olhos&lt;br /&gt;O teu corpo nu chão pronto a ser saboreado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3797978106002040836?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3797978106002040836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3797978106002040836&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3797978106002040836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3797978106002040836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/05/curtas.html' title='Curtas'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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href="http://www.youtube.com/watch?v=qcp7JEQl4gM"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=qcp7JEQl4gM&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-427960681610155371?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/427960681610155371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=427960681610155371&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/427960681610155371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/427960681610155371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/05/koniek.html' title='Koniec'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-7338257488930205361</id><published>2009-04-29T17:31:00.001+01:00</published><updated>2009-04-29T17:33:44.161+01:00</updated><title type='text'>È um Senhor !!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Y7VZlzEMaCk"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=Y7VZlzEMaCk&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7338257488930205361?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7338257488930205361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7338257488930205361&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7338257488930205361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7338257488930205361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/04/e-um-senhor.html' title='È um Senhor !!!'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-3301418189597870842</id><published>2009-04-29T15:22:00.002+01:00</published><updated>2009-04-29T15:24:49.806+01:00</updated><title type='text'>O Olho</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Era manhã cedo, estava ainda meio ensonado e não dei qualquer importância à pequena protuberância que senti no crânio enquanto me secava depois do banho. Era na parte lateral, mas suficientemente atrás para não a conseguir ver ao espelho. Uma borbulha, pensei na altura, e não liguei mais. Passados alguns dias, ao passar a mão pela cabeça, voltei a senti-la, parecia maior. Estranhei. Não me doía, mas aparentava estar a crescer. Há-de passar, pensei desta vez, com o meu inato optimismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, passada mais de uma semana, voltei a reparar na protuberância, agora já algo do tamanho de um caroço de cereja, uma ponta de preocupação começou a instalar-se. Sempre odiei ir a médicos e só recorro a eles mesmo em casos de manifesta necessidade, por isso resisti à opção e decidi observar mais atentamente o desenvolvimento da situação. Nos dias seguintes, pela observação mais minuciosa do fenómeno, apercebi-me que realmente continuava a crescer e, no espaço de mais uma semana, a protuberância cresceu até ao tamanho de uma pequena azeitona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda numa posição de resistência a recorrer a um clínico, decidi recorrer à Sílvia, a minha barbeira, como eu lhe chamava, conseguindo uma espécie de tranquilidade infantil, considerando que já estava a recorrer a ajuda profissional. A tranquilidade durou pouco tempo, já que a opinião profissional da Sílvia, depois de observar a protuberância, foi que devia procurar um médico. Pedi que me cortasse o cabelo muito curto, de forma a poder observar melhor o alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, com a ajuda de dois espelhos, a protuberância pareceu-me muito maior do que aparentava ao senti-la com a mão. Ao contrário do que eu pensava, era já algo com um tamanho próximo de um berlinde, mas, na minha atitude normal de desleixo, achei que só parecia muito maior porque tinha agora o cabelo extremamente curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quando, passados mais alguns dias, calhou enrolar-me com a Ana que, ao pegar-me na cabeça para afundar a minha cara entre os seus seios, gritou assustada, dando um salto para trás, é que finalmente achei que era mesmo imperativo recorrer a ajuda médica. Mexeu-se, disse, horrorizada. É natural, estava a crescer, respondi atónito, já o tinhas sentido antes e nunca reagiste assim. O que é que se passa, perguntei com genuíno espanto. Não é isso, estúpido, respondeu com aquele tom que me fazia adorar quando me chamava aquilo, o alto na cabeça, mexeu-se! A sério, perguntei desconfiado, tens a certeza? Juro-te, senti nitidamente isso a mexer, e foi muito atrofiante. Desculpa lá mas isso cortou o clima e acho que vou andando, disse meio envergonhada, tens mesmo que ir mostrar isso a um médico. Vestiu a camisola à pressa e saiu, visivelmente transtornada. Já não era apenas um alto na cabeça, era algo que começava a interferir com a minha vida, e logo com uma parte que eu prezava bastante. Algo revoltado, decidi que teria mesmo que fazer alguma coisa. Quando, ao apalpar a protuberância, senti também algo a mover-se lá dentro, tive que recorrer a todo o meu sangue-frio para não entrar em pânico. Apesar disso, achei que não podia esperar mais e fui direito ao hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, de facto creio nunca ter visto nada assim, disse o médico, eu diria que era um quisto se não fossem estas pregas na pele que atravessam a protuberância, vamos fazer uma tomografia para podermos ver por dentro. Aguarde aqui um momento, por favor, concluíu enquanto saia para partilhar o caso com um colega. O outro médico entrou e observou-me também. Tem mais alguma coisa assim no resto do corpo, perguntou-me. Não, respondi, é só aí. Siga-me então, vamos fazer o exame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardava algo ansioso na sala de espera quando entrou o primeiro médico que me tinha examinado. Vinha com um ar algo espantado, o que me provocou algum temor. Faça favor, disse-me enquanto estendia a mão na direcção da sua sala. Entrei, ele entrou a seguir a mim, estendeu novamente a mão, agora na direcção da cadeira e eu sentei-me. O médico observou novamente o meu crânio por alguns momentos e sentou-se também. Depois de uma breve pausa, durante a qual me olhou com alguma estranheza, provocando-me um arrepio na coluna vertebral, quebrou o desconfortável silêncio. É um olho, disse algo bruscamente. Um olho?? Repeti perplexo. Sim, um olho, confirmou, e deixe-me que lhe diga que, em mais de trinta anos de medicina, nunca vi nada assim. Apesar da estranheza do caso, continuou, nem eu nem os colegas a quem pedi aconselhamento achamos que a situação representa algum perigo para a sua saúde, pelo que não pensamos haver razão para alarme. Faremos mais alguns exames e depois podemos discutir as suas opções, sendo que será provável a possibilidade de extracção cirúrgica. Numa questão de segundos imaginei-me um mutante metido numa sala de análise, observado através de um vidro por um magote de cientistas e a ideia assustou-me. Obrigado doutor, disse muito depressa enquanto me levantava, muito obrigado por tudo, voltei a dizer enquanto atravessava a porta em passo acelerado. Ainda o ouvi a pedir-me para esperar, mas não parei até chegar ao carro, onde me meti lestamente, voltando para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, fiz o meu exame minucioso. Apalpei, olhei, e era nítido que o médico tinha razão, as pálpebras eram já perfeitamente distinguíveis, era mesmo um olho! Algo desnorteado, senti-me fraquejar com o choque e decidi que precisava de descansar. Pensaria no que fazer no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei, nos minutos em que lentamente recuperava a consciência, a minha mente conseguiu enganar-me fazendo-me pensar que toda a história do olho não tinha passado de um sonho, mas, não sei se ao recuperar a razão ou ao passar a mão pela cabeça, a realidade atingiu-me. Era real. Algo assustado, dirigi-me ao espelho e, novamente com a ajuda de outro pequeno espelho, observei demoradamente aquela coisa. O coração quase me saía pela boca quando o olho se abriu! O susto fez-me largar o pequeno espelho que se desintegrou no chão. Foda-se, mais azar, era mesmo o que eu precisava, consegui ainda pensar antes do pavor se apoderar de mim, ao sentir que efectivamente o olho se mexia. Sentia inequivocamente o olho a mexer-se na minha cabeça. Não era, no entanto, uma sensação desagradável, era apenas estranha. Ainda impulsionado pelo pânico, fiz rapidamente um penso com gaze e colei-o na cabeça, tapando o olho. Sentei-me na cama, tentei acalmar-me e pensar no que iria fazer, mas rapidamente se começou a apoderar de mim um estranho desconforto. Não era nada de muito incomodativo, era apenas uma sensação geral levemente desagradável da qual não conseguia perceber a origem e acabei por ignorá-la. Ainda sem saber o que fazer, voltei ao espelho e retirei o penso. Instantaneamente o desconforto desapareceu, tornando claro que se devia ao facto do olho estar tapado. Peguei no caco maior de entre os pedaços do outro espelho que se espalhavam pelo chão e tentei ver o olho. Senti as pernas a fraquejar ao vislumbrar o olho a mover-se freneticamente, olhando parar todo o lado como que tentado perceber o que se passava à sua volta. Mais uma vez o choque me fez largar o pedaço de espelho, que se dividiu em inúmeros pedaços ainda mais pequenos ao atingir o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri a água e deixei a banheira encher enquanto varri cuidadosamente os cacos do espelho que se tinham projectado para todos os lados. Deitado na banheira, deixei os músculos descontraírem-se na água quente e, de uma forma semi-deliberada, decidi manter-me em negação em relação à minha condição e fazer a minha vida normalmente. Sequei-me, vesti-me, voltei a tapar o olho com o penso e saí para comer qualquer coisa. O desconforto voltou, comprovando que era provocado pelo tapar daquele estranho olho, mas eu resisti-lhe. Tomei o pequeno-almoço e decidi passear um pouco enquanto fumava um cigarro, mas, apesar de não ser muito desagradável, não conseguia abstrair-me do constante desconforto. Continuei, no entanto, a achar que conseguia continuar a minha vida normalmente. Diria às pessoas que tinha uma ferida ou qualquer coisa assim e viveria normalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim fiz. Continuei a minha vida, mas com uma diferença, estava sempre ansioso para ir para casa e poder retirar o penso e fazer desaparecer aquele desconforto. Em casa, depois de ter reposto o espelho partido, passava bastante tempo a observar o estranho olho. Movia-se, parecia mesmo observar o que nos rodeava, mas eu não conseguia ver por ele, era como se fosse independente de mim. Comecei a aceitar que não poderia continuar a viver assim, lembrei-me do episódio com a Ana e percebi que mais tarde ou mais cedo este estranho fenómeno iria ter impactos negativos na minha vida. Apesar disso, mantinha alguma resistência em recorrer a ajuda clínica, não queria ser um objecto de pesquisa, e muito menos ser visto como uma aberração. Para recorrer a médicos, tem que ser numa perspectiva de remover isto sem mais demoras nem exames, pensei enquanto observava o olho na sua aparente azáfama de absorver tudo o que conseguisse visualizar. Estranhamente, senti que não me deveria precipitar, que o aparecimento do estranho apêndice visual poderia trazer-me algum benefício e que poderia via a arrepender-me. Por alguns momentos fantasiei com a ideia de passar a conseguir ver através daquele olho e achei que a possibilidade tinha potencial. Decidi continuar a observar o desenvolvimento do fenómeno antes de tomar uma decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias foram passando e comecei a aperceber-me que, de certa forma, estava a deixar que aquele olho manipulasse a minha vida. Sempre que estava fora de casa, so pensava em voltar para poder retirar o penso e acabar com aquela estranha sensação desconfortável. Tinha também bastantes reservas em partilhar a minha situação com mais alguém, já que achava muito provável que me vissem como algo grotesco. Estava cada vez mais sozinho e um dia obriguei-me a tomar uma decisão. À noite, sentado na cama, prometi a mim mesmo que no dia seguinte procuraria um médico que me extraísse aquilo. Esforcei-me por afastar a sensação de que poderia ainda ter alguma vantagem em ter um olho na parte posterior da cabeça dizendo a mim próprio que tal teria o amargo preço de me tornar, para sempre, uma aberração. Decidido, deitei-me e tentei dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri os olhos e a claridade invadiu-me as retinas. Sentia-me estranhamente bem. Estiquei os braços e espreguicei-me vagarosamente. Com uma inspiração profunda, elevei-me e sentei-me na cama. Apercebi-me que, de facto, me sentia maravilhosamente, tanto física, como psicologicamente. Levei a mão à cabeça e fiquei quase eufórico ao perceber que não sentia lá nada de anormal. Passou! Pensei, radiante, Passou! Levantei-me pleno de energia, mas o meu queixo caíu quando olhei para a cama. Ainda meio coberto pelo lençol, estava o que aparentava ser um corpo vazio. Era eu! Era a minha casca vazia que jazia na cama, com um enorme buraco na cabeça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-3301418189597870842?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/3301418189597870842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3301418189597870842&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3301418189597870842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3301418189597870842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/04/o-olho.html' title='O Olho'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8016892632061484016</id><published>2009-04-24T10:27:00.003+01:00</published><updated>2009-04-24T12:04:30.565+01:00</updated><title type='text'>È frutó chicolate....</title><content type='html'>È frutó chicolate&lt;br /&gt;Olha a batatinha frita... que é como quem diz&lt;br /&gt;É pró menino e prá menina, ou ainda Jarvis com e sem Beth&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=sDkJW2Tyv5M"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=sDkJW2Tyv5M&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=oP2bRqYVqxo"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=oP2bRqYVqxo&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8016892632061484016?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8016892632061484016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8016892632061484016&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8016892632061484016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8016892632061484016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/04/e-fruto-chicolate.html' title='È frutó chicolate....'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8945337346496220954</id><published>2009-04-23T10:30:00.000+01:00</published><updated>2009-04-23T10:31:03.870+01:00</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>Mãos que tropeçam&lt;br /&gt;Mãos que me agarram&lt;br /&gt;As mãos que me calam quando me rasgam e me prometem o êxtase final&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8945337346496220954?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' 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frisst der Wind&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Wo das Meer zu Ende ist&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hält sie zitternd seine Hand&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Und hat ihn auf die Stirn geküsst&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sie trägt den Abend in der Brust&lt;br /&gt;Und weiß dass sie verleben muss&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sie legt den Kopf in seinen Schoß&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Und bittet einen letzten Kuss&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Und dann hat er sie geküsst&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Wo das Meer zu Ende ist&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ihre Lippen schwach und blass&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Und seine Augen werden nass&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Der letzte Kuss ist so lang her&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Der letzte Kuss, er erinnert sich nicht mehr&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2JOdaDMrzeQ"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=2JOdaDMrzeQ&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-7173089097511677613?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/7173089097511677613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=7173089097511677613&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7173089097511677613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/7173089097511677613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/04/hoje-so-porque-posso-apeteceu-me.html' title='Hoje, só porque posso, apeteceu-me publicar isto'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' 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href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=3427636289502269258&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3427636289502269258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/3427636289502269258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/04/curtas_21.html' title='Curtas'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' 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Perguntou o enorme zurbalino com a sua voz grave e possante. Os parrecos entreolharam-se com ar interrogativo durante alguns instantes e, alguns deles encolhendo os ombros, voltaram todos a face na direcção do zurbalino. Alguém roubou um sonho, continuou o zurbalino antecipando a pergunta óbvia, e ninguém sai daqui enquanto não se descobrir quem foi. Contagem! Disse em tom autoritário. Numa reacção imediata, todos os parrecos se colocaram lado a lado em fila. Um! Disse o primeiro parreco enquanto dava um leve piparote na nuca do companheiro ao seu lado. Dois! Disse o segundo, imitando o gesto. Todos os parrecos cumpriram na sua vez, até que o último gritou alto: noventa e nove! Noventa e nove? Repetiu, admirado, o zurbalino. Falta um! Quem?? Gritou. Alguns instantes depois, durante os quais os parrecos voltaram a entreolhar-se, eis que aparece o que faltava, a apertar as calças. O que é que se passa? Já não se pode ir à casa de banho? Perguntou desconfiado ao aperceber-se que todos os olhares incidiam em si.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Afinal parece que estão cá todos, disse o zurbalino, pondo fim ao burburinho que se tinha instalado. O que eu sei é que antes do meu intervalo todos os sonhos estavam no sítio, continuou, caminhando vagarosamente entre os parrecos, e quando voltei, faltava um! Levantou a voz em tom dramático ao terminar a frase. Eu sou um zurbalino compreensivo, continuou, sei que uma sala repleta de sonhos é uma tentação, mas vocês têm que perceber que um sonho não serve para nada se não soubermos o que fazer com ele. Espero que quem o tirou compreenda isso e vou dar-lhe uma oportunidade de se arrepender. Vou dar uma volta até lá fora e espero que, quando voltar, o sonho esteja novamente no sítio. Se isso acontecer, eu esqueço toda a questão, concluiu enquanto dava meia volta e se retirava. Nenhum dos parrecos se mexeu até ao regresso do zurbalino, que, com um visível esforço para manter a calma disse: já vi que o sonho não foi restituído, terei que adoptar medidas mais drásticas. Vocês, parrecos, são muito previsíveis, e não será nada difícil elaborar um método para descobrir qual de vocês é que tem um sonho que não lhe pertence, disse o zurbalino em tom ameaçador, mas a verdade é que não tinha qualquer ideia sobre como fazê-lo. Todos de volta ao trabalho, ordenou, e ninguém sai daqui até eu voltar! Depois de alguns momentos de desorganização, todos os parrecos retomaram os seus lugares e continuaram o seu labor. Com um suspiro, o zurbalino recolheu-se para a sala dos sonhos para pensar numa solução.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sentado na sua cadeira, como que em busca de inspiração, o zurbalino contemplou os sonhos, meticulosamente organizados nas prateleiras que revestiam todas as paredes. O que é que torna um parreco com um sonho diferente dos restantes? Perguntou, em voz alta, a si mesmo. Haverá certamente uma forma de o detectar, continuou, mas já sem verbalização. De repente, os seus olhos frontais brilharam. É isso, disse levantando-se energicamente, e é tão simples. Basta-me perguntar-lhes o que desejam, certamente o que tiver o sonho vai dizer algo mais elaborado que os outros. Seguro do sucesso da sua ideia, entrou de rompante na oficina dos parrecos, com um sorriso algo maquiavélico. Quero todos em fila para falar com vocês um a um, disse alto. Numa questão de segundos, todos os parrecos estavam alinhados e prontos para o interrogatório. Perguntou a cada um o que desejava e desmoralizou ao receber de todos praticamente a mesma resposta. Todos os parrecos responderam que a única coisa que desejavam era trabalhar na fábrica de sonhos. Frustrado, o zurbalino voltou para a sua sala sem proferir outra palavra.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Menosprezei-o, pensou, já sentado na sua cadeira, ele percebeu que se denunciaria se fosse sincero e respondeu o que sabia que devia responder. Não estou a lidar com um parreco normal… Claro que não estou a lidar com um parreco normal, disse para si, reprimindo-se, a um parreco normal não lhe ocorreria roubar um sonho, estou a lidar com um degenerado, e descobri-lo vai ser um verdadeiro desafio. Tenho que pensar noutra solução. É isso! Disse o zurbalino, saltando da cadeira. Um parreco normal não tem aspirações, mas um que deseja ter um sonho terá de certeza. Vou montar-lhe uma armadilha, anuncio a criação do cargo de líder dos parrecos e ele de certeza que não vai resistir, pensou, com um semblante algo malévolo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com ar casual, o zurbalino dirigiu-se à oficina e afixou, falsamente desinteressado, o aviso que tinha composto para servir de isco à sua armadilha. Ficou à espreita e, quando verificou que os parrecos se dirigiam ao aviso, voltou para a sua sala com um sorriso triunfante. É uma questão de tempo até te apanhar, disse o zurbalino num murmúrio, enquanto se sentava. Só me resta esperar, pensou satisfeito. As horas passaram e nenhum dos parrecos apareceu. É mais inteligente que eu pensava, disse, irritado, o zurbalino, falando sozinho. Ou então menosprezei o poder do sonho que ele levou, também pode ser isso, continuou em voz alta, como se estivesse de facto a dialogar consigo próprio e esperasse uma opinião. É isso, a um parreco com um sonho verdadeiro não deve parecer minimamente apelativo ser o líder dos parrecos. Não posso mesmo menosprezar nem este parreco, nem o poder de um sonho. Se calhar estou a dar demasiada importância a isto, talvez o melhor seja não fazer nada e esperar que ele se denuncie. Ele não há-de conseguir resistir para sempre ao poder do sonho e, quando tentar alguma coisa, eu apanho-o. Com este pensamento, o zurbalino deixou-se afundar na cadeira e tentou descontrair. Passando casualmente o olhar pelo monitor que mostrava a oficina, reparou que, enquanto todos os restantes trabalhavam concentrados, um dos parrecos olhava distraidamente para o infinito. Rapidamente o parreco voltou ao trabalho e deixou de se distinguir dos demais, mas algo se iluminou na mente do zurbalino. Porque é que nos matamos a pensar em formas elaboradas e complicadas de resolver os nossos problemas quando a solução normalmente nos surge quando não nos estamos a esforçar para isso? Ponderou o zurbalino. E a verdade é que as soluções normalmente são extremamente simples, mas a nossa tendência para complicar impede-nos de chegar a elas, continuou, bastava-me observar os parrecos à procura de um ar sonhador, tão simples como isso. A verdade é que nunca tinha visto qualquer utilidade neste monitor, nunca tinha tido qualquer tipo de problema com os parrecos, disse para si próprio em jeito de desculpa, e por isso nem me ocorreu usá-lo. Manteve o olhar na imagem e, confirmando a sua teoria, aquele parreco voltou a passar alguns instantes a olhar para o infinito, como que embrenhado em pensamentos. Satisfeito, o zurbalino dirigiu-se à oficina e, subtilmente, disse àquele parreco que fosse até à sua sala e que esperasse por ele, pois precisava de lhe falar. O parreco retirou-se obedientemente e o zurbalino perdeu alguns momentos a informar os outros parrecos que a situação estava resolvida e que podiam retomar o trabalho sem se preocuparem mais com a questão do sonho roubado. Quando se dirigia para a sua sala, meditando sobre a melhor maneira de lidar com o prevaricador, eis que só consegue vislumbrar ao longe o parreco ladrão a sair a correr da sua sala com todos os sonhos que conseguia carregar. Correu o mais que podia, mas o seu corpo volumoso não o permitiu apanhar o parreco antes de este chegar ao pátio. O que é que estás a fazer? Gritou o zurbalino. Sabes que não tens por onde escapar. Quem disse que eu quero escapar, respondeu, seguro, o parreco, eu só quero soltar os sonhos. Soltá-los?? Repetiu, atónito, o zurbalino, porque é que alguém quereria fazer uma coisa dessas? Para que eles possam chegar a qualquer pessoa, retorquiu muito depressa o parreco. Mas isso é uma estupidez, continuou, algo aflito, o zurbalino, é um desperdício gastar um sonho em alguém que não o vai usar devidamente. Quem és tu para saber se alguém merece um sonho ou não? Perguntou o parreco de forma cortante. E mesmo que não se use devidamente, mais vale ter um sonho que não se usa do que não ter nenhum. Nem sei porque estou a debater isto contigo, disse rispidamente o zurbalino, não tens por onde fugir, portanto entrega-me os sonhos e eu serei benevolente. Podes apanhar-me a mim, respondeu o parreco em tom desafiador, mas pelo menos estes sonhos serão livres de ser encontrados por qualquer pessoa, quer saiba o que fazer com eles ou não. Dito isto, o parreco começa a correr à volta do pátio, soltando os sonhos que flutuavam para longe. Não! Gritou o zurbalino enquanto, trôpego, corria na tentativa de os apanhar. Depois de soltar todos os sonhos, o parreco retirou do bolso aquele que tinha roubado inicialmente. Gostava muito de ficar contigo, disse ao sonho, mas já que eu não sou livre, tu podes sê-lo, faz alguém feliz, gritou enquanto o libertava. O sonho, em vez de flutuar para longe como os outros, começou a crescer, a crescer, até que acabou por envolver o parreco e ambos levantaram vôo. O parreco não conseguiu segurar uma genuína gargalhada ao ver o zurbalino lá em baixo a praguejar, agitando um dos seus braços, de punho fechado no ar. Passados alguns momentos, derrotado, o zurbalino deixou cair os braços e deixou-se ficar a ver o parreco, envolto no seu sonho, a afastar-se cada vez mais, até desaparecer no horizonte para nunca mais ser visto.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-4640627069238904921?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/4640627069238904921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=4640627069238904921&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4640627069238904921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/4640627069238904921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/04/sonhos.html' title='Sonhos'/><author><name>Rodovalho Zargalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13657398243817665946</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_FvKvzGJEpcY/SSK3pU3azNI/AAAAAAAAAEc/1HnYPo8qjA4/S220/Ren.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-8906324738066486887</id><published>2009-04-14T12:05:00.000+01:00</published><updated>2009-04-14T12:06:13.944+01:00</updated><title type='text'>E ela</title><content type='html'>E ela chora&lt;br /&gt;E ela adora&lt;br /&gt;E ela adora chorar&lt;br /&gt;E ela coitada&lt;br /&gt;E ela deitada&lt;br /&gt;E ela adora que todos a vejam estar para ali a soluçar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-8906324738066486887?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/8906324738066486887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=8906324738066486887&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8906324738066486887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/8906324738066486887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/04/e-ela.html' title='E ela'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10440039.post-1522034939674003401</id><published>2009-04-13T18:07:00.003+01:00</published><updated>2009-04-13T18:10:21.403+01:00</updated><title type='text'>Excerto da Balada</title><content type='html'>"Agora voltavam a sentir a tempestade. Verdade, o vendaval andava lá fora, e era como se os dois, assim nus e no meio dos destroços de roupa espalhados pelo chão, tivessem sido levados pela água e pelas trevas para um território secreto à margem do pavor e do tempo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Cardoso Pires - "Balada da Praia dos Cães"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10440039-1522034939674003401?l=tertuliadosnescios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/feeds/1522034939674003401/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10440039&amp;postID=1522034939674003401&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1522034939674003401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10440039/posts/default/1522034939674003401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tertuliadosnescios.blogspot.com/2009/04/excerto-da-balada.html' title='Excerto da Balada'/><author><name>Funny Analana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06396579670318359643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_0IW662crznA/SVj0ub05SVI/AAAAAAAAABw/Qk8x3nX-Cy0/S220/emily.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
